quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Cesta básica em Natal cai 6% em 1 ano e é a 3ª mais barata do Brasil

Em Natal, 10 dos 12 alimentos da cesta básica monitorados tiveram redução entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, entre eles o tomate| Foto: Alex Régis

O custo da cesta básica em Natal registrou queda de 6,03% em um ano, chegando a R$ 595,86 em janeiro de 2026, dado que representa a maior redução anual entre as 17 capitais com série histórica completa. A capital potiguar registrou o terceiro menor valor do item entre as capitais nesse mês, com leve recuo de 0,22% em relação a dezembro de 2025, atrás apenas de São Luís (-0,57%) e Teresina (-0,51%).

A Análise Mensal da Cesta Básica de Alimentos indicou ainda que o custo da cesta aumentou em 24 capitais entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. O levantamento, divulgado nesta segunda-feira (9), é da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Na capital do RN, 10 dos 12 alimentos da cesta básica monitorados tiveram redução entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026: arroz (-38,04%), tomate (-22,12%), açúcar cristal (-16,63%), farinha de mandioca (-11,39%), leite integral (-10,26%), óleo de soja (-7,87%), feijão carioca (-7,80%), banana (-6,50%), manteiga (-2,35%) e carne bovina de primeira (-0,58%). No acumulado dos últimos 12 meses, o preço de apenas dois produtos aumentou: café em pó (25,61%) e pão francês (3,62%). De dezembro para janeiro, oito produtos tiveram queda, mas tomate, manteiga, feijão e pão subiram.

Segundo o economista Ediran Teixeira, técnico do Dieese no RN, o peso do arroz e do tomate na cesta básica natalense contribuiu para o resultado. “Esses produtos tiveram queda de preço significativa, motivada pela redução de preço do tomate no segundo semestre [de 2025]. Tradicionalmente, o arroz tem queda de preço, pois a sua produção é intensa no final do ano e em janeiro”, explica.

Ele afirma que a queda no preço da carne também repercutiu para a redução observada na pesquisa. Isso porque houve um abate significativo de vacas em junho passado, o que aumentou a disponibilidade de carne bovina no mercado interno.

“A carne e o tomate tiveram quedas substanciais e puxaram o peso geral da cesta para baixo. Por outro lado, vemos a inflação no pão francês, o que já era esperado. O pão geralmente tem inflação no começo do ano”, diz o economista. Ele ainda afirma que há uma tendência de queda do preço do arroz, observada desde 2022, por aumento da produção.

Quanto ao aumento do preço do café na cesta, Teixeira pontua que o item é uma commodity, ou seja, reage a preços internacionais. Além disso, ele diz que a estocagem de café, cujo grão não é muito perecível, encarece o item. “Mas a tendência é que o preço do café comece a cair durante o primeiro semestre de 2026, já que a produção está muito intensa, a área plantada de café foi aumentada e vem uma safra nova”, afirma.

O valor da cesta em Natal representa 39,74% do salário mínimo (R$ 1.621,00), após o desconto de 7,5% da Previdência Social. Em janeiro de 2026, o trabalhador natalense, remunerado pelo salário mínimo, precisou trabalhar 80h52min para adquirir a cesta básica. Em dezembro de 2025, esse tempo era de 86h32min. Em janeiro de 2025, quando o salário mínimo era de R$ 1.518,00, eram 91h54min, considerando uma jornada de 220h por mês.

“O trabalhador gastou menos do salário mínimo para comprar a cesta básica e despendeu menos tempo de trabalho para adquirir os produtos”, diz Teixeira. “Sobram mais recursos do orçamento para saúde, transporte e lazer.”

A aposentada Francinete Pontes, 65 anos, conta que notou uma redução em itens essenciais da cesta nos últimos 12 meses. “Percebi mais na parte de coisas grosseiras, como feijão, arroz e macarrão. Realmente teve uma diferença muito grande, mas a parte de proteínas já ficou um pouco mais cara”, avalia.

Ela diz que a carne de primeira pode até ter ficado mais barata, mas quem quer comer outras carnes moles e saudáveis ainda gasta muito. Sobre o preço do café, ela brinca: “Se o meu esposo dissesse assim pra mim: minha filha, vamos parar de tomar café… Eu já parava na hora e passava pro chá, que é saudável.”

NÚMEROS

Cestas mais baratas (jan/2026), em R$
Aracaju (SE): 552,65
Maceió (AL): 592,83
Natal (RN): 595,86
Recife (PE): 600,09
Porto Velho (RO): 601,01

Cestas mais caras (jan/2026)
São Paulo (SP): 854,37
Rio de Janeiro (RJ): 817,60
Cuiabá (MT): 810,82
Florianópolis (SC): 806,33
Porto Alegre (RS): 795,37

Fonte: Conab/Dieese

Fernando Azevêdo/Repórter

Tribuna do Norte

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