De acordo com a Secretaria de
Estado da Educação e da Cultura (SEEC), o número de matrículas em tempo
integral no RN saltou de 10.589 em 2019 para 34.682 em 2025 — um crescimento de
227,5%. “Esse aumento é resultado direto da priorização dessa política educacional
no âmbito estadual e nacional. Atualmente, o Rio Grande do Norte conta com 248
escolas estaduais que adotam o modelo integral, o que representa 36% da rede
estadual”, afirma a pasta.
Ainda conforme a SEEC, está em
desenvolvimento o plano de expansão do ensino integral até 2026. “O ensino em
tempo integral contribui para a melhoria da aprendizagem, redução da evasão
escolar e desenvolvimento integral dos estudantes, oferecendo uma formação mais
completa e preparando-os melhor para os desafios futuros”, afirma a pasta. Os
recursos já aplicados permitiram ampliar a infraestrutura, adquirir
equipamentos e adaptar espaços escolares como refeitórios, banheiros,
bibliotecas e laboratórios.
Em Natal, a Escola Estadual de
Tempo Integral Winston Churchill é uma das referências desse avanço e segue com
matrículas abertas.“O tempo integral é fundamental para oferecer uma educação
mais completa, onde os estudantes têm a chance de interagir mais com os
professores e participar de atividades além do currículo tradicional, como as
áreas de arte, esporte e ciências”, avalia o diretor Fernando Francelino.
O Programa Escola em Tempo
Integral, do Ministério da Educação (MEC), tem sido um dos principais vetores
dessa expansão. Com investimentos de R$ 4,06 bilhões entre 2023 e 2024, o
governo federal vem incentivando a ampliação da modalidade em todos os níveis
da educação básica. No Brasil, as matrículas no ensino fundamental com tempo
integral passaram de 14,4% para 19,1%, e no ensino médio, de 20,4% para 24,2%,
segundo o Censo.
O diretor da Escola Winston
Churchill diz que o modelo no estado é impulsionado por uma política que visa
não apenas ampliar a carga horária, mas também enriquecer a formação dos
estudantes. “Os alunos vão fazer o Enem porque se sentem mais seguros nesse
modelo, e pelo bom desempenho que conquistam. Além disso, também melhora o
trabalho pedagógico, e isso se reflete nos resultados do ensino médio”, avalia.
Em nível municipal, a
Secretaria de Educação de Natal (SME) informou que três escolas operam
integralmente com esse regime, enquanto outras 19 possuem turmas de educação
infantil e ensino médio com jornada ampliada. “A ampliação da jornada escolar
pode contribuir efetivamente para melhoria da qualidade e da eqüidade da
educação. Em 2025, há previsão de ampliação do funcionamento em tempo
integral”, afirma Naire Jane Capistrano, secretária adjunta de Gestão
Pedagógica.
Coordenador Reinan França diz que
ensino integral vem sendo possível graças aos esforços próprios da equipe: “Por
amor” | Foto: Magnus Nascimento
Desafios expõem limites do
ensino
Estudantes que ingressam no
ensino integral comparam com o ensino tradicional e apontam as vantagens do
modelo ampliado, mas ressaltam a necessidade da infraestrutura apropriada nas
escolas. Matheus Ramos, 14, aluno do 9º ano, reconhece os benefícios pedagógicos,
mesmo diante das limitações. “É mais aprendizado para complementar. Acho
benéfico, mas claro que a estrutura faz diferença”, opina.
Ele se refere ao fato de que a
Escola Estadual Alceu Amoroso Lima, na zona Norte de Natal onde estuda,
precisou adotar o ensino integral neste ano, mas até o momento, a prometida
reforma na escola, que começou há um ano, ainda não foi entregue.
Desde então, as aulas
acontecem provisoriamente no prédio de outra escola, com estrutura e limitações
que afetam diretamente a proposta pedagógica integral. Para Ingrid Kiara,
também do 9º ano, a infraestrutura faz falta. “Como não é a nossa escola, a gente
já saiu de lá porque não tinha estrutura e veio para cá, eu acho que é
importante sim ter estrutura”, aponta a aluna.
De acordo com Rosane Silva,
diretora da unidade, a migração para o ensino integral aconteceu somente
mediante aprovação da comunidade escolar e a promessa da execução da reforma.
Com o prazo inicial de entrega em outubro do mesmo ano, a Escola iniciou todo o
planejamento para adesão ao integral, aplicando o cronograma pedagógico, mas
foi surpreendida com a não entrega no prazo prometido. Apesar disso, iniciou o
ano letivo de 2025 com o ensino integral e hoje vive em condições inadequadas à
proposta. “Todos aqueles que visitavam a escola e que conheciam o projeto
pedagógico do Alceu, sabiam que havia uma uma incoerência nisso. Nossa
estrutura não condizia com o que a gente tava trabalhando e a gente precisava
ter um espaço melhor. Imaginávamos que em janeiro estaríamos no prédio
reformado, mas não foi bem isso que aconteceu”, relata.
Dividindo a estrutura com um
prédio que tem turmas somente à noite, a Alceu Amoroso esbarra na limitação de
espaço, falta de climatização nas salas de aula e de espaço adequado para
descanso. Atualmente a unidade envolve do 1º ao 9º do ensino fundamental com o
integral, totalizando 275 vagas e apenas uma turma por série. A grade
curricular também passou a incluir cinco novos ateliês: Assembleia de Classe,
Linguagens Artísticas Integradas, Educação, Saúde e Desporto, Estudo Orientado
e Iniciação Científica.
Reinan Alessandro de França,
coordenador administrativo, diz que o ensino integral só vem sendo possível
graças aos esforços próprios da equipe. “A gente já tinha preparado,
professores se desligaram de outras escolas, então não tínhamos mais como
voltar atrás. Tivemos que iniciar o tempo integral com uma estrutura mínima e
aconteceu realmente por amor de uma equipe que se uniu em torno disso e que tem
convicção do que tá fazendo”, afirma
O segundo prazo até então
repassado pela Secretaria Estadual de Educação seria 30 de março deste ano, mas
não foi cumprido. Há dois meses, no início do ano letivo, a TRIBUNA DO NORTE
visitou a escola e relatou essa realidade. Na ocasião não havia ninguém
trabalhando na obra. Na última quarta-feira (16) a reportagem retornou ao
colégio e presenciou mais uma vez a obra parada. Segundo a direção da escola, a
empresa não tocava os serviços havia duas semanas.
Questionada, a SEEC respondeu
que cobrou o agilidade no cumprimento do cronograma da obra à empresa em
reunião ocorrida na última segunda-feira (14) e, “a partir dessa reunião, a
empresa se comprometeu a finalizar até o final de junho”. A pasta disse ainda
que a escola também será contemplada com uma quadra e que o investimento no
projeto é de cerca de R$ 500 mil. “O Governo está investindo R$ 1.209.465,82,
na primeira grande reforma da escola que tem mais de 40 anos de fundação e
acumulou muitos problemas estruturais que estão sendo resolvidos com essa
obra”, informou.
Entre as ações, estão
contempladas a a reestruturação estrutural, revisão de cobertura, esquadrias e
instalações elétricas. “Como a estrutura da escola é antiga, foi necessário
ajustes nos projetos hidráulico e elétrico, já com a obra em andamento”, informou.
Ainda de acordo com a pasta, está sendo feita uma nova rede elétrica para
permitir a climatização das salas.
Distribuição de matrículas
Além do avanço no ensino
integral, o Rio Grande do Norte também apresentou variações na distribuição de
matrículas entre as redes de ensino de 2022 a 2024. Na educação infantil, a
rede municipal manteve estabilidade, com 76,1% das matrículas, e a rede privada
seguiu com 23,8%.
Nos anos iniciais do ensino
fundamental, a rede municipal registrou 63% das matrículas, um crescimento de
0,3 ponto percentual. A rede estadual caiu de 11,9% para 11,2%, enquanto a rede
privada subiu para 25,4%. Já nos anos finais do ensino fundamental, a rede
municipal registrou queda de 1,1 ponto, passando de 54,8% para 53,7%. A rede
estadual recuou de 26,6% para 25,9%, e a rede privada aumentou para de 18,6%
para 20,8%.
No ensino médio, a rede
estadual se manteve como principal responsável pelas matrículas, com leve queda
de 77,1% para 76,7%. A rede privada cresceu de 18,6% para 20,8%, e a rede
federal para 10,5%, consolidando um dos maiores índices do país.
Tribuna do Norte

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