O déficit primário de julho é
dividido da seguinte forma:
Governo Central (Tesouro
Nacional, Previdência Social e Banco Central): R$ 56,4 bilhões
Governos Regionais (estados e
municípios): R$ 8,1 bilhões
Empresas Estatais: R$ 2,1
bilhões
Em relação ao mesmo mês de
2024, houve piora significativa. Em julho do ano passado, o déficit primário
havia sido de R$ 21,3 bilhões. Ontem (28), o Tesouro Nacional atribuiu o
resultado à concentração de precatórios (despesas do governo com sentença judicial
definitiva), que somaram R$ 62,78 bilhões no mês. No ano passado, os
precatórios foram quitados em fevereiro.
O déficit primário representa
o resultado negativo nas contas do governo antes do pagamento dos juros da
dívida pública. O resultado do Tesouro Nacional apontou déficit de R$ 59,124
bilhões para o Governo Central. No entanto, as estatísticas do BC
registraram um déficit um pouco mais baixo, R$ 56,4 bilhões, por causa da
diferença de metodologia entre os dois órgãos.
>>Entenda as novas regras para pagamento de
precatórios
Acumulado do ano
Nos sete primeiros meses do
ano, o déficit primário acumulado foi de R$ 44,5 bilhões, equivalente a 0,61%
do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas). Apesar de ainda
negativo, o resultado é melhor que o registrado em 2024, quando o déficit no
mesmo período foi de R$ 64,7 bilhões (0,97% do PIB).
No acumulado em 12 meses,
porém, houve reversão. O déficit chegou a R$ 27,3 bilhões, ou 0,22% do PIB,
contra superávit de R$ 17,9 bilhões em junho. A meta do governo é zerar o
rombo nas contas públicas em 2025, mas o arcabouço fiscal permite déficit de
até 0,25% do PIB.
Resultado nominal e dívida
bruta
Ao incluir os juros da dívida
pública, o déficit nominal de julho atingiu R$ 175,6 bilhões. Em 12 meses, o
valor chegou a R$ 968,5 bilhões, equivalente a 7,86% do PIB. A dívida bruta do
governo geral alcançou 77,6% do PIB, o que representa R$ 9,6 trilhões, contra
76,6% do PIB (R$ 9,4 trilhões) em julho.
A dívida bruta foi
impulsionada principalmente pelo pagamento de juros, emissões líquidas de
títulos e desvalorização cambial. Desde o início do governo atual, a dívida já
subiu 5,9 pontos percentuais. A dívida líquida, que desconta do débito
total o valor que o governo tem a receber, também avançou para 63,7% do PIB em
julho.
>>Entenda quanto é a dívida pública e por que ela existe
Desafios para arcabouço fiscal
Aprovado em 2023, o arcabouço fiscal limita o crescimento das despesas a 70% do aumento da arrecadação, com teto de 2,5% reais ao ano. No entanto, a regra pode perder validade nos próximos anos, caso não haja cortes expressivos de gastos obrigatórios, que necessitam de aprovação de leis e, em alguns casos, reformas na Constituição.
Segundo o projeto da Lei de
Diretrizes Orçamentárias de 2026, em tramitação no Congresso, o próprio governo
prevê que a trajetória da dívida pública passe de 78,5% do PIB em 2025 para
84,2% do PIB em 2028. Só a partir de 2028 é que ela entraria em queda em
relação ao PIB.
As projeções do mercado
financeiro, no entanto, estão mais pessimistas e indicam que a dívida bruta
pode alcançar 93,5% do PIB em 2034. O Fundo Monetário Internacional estima que
o índice supere 100% em 2035.

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