Ou seja, o número de
trabalhadores (1,913 milhão) em busca de emprego nos meses de abril, maio
e junho deste ano é o menor desde 2012, quando começou a série
do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O dado representa redução de
21% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando esse
contingente somava 2,4 milhões de pessoas.
A pesquisa do IBGE apura o
comportamento no mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais de idade
e leva em conta todas as formas de ocupação, seja emprego com ou sem carteira
assinada, temporário e por conta própria, por exemplo.
Só é considerada desocupada a
pessoa que efetivamente procura emprego. O IBGE visita 211 mil domicílios
em todos os estados e no Distrito Federal.
Tempos de procura
Os pesquisadores detalham
quatro estratos de tempo em busca de trabalho. Em todas as faixas, houve
redução em relação ao mesmo trimestre de 2024:
menos de um mês: -16,7%;
de um mês a menos de um ano:
-10,7%;
de um a menos de dois anos:
-16,6%;
dois anos ou mais: - 23,6%.
No grupo que está em busca por
uma vaga de um mês a menos de um ano, o contingente de 3,2 milhões também é o
menor já registrado desde 2012 (queda de 18,5% desde então).
No estrato de um ano a menos
de dois, os 659 mil desocupados também são o menor contingente da série (queda
de 34,8% ante 2012).
O analista da pesquisa,
William Kratochwill, aponta que há tendência de queda no percentual de pessoas
que estão em uma longa busca por ocupação.
“O mercado está gerando
oportunidades que estão absorvendo as muitas pessoas, inclusive aquelas que
tinham mais dificuldade de encontrar um posto de trabalho”,
diz.
Mercado aquecido e recordes
No último dia 31, o IBGE tinha
anunciado que a taxa de desemprego no país no segundo trimestre ficou em 5,8%, a
menor da série histórica. A Pnad mensal havia apontado também recordes no
emprego com carteira assinada (39 milhões de pessoas) e rendimento médio mensal
do trabalhador (R$ 3.477).
A Pnad trimestral desta
sexta-feira traz detalhes referentes às unidades de federação e perfil da
população. A pesquisa apontou que, no segundo trimestre, o desemprego caiu em 18 das 27 unidades da federação, ante o
primeiro trimestre. Nos estados, a taxa varia de 2,2% (Santa Catarina) a 10,4%
(Pernambuco).
Outro dado de destaque é que
12 estados atingiram o menor nível de desemprego para um segundo trimestre em
toda a série histórica: Amapá (6,9%), Rio Grande do Norte (7,5%), Paraíba (7%),
Alagoas (7,5%), Sergipe (8,1%), Bahia (9,1%), Minas Gerais (4%), Espírito Santo
(3,1%), São Paulo (5,1%), Santa Catarina (2,2%), Rio Grande do Sul (4,3%) e
Mato Grosso do Sul (2,9%).
Kratochwill avalia que o ano
de 2025 tem se mostrado diferente dos anteriores, quando o desemprego costuma
subir no início do ano, por causa da dispensa dos contratados temporários do
fim do ano anterior.
“Este ano, o primeiro
trimestre mostrou que o mercado estava disposto a absorver grande parte dessa
mão de obra temporária”, afirma.
“O mercado de trabalho está
resistente a pioras, e os dados do segundo trimestre confirmam isso”, completa.
O pesquisador acrescenta que a
dinâmica de emprego fortalecida causa outros efeitos na economia, como redução
de informalidade (proporção de pessoas sem registro e garantias trabalhistas,
37,8% da população ocupada), aumento de postos com carteira assinada e do
salário.
“Isso traz um certo vigor para
o mercado de trabalho, que apresenta melhora de condições dos trabalhadores”.
Ele aponta ainda que os dados
regionais mostram que essa melhora é regionalizada no país. “Muitos estados
apresentaram reações muito positivas, acompanhando os dados do país”.
Perfil do trabalhador
A Pnad revelou que no segundo
trimestre, o desemprego pesava mais para mulheres e pretos e pardos.
A taxa entre mulheres foi de
6,9%, enquanto a dos homens, 4,8%. Entre os brancos, a taxa também foi de 4,8%,
abaixo da de pretos (7%) e pardos (6,4%).
A taxa para as pessoas com
ensino médio incompleto (9,4%) foi maior que as dos demais níveis de instrução
analisados. Entre quem tem nível superior incompleto, foi de 5,9%, quase o
dobro de quem tem nível superior completo (3,2%).
Agência Brasil

Nenhum comentário:
Postar um comentário