O índice de vendas no RN teve alta de 1,5% em novembro, na comparação com outubro de 2025| Foto: Alex Régis
O volume de vendas do comércio varejista no Rio Grande do Norte cresceu 8,2% em novembro de 2025 na comparação com o mesmo mês de 2024. O índice é o maior da região Nordeste e o segundo melhor desempenho do país, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) divulgada nesta quinta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com o mês anterior (outubro de 2025), o índice de vendas no RN também registrou alta de 1,5%, superando a média nacional (1%). O resultado de novembro no RN se dá após um cenário de estabilidade nos últimos dois meses – outubro (0,4%) e setembro (0,1%).
Para William Figueiredo, economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços
e Turismo do Estado do RN (Fecomércio-RN), os resultados positivos do varejo
potiguar refletem fatores como menor taxa de desemprego no estado, queda da
inadimplência, crescimento econômico e pagamento de parte do 13º salário.
“O número surpreende positivamente. Apesar de o estado já ter, pelo menos há
três meses, um crescimento em torno de 8%, comparado ao mesmo mês do ano
passado. Foi um terceiro trimestre bastante robusto em termos de comércio”,
avalia. “Em mais um ano, o comércio sustentou o crescimento do Estado, apesar
de todas as adversidades”, diz Figueiredo, citando desafios macroeconômicos
como a alta taxa de juros.
Marcelo Queiroz, presidente da Fecomércio-RN, afirma que os resultados de
novembro “confirmam que o comércio potiguar está em movimento — com empregos
sendo mantidos e consumo real se recuperando. São oito meses de alta
consecutiva, o que reforça a resiliência do nosso setor frente a um ambiente
econômico ainda exigente”.
William Figueiredo destacou ainda a importância da Black Friday, realizada em
novembro, mês do levantamento do IBGE. “O principal evento de compras do Brasil
ainda é o Natal. A Black Friday vem se consolidando ao longo dos últimos anos
como uma data também importante para compras, rivalizando, no segundo lugar,
com o Dia das Mães”, diz.
O comércio varejista inclui a venda de bens não duráveis ou semiduráveis, como
hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo. No comércio
varejista ampliado, que inclui também veículos, motos, partes e peças, material
de construção e atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, as vendas
tiveram variação de 0,7% em novembro de 2025. Frente a novembro de 2024, houve
crescimento de 2,9% nas vendas.
Comerciantes sentem alta em
novembro
Isamara dos Santos,
supervisora na loja Redenção Sport Surf, percebeu um novembro melhor ante
outubro e setembro. “Tendo em vista que o mês seguinte [dezembro] é um mês
muito aguardado pelo comércio, novembro teve um aumento, mas não foi tão
significativo aqui no Centro”, avalia.
A loja, especializada em equipamentos para esportes, teve um bom retorno da
Black Friday. “O comércio sente bem os bons reflexos da Black, que é uma mídia
boa, o pessoal fomenta muito com relação aos descontos e isso atrai pessoas,
principalmente para o Alecrim”, diz Isamara.
Gilvana Santos, gerente: novembro
foi um mês movimentado| Foto: Alex Régis
Já Gilvana Santos, gerente da loja Lourdes Bijoux, no Alecrim, conta que novembro foi um mês mais movimentado no estabelecimento, após dois meses mais tímidos. No geral, segundo ela, 2025 foi um ano fraco nas vendas. O Carnaval é o evento que mais atrai clientes à loja, que vende artigos para artesanato. “[Novembro] não foi o esperado, mas deu uma movimentada. Mas esse ano foi bem sofrido a questão de vendas”, diz.
Ela acredita que o comércio online dificultou as vendas na loja física. Na
Black Friday, a empresa colocou muitas promoções e viu o número de clientes
aumentar. “Acaba chamando um pouquinho, é um atrativo para a gente poder
vender, buscar cliente”, afirma.
Indicadores
Em relação a novembro de 2024, o crescimento das vendas do varejo em novembro
de 2025 foi percebido em 21 das 27 unidades da federação, segundo o IBGE, com
uma variação de 1,3%. Os destaques foram Rondônia (13,4%), Rio Grande do Norte
(8,2%) e Amapá (8,2%). Cinco das 27 UFs tiveram queda, com destaque para
Tocantins (-3,0%), Piauí (-2,1%) e Roraima (1,8%). Goiás registrou (0,0%).
No acumulado do ano até novembro, o varejo do RN avançou 4,5% em relação ao
mesmo período de 2024. Segundo análise do Instituto Fecomércio RN, o resultado
representa o triplo da média nacional (1,5%) e coloca o estado entre os
destaques regionais e nacionais: segundo maior crescimento do Nordeste (atrás
apenas da Paraíba) e quarto no ranking nacional.
A variação acumulada em 12 meses no RN foi de 4,1% para vendas. O comércio
varejista ampliado também registrou altas no estado. A variação acumulada no
ano manteve-se em 2,4% para volume de vendas e 8,0% para receita nominal em
novembro de 2025, em relação ao mesmo período de 2024. Em 12 meses, o volume de
vendas do segmento cresceu 2,3%, acompanhado por um crescimento de 7,9% em
receita nominal.
Tribuna do Norte

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