“Está claro que o problema é essencialmente político — ouvimos isso em todas as reuniões que participamos. Diante da falta de avanços por parte do governo federal, o empresariado decidiu agir por conta própria, pois nós temos pressa”, afirmou Serquiz, que integrou a comitiva ao lado do presidente do Sindipesca/RN, Arimar França.
O dirigente destacou que,
embora as restrições impostas pela motivação política do tarifaço sejam
evidentes, a missão abriu espaço para negociações técnicas e para a aproximação
com o mercado norte-americano, com o objetivo de mostrar os impactos ao consumidor
e ao empresário local. “Na ausência de avanços imediatos no campo político, a
indústria se apresentou e conseguiu abrir canais relevantes de interlocução”,
disse.
Ainda de acordo com Serquiz, a
meta central foi “construir pontes”. “Com foco no RN, apresentamos nossos
argumentos sobre os impactos que os setores mais atingidos — sal e pesca —
geram para o mercado americano. Esse é um processo contínuo, fruto da arte do
diálogo, sem soluções prontas. Seguimos confiantes nas pontes que estamos
construindo”, pontuou.
Ele ainda ressaltou a
importância dos escritórios de lobby nos Estados Unidos, contratados por
empresários brasileiros para dar continuidade às articulações. “Eles têm agora
a informação e o canal conosco de alimentação permanente, que pode ajudar na
busca de entendimentos comerciais”, afirmou.
Durante os três dias da
missão, os empresários tiveram encontros com a Embaixada brasileira, com a US
Chamber – maior federação empresarial do país; com o Parlamento, no Capitólio,
e participaram de audiência sobre a Seção 301, no Escritório do Representante
Comercial dos EUA.
Consequências
Um mês após o tarifaço que
passou a vigorar sobre as exportações brasileiras aos EUA, no último dia 6 de
agosto, os impactos já foram sentidos de forma significativa na economia do RN.
As exportações potiguares para o país norte-americano caíram 74% entre julho e
agosto. Em números absolutos, as vendas saíram de US$ 6,25 milhões para US$
1,62 milhão, com impactos em diversos setores como pescado e sal. De acordo com
um relatório do Observatório da Indústria Mais RN, a queda de US$ 4,6 milhões é
justificada pela diminuição nos produtos: açúcar e produtos de confeitaria (-
US$ 2,5 mi); peixes (- US$ 850 mil); pedras-gesso-cimento-mica (- US$ 671 mil);
frutas (- US$ 143 mil) e óleos combustíveis (- US$ 12 mil).
Apesar disso, quando
observadas especificamente as exportações para os EUA, de janeiro a agosto de
2025 verifica-se crescimento de US$ 40 milhões nas exportações, atingindo o
total, neste ano, de US$ 75 milhões (crescimento de 100,5% quando comparado ao mesmo
período do ano passado).
Já no que se refere às
exportações gerais do Estado, de acordo com o relatório, de janeiro a agosto de
2025 verificou-se queda de 15,8%, equivalente a menos US$ 108,7 milhões no
mesmo período de 2024. Entre julho e agosto, as exportações totais do Estado
passaram de US$ 62,25 milhões para US$ 23,32 milhões, uma retração de 62,5%. Já
na comparação anual, o mês de agosto de 2025 registrou queda de 79,9% frente a
agosto de 2024. A importação geral também recuou, de US$ 37,36 milhões para US$
29,90 mi, indicando retração de 20% de um mês para o outro.
Com isso, o déficit comercial
do RN alcançou US$ 6,6 milhões em agosto, com corrente de comércio de US$ 53,2
milhões, queda de 70,2% em relação ao mesmo mês do ano passado. “Conclui-se
que, o Rio Grande do Norte, apesar da melhora entre janeiro e agosto especificamente
registrada com os EUA, observa, em termos gerais, uma piora no cenário das
exportações, registrando uma queda geral de 15,8% quando comparado ao mesmo
período de 2024”, aponta o relatório do Mais RN.
Tribuna do Norte

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