A pergunta feita foi direta: “Você sabe o que significa este sinal de ajuda?”
Entre as 12 pessoas abordadas, apenas 5 responderam que sim, enquanto 7
afirmaram nunca ter ouvido falar do gesto. O dado mais preocupante, no entanto,
é que nenhuma das 12 pessoas sabia para onde ligar caso presenciasse uma mulher
pedindo socorro.
O Signal for Help, ou “Sinal
de Ajuda”, foi criado durante a pandemia pela Canadian Women’s Foundation, no
Canadá. A mensagem por trás do gesto é clara: “Estou em risco. Não posso falar.
Preciso de ajuda.”
No Brasil, ainda é pouco
conhecido. A promotora de Justiça de Defesa da Mulher, Érica Canuto, destaca na
reportagem que a divulgação é fundamental para que o sinal funcione de fato: “É
preciso que se espalhe em grupos de empresas, em escolas públicas, na imprensa,
de modo que esse sinal seja amplamente divulgado.”
O gesto é simples: palma
aberta, polegar dobrado e dedos fechando sobre ele. Pode ser feito em qualquer
ambiente — na rua, no trabalho ou em um encontro social — sempre que houver uma
chance de alguém perceber.
Passo 1: mão aberta
Passo 2: polegar para dentro
Passo 3: dedos fechados sob o
polegar
Um exemplo recente de como o
recurso pode ser usado na prática apareceu na televisão. Em 18 de abril, a
novela Volta Por Cima, da TV Globo, exibiu uma cena em que a personagem Roxelle
(Isadora Cruz) utilizou o sinal para escapar do companheiro agressor, Gerson
(Enrique Diaz).
Na cena, durante um jantar, a
personagem pede licença para ir ao banheiro. No caminho, finge esbarrar em uma
mulher em outra mesa e, de forma discreta, posiciona a mão atrás do corpo para
executar o gesto. O pedido de ajuda poderia ter passado despercebido, mas a
mulher à mesa reconheceu o sinal, acionando o gerente do restaurante e a
polícia.

Érica Canuto explica que ao presenciar uma situação como essa, é necessário ter todos os cuidados e não abordar o casal de forma direta. “O ideal é procurar a Assistência de Segurança Pública. Não é seguro chegar próximo, a não ser que esse casal esteja rodeado de pessoas. Muitas vezes o agressor pode estar armado, então é necessário que, para oferecer ajuda a essa mulher, você procure a segurança pública, mas sem tirar essa mulher do seu campo de visão.”, explica a promotora.
Escrever a letra “X” na palma
da mão com a cor vermelha, geralmente feita com batom, também pode ser uma
forma de pedir ajuda. Esse é mais um método utilizado por mulheres em situação
de risco.
Foto: David Emanuel
Casos de violência contra a
mulher devem ser denunciados de forma anônima pelo telefone 180 (Central de
Atendimento à Mulher), além dos canais da Polícia Civil e Militar.
Se você for vítima ou
presenciar qualquer tipo de violência contra a mulher, denuncie:
Ligue 180 (Central de
Atendimento à Mulher)
(84) 98135-4487 (WhatsApp da
Patrulha Maria da Penha RN)
Ligue 190 (Em caso de
emergência)
0800 281 2336 – Codim/Sesed
(Denúncia anônima, sigilosa e segura)
(84) 98896-0402 (ProMulher)
Tribuna do Norte

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