terça-feira, 28 de abril de 2026

Etapas burocráticas travam exportação de gado vivo pelo RN

Líbano, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Marrocos e Arábia Saudita têm interesse no gado do RN | Foto: Magnus Nascimento

Apesar de avanços estruturais e do interesse do mercado internacional, o Rio Grande do Norte ainda não conseguiu iniciar a exportação de gado vivo. O principal obstáculo, neste momento, está na conclusão de etapas burocráticas e na certificação do Porto de Natal, considerada essencial para viabilizar os embarques. O tema foi discutido nesta segunda-feira (27), durante reunião entre a governadora Fátima Bezerra e o ministro da Agricultura e Pecuária (MAPA), André de Paula, em Brasília. A comitiva potiguar contou ainda com a participação do secretário estadual de Agricultura, Guilherme Saldanha.

O estado já dispõe de uma estrutura considerada fundamental para a operação: uma Estação de Pré-Embarque (EPE) devidamente registrada no Ministério da Agricultura, que deu o aval no ano passado. O espaço, localizado no Distrito de Irrigação do Baixo-Açu (DIBA), em Alto do Rodrigues, é responsável pela quarentena dos animais e pela certificação sanitária antes do envio ao exterior.

“Hoje o Rio Grande do Norte tem fazendas habilitadas e registradas no Ministério da Agricultura que possam realizar a quarentena”, afirmou o secretário. Ele destacou ainda que já existe, inclusive, pedido de compra de animais para o primeiro embarque, com destino ao Líbano.

Apesar disso, a operação esbarra em exigências técnicas e regulatórias que ainda precisam ser concluídas. O principal gargalo é a adaptação e certificação do Porto de Natal para esse tipo de atividade, processo esse ainda não concluído.

“O licenciamento ambiental do Porto precisou ser adaptado para esse tipo de exportação de gado vivo, que não existia. O Ministério da Agricultura precisa fazer um teste de inspeção nos equipamentos e isso envolve não só o que já tem hoje no porto, mas também o embarcador onde o gado descarrega do caminhão e vai direto para o navio”, explicou o secretário.

A expectativa do governo é de que essas pendências sejam resolvidas até maio, permitindo que o estado esteja apto a realizar os primeiros embarques, possivelmente em junho. Contudo, após o encontro no Ministério da Agricultura, o secretário evitou fixar prazos definitivos. “Estamos aqui na luta e torcendo para dar certo o mais breve possível, mas não afirmaria uma data porque, infelizmente, há trâmites burocráticos que não dependem da gente”, disse.

Mesmo com os entraves, o interesse internacional pelo gado potiguar é considerado elevado. Países do Oriente Médio e do Norte da África lideram a demanda, com destaque para mercados como Líbano, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Marrocos e Arábia Saudita.

O primeiro embarque deve ser de menor porte, com cerca de três mil animais. Ainda assim, a expectativa é de grande impacto econômico. “Um embarque desse você movimenta próximo a R$ 600, R$ 700 milhões. O principal retorno financeiro para o Rio Grande do Norte é para a pecuária de corte”, apontou Saldanha.

Atualmente, o Brasil exporta cerca de 1,8 milhão de cabeças de gado vivo por ano, com forte concentração no Porto de Barcarena, no Pará, responsável por aproximadamente 85% desse volume. A entrada do Rio Grande do Norte nesse mercado é vista como estratégica para diversificar a logística nacional e reduzir custos.

Um dos principais diferenciais do estado é a localização geográfica. A proximidade com o Oriente Médio reduz o tempo de viagem para cerca de 11 a 13 dias, enquanto embarques saindo de outros destinos podem levar até 21 dias. A redução impacta diretamente nos custos operacionais, como alimentação e manejo dos animais. Nesse contexto, a exportação de gado vivo é vista pelo governo como uma alternativa para fortalecer a pecuária de corte no estado, que enfrenta limitações estruturais, especialmente pela baixa quantidade de frigoríficos em operação.

Hoje, o Rio Grande do Norte importa cerca de R$ 1,3 bilhão em carne por ano e produz apenas 20% do que consome internamente. Para o setor, a abertura do mercado externo pode estimular a produção e valorizar o rebanho local. “A exportação vai gerar uma procura muito grande por animais, tanto jovens quanto prontos para abate”, destacou Saldanha.

Tribuna do Norte

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