quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Vereadores mantém processo contra de cassação contra Brisa

A vereadora Brisa Bracchi (PT) segue com a ameaça de cassação | Foto: FRANCISCO DE ASSIS

A Câmara Municipal de Natal decidiu dar continuidade ao processo que apura denúncias e pedido de cassação contra a vereadora Brisa Bracchi (PT), rejeitando o parecer da comissão processante que recomendava o arquivamento do caso. A decisão foi tomada em sessão extraordinária nesta terça-feira (27), marcada por um clima de insegurança de que o rito adotado leve a falhas processuais que resultem em nova anulação, como ocorreu no primeiro procedimento aberto contra a parlamentar no ano passado, com base nas mesmas acusações.

Ao final da votação, 15 vereadores se posicionaram pela continuidade das investigações, enquanto nove votaram pelo arquivamento. Dois parlamentares se abstiveram, e houve ainda duas ausências registradas. A deliberação ocorreu por maioria simples entre os 27 vereadores presentes.

Logo no início, surgiu a dúvida sobre o direito de sustentação oral do vereador Matheus Faustino (União), autor da denúncia, após a fala da denunciada. O plenário precisou deliberar sobre a questão e decidiu permitir a manifestação do denunciante, desde que fosse garantido à vereadora Brisa Bracchi o direito a uma espécie de tréplica, já que ela havia utilizado a tribuna inicialmente para sua defesa.

Outro ponto de tensão ocorreu no momento do voto do vereador Irapoã Nóbrega (Republicanos), que levantou questionamento sobre a validade da reunião virtual da comissão processante realizada no dia 7 de janeiro, quando, por maioria, foi aprovado o parecer pelo arquivamento. Apesar de a Procuradoria da Casa ter assegurado que a sessão remota era permitida e não comprometia o processo, parlamentares demonstraram desconfiança de que o procedimento pudesse ser usado futuramente como argumento para anulação.

“O que eu digo que está errado foi que essa reunião foi feita de forma remota. Eu me preocupo porque acredito que o processo vai dar prosseguimento, mas lá na frente vai parar. Então a Casa vai entrar na mesma seara do primeiro processo”, declarou o vereador Irapoã Nóbrega (Republicanos), justificando sua abstenção. Também se absteve o vereador João Batista (DC).

Com isso, a vereadora Camila Araújo (União), que inicialmente havia votado pelo arquivamento, decidiu mudar de posição diante da possibilidade de judicialização. “Eu entendo que a procuradoria quis otimizar o trabalho, e inteligentemente a presidente da comissão acompanhou. Parece que foi uma estratégia ensaiada para se fazer de forma inclusive virtual, para que a vereadora ganhe na Justiça mais uma vez e esta Casa saia desmoralizada”, afirmou. Na mesma linha, o vereador Léo Souza (Republicanos) defendeu que o entendimento de que era necessário afastar qualquer dúvida sobre o rito.

O presidente da Câmara, vereador Eriko Jácome (PP), destacou o quórum elevado mesmo durante o recesso e defendeu a condução do processo. “A Câmara Municipal teve mais de 90% da presença. Seguimos garantindo a legitimidade”.

Tribuna do Norte

Nenhum comentário:

Postar um comentário