De acordo com Caio Rocha,
diretor de Autenticação e Prevenção a Fraude da Serasa Experian, os criminosos
têm utilizado a inteligência artificial de forma cada vez mais sofisticada.
“Com ela, conseguem criar perfis sintéticos que imitam pessoas reais, gerar
conteúdos de phishing altamente personalizados e até produzir deepfakes, que
são vídeos ou áudios manipulados para simular a imagem e a voz de alguém”,
explica.
O phishing é uma técnica em que o golpista envia mensagens falsas por e-mail,
SMS ou redes sociais, imitando comunicações legítimas de empresas conhecidas,
com o objetivo de enganar a vítima e obter informações confidenciais, como
senhas ou dados bancários. “Esses golpes vêm sendo combinados com táticas de
engenharia social, como se passar por funcionários de empresas para conquistar
a confiança da vítima. Esse uso conjunto de tecnologia e manipulação torna os
ataques mais difíceis de identificar e reforça a importância de mecanismos de
segurança mais robustos”, destacou Rocha.
A nível nacional, os adultos economicamente ativos continuam sendo o principal
foco dos golpistas. A faixa etária de 36 a 50 anos foi a mais atingida pelas
tentativas de fraude, respondendo por um terço (33%) das ocorrências
detectadas. Em seguida, aparecem os grupos de 26 a 35 anos (26,3%) e aqueles
com até 25 anos (15%).
O levantamento ainda aponta que o país registrou 1.101.410 tentativas de fraude
em abril, o equivalente a uma a cada 2,4 segundos — volume que mantém o patamar
acima de 1 milhão desde janeiro.
Para a advogada Janine Praxedes, especialista em proteção de dados, a falta de
informação legal sobre essa prática impede as vítimas de procurarem seus
direitos: “Ainda existe certa falta de conhecimentos sobre os direitos ou
existência desses crimes por parte das vítimas. No fim, a vulnerabilidade e a
falta de informações sobre essas situações dificultam o acesso aos direitos das
vítimas e a punição dos infratores”, explica Praxedes.
O cenário evidencia ainda um problema estrutural: “Não temos uma cultura de
proteção de dados pessoais no país. O tema só começou a ser tratado em 2018 e o
direito à proteção de dados pessoais só foi inserido na Constituição pela
Emenda 115/2022. Tudo isso é muito recente e faz com que ainda seja uma matéria
difícil de ser tratada, já que é pouco conhecida e discutida”, acrescenta a
advogada.
Conforme o Serasa, o setor de bancos e cartões lidera o ranking de tentativas
de fraude no Brasil, concentrando 54,2% dos registros em abril de 2025. “Nos
casos de crimes relacionados a dados bancários, é importante verificar e
monitorar as contas e cartões para verificação de extratos e faturas, visando
identificar movimentações suspeitas. Em todo caso, a Lei Geral de Proteção de
Dados Pessoais (LGPD) garante o direito à informação sobre as atividades de
tratamento de seus dados pessoais”, afirma Janine Praxedes.
Em segundo lugar nas tentativas de fraude no Brasil aparecem os setores de
serviços (30,9%), financeiras (7,2%), telefonia (5,8%) e varejo (1,9%).
Jovens são novos alvos dos
golpistas
As fraudes pela internet, que
antes tinham pessoas idosas como principais alvos, agora atingem cada vez mais
pessoas jovens. É o que indica a pesquisa da Serasa Experian, que revela que
tentativas de golpe crescem entre pessoas de até 25 anos no Brasil. O indicador
aponta uma mudança no foco dos criminosos e nas estratégias de ataque, que
agora se voltam a perfis altamente conectados e com menor histórico de crédito.
“Eu entrei em um link que dizia que se eu respondesse a uma pesquisa de
satisfação receberia um kit completo de produtos de cabelo. Respondi a
pesquisa, o site falava que cobrariam apenas o frete e eu coloquei meu endereço
e o número do meu cartão. O frete deu R$ 30,00; pelo valor do kit valeria a
pena. Nunca recebi esse kit. Entrei em contato com a loja oficial e eles
disseram que era golpe”, disse a vítima Alice Santiago, de 18 anos.
De acordo com o especialista em segurança digital, Rodrigo Jorge, o aumento de
golpes entre o público mais jovem guarda relação com o tempo online e o
engajamento em redes sociais, aplicativos e jogos, o que gera uma forma mais
espontânea de ataque para os golpistas. “Esse aumento entre jovens até 25 anos
não está necessariamente ligado ao poder aquisitivo ou histórico de crédito,
mas sim ao comportamento e à forma como essa faixa etária se conecta e interage
no mundo digital”, comenta Rodrigo.
O especialista acrescenta que o fato de muitos jovens não terem histórico de
fraudes anteriores “reduz a percepção de risco e aumenta a chance de confiar em
abordagens aparentemente legítimas”.
O cenário pede prevenção. “Não basta proteger apenas quem movimenta mais
dinheiro ou tem crédito estabelecido. O foco precisa estar em construir cultura
de segurança para todos, com linguagem e formatos que façam sentido para cada
perfil de público, incluindo os mais jovens”, disse Rodrigo Jorge.
Tribuna do Norte

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