Para o ex-ministro, a postura
foi “extravagante” e fora do decoro. Marco Aurélio afirmou que a presença de
Barroso só faria sentido se o julgamento estivesse ocorrendo no Plenário, o que
não foi o caso. Com a inexistência dessa alternativa, é um passo “demasiadamente
largo”.
“Para mim, é algo
extravagante. Ele ter afastado o secretário ou a secretária da turma e sentado
ao lado do presidente da sessão na cadeira respectiva. Para mim é algo
extravagante. Ainda bem que nós não tivemos palmas ao final do julgamento, mas
ficará também na história do tribunal”, afirmou o ex-STF durante entrevista
ao Uol.
“Evidentemente, se o processo
estivesse no plenário, ele teria presidido a sessão. Agora, ele comparecer à
sessão e tomar o assento, que é o assento destinado ao secretário da turma, é
um passo demasiadamente largo e que eu não daria jamais”, adicionou o Marco
Aurélio.
Em consonância com o voto do
ministro Luiz Fux, que defendeu a absolvição dos envolvidos na Ação Penal 2668,
o ex-ministro do STF declarou compartilhar do mesmo posicionamento. “A
competência do Supremo é o que está na Constituição Federal de forma exaustiva
e não exemplificativa e mais nada. Supremo não é competente, como eu venho
batendo nessa tecla, para julgar processo-crime que envolva cidadãos comuns ou
ex-presidente da República’, concluiu.
Anteriormente, em entrevista
ao portal Terra, Marco Aurélio Mello defendeu a concessão de anistia aos presos
pelos atos de 8 de janeiro. “Anistia é ato soberano do Congresso Nacional. É
virada de página. Implica pacificação”, afirmou o magistrado nesta quarta-feira,
10.
O posicionamento do ex-STF
contrasta com a maioria dos ministros da Primeira Turma do STF, principalmente
com o do relator, Alexandre de Moraes, que em seu voto defendeu a soberania
brasileira e rejeitou qualquer possibilidade de anistia. Moraes foi enfático.
“Impunidade, omissão e covardia não são opções para a pacificação. O caminho
aparentemente mais fácil e só aparentemente, que é o da impunidade, deixa
cicatrizes traumáticas na sociedade”.
Dentre as acusações contra
Jair Bolsonaro, destacou-se a de liderar uma organização criminosa e a de
atentar contra o Estado Democrático de Direito, crimes pelos quais foi
condenado a 27 anos e 3 meses de prisão. Os demais militares envolvidos na
trama golpista também foram condenados. O julgamento foi encerrado nesta
quinta-feira, 11.
Estadão Conteudo

Nenhum comentário:
Postar um comentário