Em relação ao segundo
trimestre de 2024, a atividade econômica brasileira teve alta de 2,2%. No
semestre e no acumulado em quatro trimestres, o PIB cresceu 2,5% e 3,2%,
respectivamente.
O resultado do Produto Interno
Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) foi divulgado na
manhã desta terça-feira (2) pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com o instituto, o
PIB brasileiro chega a R$ R$ 3,2 trilhões.
A variação positiva no
trimestre ante trimestre é a 16ª seguida, ou seja, desde o segundo trimestre de
2021 (-0,6%).
Setores
O PIB pode ser calculado pela
ótica da produção (análise do desempenho das atividades econômicas) ou do
consumo (gastos e investimentos).
Pela ótica da oferta, as
expansões dos serviços (0,6%) e da indústria (0,5%) compensaram o recuo da
agropecuária (-0,1%). Pelo lado da oferta, o consumo das famílias cresceu 0,5%,
enquanto o consumo do governo caiu 0,6%, e investimentos tiveram perda de 2,2%.
Os serviços e consumo das
famílias atingiram patamares recordes.
Em relação ao segundo semestre
de 2024, a alta de 2,2% foi puxada pela agropecuária, que deu um salto de
10,1%, impulsionado pelo ganho de produtividade de alguns produtos da lavoura.
Freio dos juros
O resultado de 0,4% no
trimestre é uma desaceleração, uma vez que no primeiro trimestre, houve alta de
1,3%.
A coordenadora da Contas
Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, a perda de ritmo de crescimento era esperada
por causa da política monetária restritiva, ou seja, juros altos.
“As atividades indústrias de
transformação e construção, que dependem de crédito, são mais afetadas nesse
cenário”, avalia ela, acrescentando que os efeitos negativos na construção e na
produção de bens de capital [máquinas e equipamentos] ajudam a explicar a queda
nos investimentos."
A pesquisadora explica que o
setor de serviços é menos impactado por essa política restritiva.
“Foi uma alta disseminada pelo
setor e puxada pelas atividades financeiras, de seguros e serviços
relacionados; informação e comunicação, impulsionado pelo desenvolvimento de
software, e transporte, armazenagem e correio, puxado por transporte de passageiros”,
descreve.
A escalada dos juros começou
em setembro do ano passado, quando a taxa básica (Selic) saiu de 10,5% ao ano e,
gradativamente, chegou aos atuais 15%, maior nível desde julho de 2006
(15,25%).
A taxa Selic é decidida a cada
45 dias pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e consiste
na principal forma de a instituição fazer a inflação convergir para a meta estipulada pelo governo
─ de 3% ao ano com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Desde setembro de 2024, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)
está acima do teto da meta (4,5%).
Uma face do juro alto é o
efeito contracionista, que combate a inflação. A elevação da taxa faz com que
empréstimos fiquem mais caros – seja para pessoa física ou empresas ─ e
desestimula investimentos, uma vez que pode valer mais a pena manter o dinheiro
investido, rendendo juros altos, do que arriscar em atividades produtivas.
Esse conjunto de efeitos freia
a economia. Daí vem o reflexo negativo: menos atividade tende a ser sinônimo de
menos emprego e renda. De acordo com o Banco Central, o efeito da Selic na
inflação leva de seis a nove meses para se tornar significativo.
Expectativa para 2025
Na segunda-feira (1º) o Banco
Central divulgou o Boletim Focus, que traz expectativa de instituições
financeiras para os principais indicadores econômicos. Em relação ao PIB fechado de 2025, o mercado estima crescimento de
2,19%.
A Secretaria de Política
Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda calcula expansão de 2,5% em 2025, de acordo com a edição de
julho do bimestral Boletim Macrofiscal.
Em 2024, o PIB fechou com alta
de 3,4%, quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021,
quando a economia cresceu 4,8%.
O que é o PIB
O Produto Interno Bruto (PIB)
é o conjunto de todos os bens e serviços produzidos em uma localidade em
determinado período. Com o dado, é possível traçar o comportamento da economia
do país, estado ou cidade, assim como fazer comparações internacionais.
O PIB é calculado com o
auxílio de diversas pesquisas setoriais, como comércio, serviços e indústria.
Durante o cálculo, há cuidados
para não haver dupla contagem. Um exemplo: se um país produz R$ 100 de trigo,
R$ 200 de farinha de trigo e R$ 300 de pão, seu PIB será de R$ 300, pois os
valores da farinha e do trigo já estão embutidos no valor do pão.
Os bens e serviços finais que
compõem o PIB são medidos no preço em que chegam ao consumidor. Dessa forma,
levam em consideração também os impostos cobrados.
O PIB ajuda a compreender a
realidade de um país, mas não expressa fatores como distribuição de renda e
condição de vida. É possível, por exemplo, um país ter PIB alto e padrão de
vida relativamente baixo, assim como pode haver nação com PIB baixo e altíssima
qualidade de vida.

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