Allyson ressaltou que, em 2023, ampliou o sistema de controle | Foto: ADRIANO ABREU
Depois de ser alvo da Operação
Mederi, que apura um esquema de desvio de recursos públicos e fraudes em
contratos da área da saúde, com foco no fornecimento de medicamentos, o
prefeito da cidade, Allyson Bezerra (União), se manifestou publicamente insinuando
que a ação está associada ao ano eleitoral, no qual ele é pré-candidato ao
governo do Estado. “É um processo lá de 2023. Mas só agora em janeiro de 2026,
ano eleitoral em que nosso nome, de forma espontânea pelo povo do estado do Rio
Grande do Norte, desponta em primeiríssimo lugar para o governo do estado, é
que o nosso nome foi aí citado”, pontuou.
No Rio Grande do Norte, foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão, entre eles um na residência do prefeito. Em declaração nas redes sociais, ele disse encarar a situação com tranquilidade e confirmou que agentes federais apreenderam um telefone celular, um notebook e dois HDs pessoais em sua residência. O prefeito disse ainda que houve colaboração integral com a Polícia Federal durante o cumprimento do mandado. “Recebi os agentes com cordialidade, apresentei todos os ambientes da casa e entreguei tudo o que foi solicitado. Estarei sempre à disposição para prestar esclarecimentos”, disse.
Além de Mossoró, a ação
ocorreu nas cidades de Natal, Parnamirim, São Miguel, Upanema, Serra do Mel,
Pau dos Ferros e José da Penha. Segundo a Polícia Federal, a Prefeitura do
Natal não integra o rol de investigados. Até o momento, não há confirmação oficial
sobre o envolvimento direto das demais administrações municipais onde houve
cumprimento de mandados.
De acordo com o balanço
divulgado pela Polícia Federal (PF) no fim da tarde, foram apreendidos R$ 251
mil em espécie, localizados em sete endereços distintos. Também foram
recolhidos 33 aparelhos celulares, 34 mídias eletrônicas, entre computadores,
HDs e pen drives, além de dois veículos. O material será analisado no curso da
investigação, que contou com a atuação de 163 policiais federais e cinco
auditores da Controladoria-Geral da União (CGU).
O prefeito de Mossoró
ressaltou que, ainda em 2023, editou um decreto municipal determinando que
todos os medicamentos distribuídos pela Prefeitura de Mossoró passassem
obrigatoriamente pelo Sistema Nacional de Gestão da Assistência Farmacêutica
(Hórus), plataforma federal de controle e rastreamento de insumos. “Na época
foi visto como burocracia. Hoje eu vejo aqui como uma solução de transparência
que nós demos pra gestão”, disse.
Apesar da operação, Allyson
afirmou que segue no exercício do cargo. “Eu faço questão que toda a
investigação seja conduzida com o total rigor da lei. Apresentarei todos os
fatos, todos os documentos, tudo que me for solicitado a qualquer tempo,
estarei aqui pronto e preparado”, disse ele.
Em nota, a defesa do prefeito
afirmou que não há elementos que vinculem pessoalmente Allyson Bezerra às
irregularidades investigadas. Segundo os advogados, o mandado foi deferido com
base em diálogos envolvendo terceiros e não resultou em qualquer medida
restritiva ao gestor. “A investigação envolve contratos firmados entre
municípios e empresas fornecedoras de medicamentos, em diferentes entes
municipais, e não se confunde com a atuação pessoal do prefeito de Mossoró”,
diz o texto. A defesa ressaltou ainda que Allyson colaborou desde o primeiro
momento com as autoridades.
De acordo com as
investigações, empresas sediadas no RN mantinham contratos com prefeituras de
diferentes estados para o fornecimento de insumos à rede pública de saúde.
Reação política foi imediata
no estado
As primeiras manifestações
políticas após a operação partiram de nomes ligados à governadora Fátima
Bezerra (PT). A deputada federal Natália Bonavides (PT) usou as redes sociais
para comentar a ação da Polícia Federal. Ela destacou que a acusação é “grave”
e envolve suspeitas de fraudes em contratos da saúde.
Já Cadu Xavier (PT),
pré-candidato ao Governo do RN, disse que a operação “merece atenção de todos”
e destacou que a gestão de recursos públicos exige compromisso, zelo e
honestidade. “Tenho orgulho de gerir as finanças do estado há 7 anos, no
governo da professora Fátima, pautado por esses princípios. Que o prefeito e
demais investigados tenham o direito de prestar os devidos esclarecimentos e
apresentar suas defesas. Fraudes em contratos da Saude é, além de crime,
totalmente desumano.”
Em Mossoró, o vereador Cabo
Deyvison (MDB), que faz oposição ao prefeito, publicou uma série de vídeos
fazendo denúncias e comemorando a ação da Polícia Federal e o mandado cumprido
na casa de Allyson. “Eu sabia que essa casa ia cair! Obrigado, meu Deus! O
Senhor é justo! Missão cumprida!.

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