Os mandados foram executados
no âmbito da Operação Cambota, que a Polícia Federal (PF) deflagrou para aprofundar as
investigações acerca da cobrança ilegal de mensalidades associativas
descontadas sem autorização dos benefícios previdenciários pagos a milhões de
aposentados e pensionistas.
Também estão sendo cumpridos
13 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a suspeitos de
envolvimento no esquema, todos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal
(STF). Entre os alvos da ação está o advogado Nelson Wilians, dono de um
dos mais caros escritórios de advocacia do país e que se tornou conhecido por
ostentar, em suas redes sociais, uma vida de luxo.
Suspeito de liderar o esquema
bilionário de fraudes, o “Careca do INSS”, foi detido em sua residência, em
Brasília (DF). Um novo mandado de busca e apreensão foi executado na casa
de um dos filhos de Antunes, Romeu Carvalho Antunes – em cuja residência, a PF
apreendeu, em maio, uma BMW e documentos.
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Seu advogado, Cleber Lopes,
disse a jornalistas que, além de deter Antunes, que passará por uma audiência
de custódia, os agentes federais também voltaram a apreender documentos e
veículos do empresário - que já tinha sido alvo de mandados de busca e apreensão
em outras ocasiões.
“Estamos com toda a
documentação separada, catalogada, e vamos apresentá-la à autoridade policial
na perspectiva exatamente de desfazer esta equivocada compreensão que foi,
talvez convenientemente construída contra o senhor Antunes, para,
eventualmente, distensionar outros interesses”, comentou o advogado, defendendo
a atuação profissional de seu cliente e alegando surpresa com a prisão de
Antunes.
“Todos ficamos surpresos porque, desde que assumimos a defesa, em março, temos feito tudo de maneira republicana. Todas as vezes em que ele precisou viajar, pedimos autorização judicial, ele viajou, voltou e nós comprovamos tudo. Ele não tem tido contato com ninguém, mantendo o foco em sua defesa, já que estamos mantendo o foco na organização e ordenação dos documentos que usaremos na defesa”, acrescentou o advogado, argumentando que o STF autorizou a prisão preventiva “a partir de uma compreensão equivocada dos fatos”.
A reportagem da Agência
Brasil ainda tenta contato com a defesa do empresário Maurício Camisotti.
Em nota, o advogado Nelson Wilians informou que tem colaborado integralmente
com as autoridades responsáveis pela investigação e que confia que a apuração
demonstrará sua total inocência.
De acordo com a PF, relatórios
de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf)
revelam que o escritório de Wilians repassou R$ 15,5 milhões a Camisotti, por
meio de transações consideradas “atípicas”. Segundo o advogado, sua
relação com o empresário é “estritamente profissional e legal”.
“Os valores transferidos
referem-se à aquisição de um terreno vizinho à sua residência, transação lícita
e de fácil comprovação”, reiterou Wilians, sustentado a explicação apresentada
anteriormente, quando a transação veio a público. “Ressaltamos que a medida
cumprida [o mandado de busca e apreensão] é de natureza exclusivamente
investigativa, não implicando qualquer juízo de culpa ou responsabilidade.”
Após o início da Operação
Cambota, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da Comissão
Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que o Congresso Nacional instaurou para
apurar as cobranças ilegais de mensalidades associativas, disse que a prisão
“dos dois principais envolvidos no esquema de fraudes no INSS” é apenas um
“primeiro passo” para esclarecer os fatos e identificar e punir os envolvidos.
“Temos muitas outras pessoas
que também têm que ser presas, têm que dar declarações na cadeia. Para que não
possam fugir e, principalmente, para que não possam esconder o patrimônio
roubado dos aposentados”, comentou Viana, lembrando que, na semana passada, o
colegiado enviou ao relator do caso no Supremo Tribunal Federal, o ministro
André Mendonça, um pedido para que a Corte autorizasse a prisão de 21 pessoas
investigadas.
“Temos outras 19 pessoas [em
relação às quais] pedimos a prisão. Esperamos que, muito em breve, elas também
sejam alvos de operações da PF. Porque estas prisões já chegam com atraso, pois
a PF já sabe todo o envolvimento da quadrilha, as associações, as empresas de
fachada, e ninguém tinha sido preso”, completou Viana.
Além do pedido de prisão
encaminhado ao STF na semana passada, o colegiado aprovou, ontem (11),
cerca de 400 pedidos de informação e de quebra de sigilos bancário, fiscal e
telemático de suspeitos de participação no esquema, incluindo os de Antunes e
de Camisotti.
“Agora, o próximo passo é
pedirmos ao ministro André Mendonça que o STF libere [para depor à CPMI] o
senhor Antunes, o Careca [do INSS] na próxima segunda-feira [15], e o senhor
Camisotti na próxima quinta-feira [18], que já tinham sido intimados pela Polícia
Legislativa. Espero que o ministro mantenha a ida deles [ao Congresso
Nacional], desta vez, como conduzidos.”
Agência Brail

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