Foto: Felipe Salustino/TN
Mobilizados pelo Sindicato dos
Trabalhadores Rodoviários de Cargas do Estado do Rio Grande do Norte
(Sintrocern), caminhoneiros levaram à sede do Sindicato das Empresas de
Transportes de Cargas e Logística do Estado do RN (Setcern), no bairro do
Alecrim, em Natal, um caixão, como forma de pressionar a classe patronal pelas
negociações por recomposição salarial. Os profissionais iniciaram uma greve por
tempo indeterminado na manhã desta segunda-feira (25).
"As ações e a greve vão seguir até que haja boa vontade da classe patronal de nos receber para negociar", disse Edson Negrão, presidente do Sintrocern. O movimento paradista começou no início da manhã de hoje com um ato na BR-101, em Parnamirim, que reuniu diversos caminhoneiros. Após isso, um grupo seguiu em "cortejo" até a sede do Setcern, no Alecrim.
Os trabalhadores seguem
mobilizados em frente ao Sindicato patronal, mas até o momento, nenhum
representante do Setcern recebeu a categoria. A reportagem pediu um
posicionamento do Sindicato das Empresas, mas não houve retorno até o momento.
No sábado (23), o Sindicato publicou no Instagram que estava "atento"
ao movimento. Além do RN, de acordo com o Sintrocern, foram registradas
paralisações temporárias da categoria em estados como Ceará e Paraíba como
forma de apoio aos trabalhadores do RN.
Reajuste
A categoria optou pelo
movimento após audiência de conciliação realizada na última quinta-feira (21)
entre motoristas e empresas de transporte de cargas realizada no Tribunal
Regional do Trabalho da 21ª Região (TRT-RN) e conduzida pela desembargadora Isaura
Maria Barbalho Simonetti, vice-presidente do TRT-RN. Nas negociações, o setor
patronal apresentou inicialmente proposta de reajuste salarial de 4,11%,
enquanto os trabalhadores reivindicavam aumento de 16%.
Após mediação, os
caminhoneiros aceitaram reduzir a proposta para 7%, mantendo aberta a
possibilidade de discutir posteriormente outras cláusulas da convenção
coletiva. No entanto, os representantes das empresas afirmaram que precisam de
cerca de 20 dias para avaliar o novo percentual e consultar as transportadoras
em assembleia. Diante do impasse, o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes
Rodoviários de Cargas no Estado do Rio Grande do Norte (Sintrocern) programou o
início da greve a partir para esta segunda-feira.
O TRT-RN, por sua vez,
determinou a manutenção mínima de 40% dos serviços de transporte de cargas,
considerada atividade essencial. Carga viva, insumos hospitalares, medicamentos
e oxigênio possuem trânsito livre e não entram nesse cômputo. A fixação do teto
mínimo de 40% e o trânsito livre para itens críticos (saúde e agropecuária)
buscam reduzir o desabastecimento imediato de hospitais e o perecimento de
animais, enquanto o impasse de 20 dias solicitado pelas empresas indica a
possibilidade de uma greve prolongada caso não haja nova intervenção judicial.








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