Foto: Débora F. Barreto-Vieira/IOC/Fiocruz
A Organização Mundial da Saúde
(OMS) reconheceu no último sábado, 14, a circulação de uma nova cepa de mpox,
formada pelos clados Ib e IIb do vírus MPXV. A situação acontece após a
confirmação de dois novos casos nos últimos meses.
O primeiro foi identificado em dezembro de 2025 no Reino Unido e envolvia um paciente com histórico de viagem ao Sudeste Asiático. O segundo foi confirmado na Índia, no dia 13 de janeiro deste ano, em uma pessoa que havia viajado para um país da Península Arábica, onde reside.
A análise dos genomas virais
indicou que os dois indivíduos foram infectados pela mesma cepa recombinante,
com uma semelhança de 99,9%. Como os casos ocorreram com intervalo de várias
semanas, a OMS sugere a hipótese de que possam existir infecções não notificadas.
Clinicamente, ambos apresentaram manifestações semelhantes às observadas em
outros clados, e nenhum evoluiu para quadro grave.
A OMS também afirma que a
origem da recombinação ainda é desconhecida e destaca que a circulação desse
vírus já envolve pelo menos quatro países. Como os dois casos identificados
apresentam grande semelhança genética, a agência avalia que a variante pode
estar mais disseminada do que os registros atuais indicam.
O órgão ainda ressalta que
testes laboratoriais convencionais de diferenciação de clados podem não
detectar vírus recombinantes, sendo necessário o sequenciamento genômico para
confirmação.
Nos dois casos, o rastreamento
de contatos foi concluído e não houve identificação de casos secundários. Ainda
não está claro se a nova variação apresenta diferenças clínicas em relação às
anteriores. Por isso, as autoridades continuam investigando as características
fenotípicas da cepa.
Segundo a OMS, a recombinação
é um processo natural que pode acontecer quando dois vírus relacionados
infectam o mesmo indivíduo e trocam material genético, produzindo um terceiro.
Mesmo com o reconhecimento da
recombinação, a avaliação de risco da OMS não mudou. Ela continua sendo
considerada moderada para homens que fazem sexo com homens (com parceiros novos
e/ou múltiplos) e para trabalhadores do sexo ou outras pessoas com múltiplos
parceiros sexuais ocasionais. O perigo é baixo para a população em geral, sem
fatores específicos de risco.
A agência reforçou que mantém
vigilância global da mpox e oferece orientação técnica e apoio aos países,
incluindo acesso a diagnósticos e vacinas por meio de mecanismos de coordenação
internacional. A OMS também trabalha para a criação de um grupo internacional
de coordenação para a provisão de vacinas contra a doença.
Vale lembrar que os critérios
utilizados para aplicação da vacina seguem as orientações da OMS e priorizam
grupos de risco. Saiba mais aqui.
O que é a mpox?
A mpox, também conhecida como
varíola dos macacos, é causada pelo vírus MPXV, do gênero Orthopoxvirus. A
transmissão ocorre principalmente por contato físico próximo e direto,
incluindo relações sexuais.
Também pode acontecer de forma
indireta, por meio do contato com materiais contaminados, pela inalação de
partículas respiratórias infecciosas (em casos limitados) e da mãe para o
filho.
Os principais sintomas são
erupções cutâneas ou lesões de pele, linfonodos inchados, febre, dores no
corpo, dor de cabeça, calafrios e fraqueza. Os sinais geralmente duram de duas
a quatro semanas.
O recomendado é, ao apresentar
os sintomas, buscar ajuda médica. No Brasil, a vacinação contra mpox foi
iniciada em 2023, após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
liberar o uso provisório de um imunizante conhecido como Jynneos ou Imvanex,
produzido pela farmacêutica Bavarian Nordic. Ele deve ser aplicado em duas
doses, com um intervalo de quatro semanas entre elas.
Aos países, a OMS faz as
seguintes recomendações:
– Manter vigilância
epidemiológica e notificação rápida;
– Realizar sequenciamento
genômico em todos os casos confirmados no início de surtos e amostras
representativas (=10%) em transmissão comunitária;
– Priorizar sequenciamento em
casos importados, incomuns ou graves;
– Garantir manejo clínico
adequado e práticas robustas de prevenção e controle de infecção;
– Fortalecer estratégias de
vacinação para populações-chave;
– Integrar serviços de HIV/IST
e mpox;
– Buscar eliminar transmissão
humano a humano onde a circulação é baixa;
– Informar viajantes em risco.
Estadão Conteúdo

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