No pedido de liminar
protocolado pela AGU nesta quinta-feira (3), a Receita Federal argumenta que a
decisão do TCU, de agosto de 2024, representa “grave ameaça à ordem
administrativa, econômica e tributária, ao impor a adoção imediata de um
mecanismo operacionalmente inviável, financeiramente insustentável e
juridicamente irregular”.
A AGU sustenta que a retomada
do Sicobe teria custo de R$ 1,8 bilhão ao ano, enquanto o custo total dos
sistemas informatizados da Receita é de R$ 1,7 bilhão ao ano. Segundo a
Advocacia-Geral, no período em que não se utilizou o sistema, desde 2016, a
arrecadação anual do setor de bebidas cresceu de R$ 9,2 bilhões (em 2016) para
R$ 13,4 bilhões (em 2024).
Entenda
Desenvolvido pela Casa da
Moeda, o Sicobe começou a funcionar em 2009, com o objetivo de permitir à
Receita Federal controlar, em tempo real, todo o processo produtivo de bebidas
no país. Equipamentos e aparelhos instalados nos estabelecimentos envasadores
de cervejas, refrigerantes e águas permitem à Receita não só saber a quantidade
exata de produtos fabricados pelos fabricantes, como o tipo de produto,
embalagem e sua respectiva marca comercial.
O Sicobe foi desativado em 2016 pela Receita Federal, com o
argumento de que a Casa da Moeda do Brasil estaria desenvolvendo um projeto
para substituir o sistema por um custo menor.
Segundo o TCU, a Receita não
poderia ter descontinuado o Sicobe por meio de ato administrativo, pois isso
contradiz os princípios da legalidade e da hierarquia das normas.
“A obrigação de instalar e
manter os equipamentos contadores de produção, como estabelecido pela
legislação federal vigente, não poderia ser revogada unilateralmente por ato
infralegal sem violar os mencionados princípios”, diz o tTribunal.
Na petição apresentada, a AGU
reafirma a competência legal da Receita Federal para suspender o uso do Sicobe
e ressalta que o órgão já vinha adotando medidas para instituir um novo
controle de produção de bebidas, inclusive com tratativas com a Casa da Moeda e
outros atores institucionais.
*Colaborou Sabrina Craide
Agência Brasil

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