domingo, 29 de março de 2026

O desenvolvimento começa pela Educação

Foto: Alex Régis/Tribuna do Norte

Ao escolher “Educação move tudo” como eixo do debate da próxima edição do Motores do Desenvolvimento, a Tribuna do Norte recoloca no centro da agenda pública um ponto recorrente no discurso, mas que ainda não se traduz em resultados consistentes no Brasil e no Rio Grande do Norte.

A coincidência com a aprovação do novo Plano Nacional de Educação reforça a pertinência do tema. O país volta a estabelecer metas para a próxima década, prevendo a ampliação do investimento público de cerca de 5,5% para até 10% do PIB, além de avanços na alfabetização, na qualidade da aprendizagem e na expansão do ensino integral. O histórico recente, no entanto, mostra que metas ambiciosas não são garantia de entrega.

Os números do Rio Grande do Norte ajudam a dimensionar o desafio. Na alfabetização, o estado saiu de 39% das crianças alfabetizadas na idade certa em 2024 para 48% em 2025, um avanço de 9 pontos percentuais, ou 23,1% de crescimento relativo. Ainda assim, ficou abaixo da meta de 51% e distante da média nacional, que chegou a 66%. O dado sintetiza o cenário local, onde há evolução relevante, mas ainda insuficiente.

Nos demais níveis, o quadro é mais crítico. No ensino médio da rede pública, o RN registrou nota 3,2 no último Ideb, a mais baixa do país. Para se ter ideia da dimensão do problema, apenas 8,5% dos estudantes concluem essa etapa com aprendizado adequado em português e matemática. Nos anos finais do ensino fundamental, o índice foi de 4,1, também entre os piores do Brasil. Mesmo nos anos iniciais, onde houve melhor desempenho, com nota 5,3, o resultado ainda está muito abaixo da média nacional.

Há, por outro lado, sinais que merecem ser destacados. O estado triplicou as matrículas em tempo integral no ensino fundamental entre 2021 e 2025, e vem ampliando a execução de políticas nessa área. Em 2025, o percentual de redes que conseguiram aplicar integralmente os recursos do programa de ensino integral saltou de 12% em maio para 62% em novembro, indicando ganho de capacidade de gestão.

Iniciativas como o Prêmio IDEAL, voltado a reconhecer escolas com melhor desempenho no Ideb, e a expansão dos institutos de educação profissional reforçam uma agenda orientada por resultados. Na mesma linha, a Busca Ativa Escolar permitiu o retorno de quase 2 mil estudantes às salas de aula entre 2023 e 2024, acumulando mais de 13,2 mil reintegrações desde 2017.

Os dados mostram que há políticas em curso capazes de produzir efeitos. O problema é que ainda operam em escala insuficiente diante do tamanho do desafio. E é justamente nesse ponto que o debate precisa avançar.

Em ano eleitoral, a educação não pode ser tratada como promessa genérica. Ao eleitor cabe acompanhar o que cada um irá apresentar. Cada eleitor deve analisar a consistência das propostas e a viabilidade de implementação com metas efetivamente mensuráveis.

Educação é vetor de produtividade, renda e inovação. Sem avanço consistente na formação de capital humano, não há atratividade para novos investimentos e o crescimento será sempre limitado.

Ao pautar o tema, a Tribuna do Norte cumpre seu papel. Porque mover o desenvolvimento, neste caso, é mais do que uma expressão retórica. É uma equação objetiva. Num mundo em que a tecnologia avança em ritmo acelerado, o desafio é fazer com que o debate se traduza em resultados concretos para que a educação, de fato, comece a mover tudo.

Tribuna do Norte

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