Foto: Sarah Carvalho
O Ministério Público do Rio
Grande do Norte (MPRN) arquivou parcialmente a denúncia contra a vereadora
Brisa Bracchi no caso de destinação de emendas para o “Rolê Vermelho”. O órgão
decidiu por arquivar o inquérito no que tange à imputação de dano ao erário,
mas apontou desvio de finalidade na publicidade do evento cultural. Na
manifestação, o MPRN solicitou que a vereadora sinalize se tem interesse na
celebração de acordo de não persecução civil, como alternativa ao ajuizamento
de ação de improbidade administrativa.
A manifestação ministerial foi assinada pelo promotor de Justiça Afonso de Ligório Bezerra Júnior, na última terça-feira (27), e dá cinco dias, a partir da notificação, para que a vereadora se pronuncie sobre a proposta.
Vereadores
mantêm processo contra de cassação contra Brisa
O processo investiga o envio
de emendas impositivas pela petista para o evento Rolê Vermelho, que comemorava
a prisão preventiva de Bolsonaro em agosto de 2025. A parte arquivada diz
respeito ao dano ao erário, já que os artistas declinaram do pagamento.
“A Vereadora Brisa Bracchi se
valeu da divulgação oficial do seu mandato para promover um evento cultural
financiado sob a rubrica orçamentária de ‘Apoio às Festas Tradicionais e
Festejos Populares’ da política pública cultural do Município de Natal, dando-lhe
uma publicidade que desvirtuou a sua natureza e deu a ele a roupagem de um
evento de cunho político-partidário, denominado ‘Rolé Vermelho’ e o sugestivo
subtítulo ‘Bolsonaro na cadeia'”, escreveu o promotor.
Ainda de acordo com a
manifestação do promotor, a instrução processual demonstrou que a vereadora não
apenas destinou emenda para a festa, mas utilizou a estrutura de comunicação do
seu gabinete — a publicidade do evento do Rolé Vermelho é identificada com a
divulgação do mandato e ainda, o timbre do Município de Natal — para
personalizar a publicidade parlamentar do evento, veiculando convite para a
celebração da prisão de adversário político na festividade que seria custeada
pelo poder público.
“É incontroverso que as
publicações ocorreram no perfil oficial do mandato (@brisabracchi13),
tratando-se, desse modo, de ato de divulgação da atividade parlamentar.
Contudo, tal divulgação operou em flagrante desvio de finalidade e em desacordo
com os parâmetros fixados pelo ordenamento jurídico e pela jurisprudência do
STF na ADI 6522”, afirmou o promotor.
Processo na Câmara
Além do processo no MPRN,
Brisa Bracchi passa por um processo de cassação na Câmara Municipal de Natal.
Em sessão extraordinária na última terça feira (27), o plenário da Casa
derrubou o arquivamento do caso, anteriormente decidido pela Comissão Especial
Processante, e deu prosseguimento ao processo.
“O caso não acabou, nem no MP
nem na Câmara Municipal de Natal. Brisa tá vendendo ter sido inocentada pelos
órgãos sem ser. Já falei e repito, vou levar o caso até o final, até às últimas
instâncias e consequências, dentro do que a lei permite”, afirmou o vereador
Matheus Faustino, denunciante do caso.
Tribuna do Norte

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