Em posicionamento conjunto,
sociedades que congregam especialistas de áreas relacionadas aos cuidados com
essas pessoas, admitiram “preocupação com a proibição do bloqueio puberal e da
terapia hormonal em adolescentes com IG (incongruência de gênero)”.
Isso poderia, segundo os
especialistas, ainda levar ao uso de hormônios sem aconselhamento médico, “algo
comum nesta população por uma histórica dificuldade de acesso aos serviços de
saúde”.
Os especialistas argumentam
que a maioria dessas pessoas reconhece a identidade de gênero ainda na infância
ou na adolescência.
Vulnerabilidade
As entidades entendem que
essas medidas definidas pelo CFM “podem acarretar danos significativos à saúde
desta população que já vive em condições de vulnerabilidade”, diz a nota.
O documento é assinado pela
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), pela Associação
Brasileira de Estudos em Medicina e Saúde Sexual (Abemss), pela Sociedade
Brasileira de Urologia (SBU), pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia
e Obstetrícia (Febrasgo) e pela Associação Brasileira de Obstetrícia e
Ginecologia da Infância e Adolescência (Sogia-BR).
A nota cita ainda que a
terapia hormonal é uma etapa importante no processo de afirmação de gênero, e é
realizada após avaliação e acompanhamento com equipe multiprofissional.
Qualidade de vida
As entidades defendem que a
terapia está associada à melhora da qualidade de vida e redução de morbidades
psíquicas como humor deprimido, depressão, ansiedade e isolamento social.
“Proibir este caminho não deve
ser a solução proposta para melhorar o cuidado oferecido às pessoas
transgênero”, rebate a nota. Outra crítica é que a nova resolução justifica que
são necessárias evidências robustas para minimizar danos.
“Neste sentido, é importante
lembrar que já existem diversos estudos mostrando baixas taxas de
arrependimento e melhora da qualidade de vida de pessoas transgênero sob
terapia hormonal ou submetidas a procedimentos cirúrgicos”.
Mais pesquisas
As entidades defenderam que é
imprescindível permitir que novas pesquisas continuem acontecendo.
“As diretrizes internacionais
recomendam que o início da terapia hormonal pode ser considerado a partir dos
16 anos de idade para indivíduos que apresentem capacidade mental suficiente
para compreender e consentir com o tratamento, junto aos pais e/ou responsáveis
legais”.
Outra crítica direta à decisão
é que a nova medida propõe também postergar a intervenção cirúrgica por três
anos em indivíduos que já atingiram a maioridade legal, mas há um argumento na
nota que leva em conta que essas pessoas “estão em acompanhamento multidisciplinar
pelo período mínimo de um ano e apresentam plena capacidade de consentir o
tratamento”.
Ainda no documento, as
entidades observam que, em pessoas transgênero, o bloqueio puberal permite um
tempo maior para consolidação da identidade de gênero, “sendo completamente
reversível, uma vez que sua suspensão leva à retomada do desenvolvimento puberal
conforme o sexo atribuído ao nascimento”.
Agência Brasil

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