No comunicado oficial, o
Copom justifica a manutenção da Selic pela incerteza do ambiente externo, "em
função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos".
O que, segundo o comitê, exige
cautela "por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão
geopolítica".
Também é citado o cenário
doméstico. Para o Copom, os indicadores de atividade econômica apresentam
"moderação no crescimento", apesar do "dinamismo" do
mercado de trabalho, e a inflação permanece acima da meta.
"As expectativas de
inflação para 2025 e 2026 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores
acima da meta, situando-se em 4,8% e 4,3%, respectivamente. A projeção de
inflação do Copom para o primeiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante
de política monetária, situa-se em 3,4% no cenário de referência", diz a
nota do Copom.
Cenário inalterado
Na reunião anterior, nos dias
29 e 30 de julho, o Copom decidiu interromper o ciclo de alta da taxa de juros, mantendo
a Selic em 15% ao ano, sob a justificativa de que o ambiente externo está
mais adverso, por conta das políticas comerciais e fiscais adotadas pelos
Estados Unidos (EUA).
As decisões são tomadas
levando em conta a situação inflacionária, as contas públicas, a atividade
econômica e o cenário externo – tudo tendo como base a avaliação do cenário
macroeconômico e os principais riscos a ele associados.
As atas do Copom são
publicadas no prazo de até quatro dias úteis. Esta foi a sexta reunião do ano
do comitê. A taxa básica de juros da economia (Selic) vale para os próximos 45
dias, quando o Copom volta a se reunir.
Selic
Para alcançar a meta de
inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a Selic. Quando o
Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida,
e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito
e estimulam a poupança.
Os bancos consideram outros
fatores além da Selic na hora de definir os juros a serem cobrados dos
consumidores, entre eles risco de inadimplência, lucro e despesas
administrativas.
Assim, taxas mais altas também
podem dificultar a expansão da economia. Quando a taxa Selic é reduzida, a
tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao
consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

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