Foto: Alex Régis/Tribuna do Norte
Ao escolher “Educação move
tudo” como eixo do debate da próxima edição do Motores do Desenvolvimento, a
Tribuna do Norte recoloca no centro da agenda pública um ponto recorrente no
discurso, mas que ainda não se traduz em resultados consistentes no Brasil e no
Rio Grande do Norte.
A coincidência com a aprovação do novo Plano Nacional de Educação reforça a pertinência do tema. O país volta a estabelecer metas para a próxima década, prevendo a ampliação do investimento público de cerca de 5,5% para até 10% do PIB, além de avanços na alfabetização, na qualidade da aprendizagem e na expansão do ensino integral. O histórico recente, no entanto, mostra que metas ambiciosas não são garantia de entrega.
Os números do Rio Grande do
Norte ajudam a dimensionar o desafio. Na alfabetização, o estado saiu de 39%
das crianças alfabetizadas na idade certa em 2024 para 48% em 2025, um avanço
de 9 pontos percentuais, ou 23,1% de crescimento relativo. Ainda assim, ficou
abaixo da meta de 51% e distante da média nacional, que chegou a 66%. O dado
sintetiza o cenário local, onde há evolução relevante, mas ainda insuficiente.
Nos demais níveis, o quadro é
mais crítico. No ensino médio da rede pública, o RN registrou nota 3,2 no
último Ideb, a mais baixa do país. Para se ter ideia da dimensão do problema,
apenas 8,5% dos estudantes concluem essa etapa com aprendizado adequado em
português e matemática. Nos anos finais do ensino fundamental, o índice foi de
4,1, também entre os piores do Brasil. Mesmo nos anos iniciais, onde houve
melhor desempenho, com nota 5,3, o resultado ainda está muito abaixo da média
nacional.
Há, por outro lado, sinais que
merecem ser destacados. O estado triplicou as matrículas em tempo integral no
ensino fundamental entre 2021 e 2025, e vem ampliando a execução de políticas
nessa área. Em 2025, o percentual de redes que conseguiram aplicar integralmente
os recursos do programa de ensino integral saltou de 12% em maio para 62% em
novembro, indicando ganho de capacidade de gestão.
Iniciativas como o Prêmio
IDEAL, voltado a reconhecer escolas com melhor desempenho no Ideb, e a expansão
dos institutos de educação profissional reforçam uma agenda orientada por
resultados. Na mesma linha, a Busca Ativa Escolar permitiu o retorno de quase 2
mil estudantes às salas de aula entre 2023 e 2024, acumulando mais de 13,2 mil
reintegrações desde 2017.
Os dados mostram que há
políticas em curso capazes de produzir efeitos. O problema é que ainda operam
em escala insuficiente diante do tamanho do desafio. E é justamente nesse ponto
que o debate precisa avançar.
Em ano eleitoral, a educação
não pode ser tratada como promessa genérica. Ao eleitor cabe acompanhar o que
cada um irá apresentar. Cada eleitor deve analisar a consistência das propostas
e a viabilidade de implementação com metas efetivamente mensuráveis.
Educação é vetor de
produtividade, renda e inovação. Sem avanço consistente na formação de capital
humano, não há atratividade para novos investimentos e o crescimento será
sempre limitado.
Ao pautar o tema, a Tribuna do Norte cumpre seu papel. Porque mover o desenvolvimento, neste caso, é mais do que uma expressão retórica. É uma equação objetiva. Num mundo em que a tecnologia avança em ritmo acelerado, o desafio é fazer com que o debate se traduza em resultados concretos para que a educação, de fato, comece a mover tudo.
Tribuna do Norte

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