O Rio Grande do Norte irá
retomar na semana que vem as tratativas para conseguir a liberação para
exportar o camarão potiguar para a China. A informação foi confirmada à TRIBUNA
DO NORTE pelo secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca do RN, Guilherme Saldanha.
A autorização para as vendas do crustáceo ao mercado chinês era aguardada para
julho do ano passado, mas um erro técnico no processo de cadastramento do
camarão, que deveria incluí-lo na pauta de exportações, acabou impedindo essa
inclusão e postergando a liberação do produto para ser vendido ao país
asiático.
A perspectiva era de que a questão fosse resolvida até o final de 2025, o que não ocorreu. Guilherme Saldanha confirmou que na próxima semana irá a Brasília retomar as tratativas. “Continuamos na expectativa, mas é uma pauta que depende do Ministério da Pesca e do Ministério da Agricultura”, disse o secretário.
A reportagem procurou os dois
ministérios para saber quais medidas estão sendo adotadas para inserir o
camarão nas exportações à China, mas não houve retorno até o fechamento desta
edição.
Em outubro do ano passado,
Saldanha explicou à TN como se deu o erro de cadastramento. “O Rio Grande do
Norte, já há bastante tempo, vem buscando que o Ministério da Agricultura da
China liberasse a importação de camarão do Brasil. Infelizmente, houve uma
falha no cadastramento. Apesar de terem caracterizado a espécie correta, que é
o camarão vannamei, na complementação do cadastro eles erraram. Colocaram o
camarão vannamei de captura. Só que não existe no mundo camarão Vannamei de
captura. Ele é explorado através de cultivo”, explicou o secretário à época.
O RN perdeu para o Ceará, há
alguns anos, a liderança da produção do crustáceo no Brasil, mas segue como um
dos produtores mais importantes do País no setor. Segundo projeção da
Associação Norte-Rio-Grandense de Criadores de Camarão (ANCC), em 2025 a produção
potiguar deve ficar em torno de 45 mil toneladas. Os dados ainda não estão
consolidados.
O setor emprega atualmente
cerca de 35 mil pessoas, direta e indiretamente. Orígenes Monte, presidente da
ANCC, frisa que a abertura do mercado chinês ao camarão brasileiro é
fundamental para o crescimento da carcinicultura do Rio Grande do Norte. “A China
é o maior importador de camarão do mundo, então não tem como estar no mercado
internacional sem ter acesso ao mercado chinês”, afirmou Orígenes Monte.
Falta de interesse
Itamar Rocha, presidente da
Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC), avalia que há pouca
vontade em se resolver a situação para que o RN consiga exportar o crustáceo
para o país asiático, o que ele considera crucial para a carcinicultura potiguar,
sobretudo diante do tarifaço americano imposto a produtos brasileiros no ano
passado.
“Em 2025 a China importou mais
camarão do que os Estados Unidos e do que toda Europa. Além do que, estes dois
são mercados para onde nossas exportações estão comprometidas – os EUA por
conta do tarifaço e a Europa, por causa de questões sanitárias, também não
recebe nossos produtos. O Brasil está praticamente sem exportar camarão, mas
isso está ligado a uma falta de interesse total em rever essa situação”,
apontou Itamar Rocha.
Para o presidente da ABCC,
superada a barreira atual, o RN tem condições de fornecer camarão de qualidade
ao mercado chinês. “Nós estamos muito mais próximos da China do que o Equador,
que exporta 700 mil toneladas por ano para aquele país. Então, é possível
exportar em tempo hábil, com qualidade, porque o camarão é processado e
refrigerado”, diz Itamar.
Orígenes Monte, da ANCC,
aponta, contudo, que há falhas na estrutura do RN para escoamento da produção.
“Toda a nossa exportação se dá por Suape (PE) e Pecém (CE). Não é pelo Rio
Grande do Norte”, destaca. Ele avalia que a abertura do mercado chinês irá trazer
impactos positivos para a produção potiguar, com reflexos no aumento da
produção e na geração de novos empregos, mas é algo que deve acontecer no médio
e longo prazos. “Não é algo imediato, porque exige adaptação por parte da nossa
indústria”, disse.

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