Laçando na semana passada, o
estudo mostra que, considerando o período de 2000 a 2022, o Brasil ocupa a 15ª
posição no ranking global de publicações sobre IA e mantém a
liderança na América Latina. O México aparece como segundo país
latino-americano (25º lugar mundial), seguido pela Colômbia (50º lugar
mundial). China (1º), Estados Unidos (2º) e Japão (3º) lideraram o ranking
global nesse período.
A análise mostra, entretanto,
que a pandemia de covid-19 afetou a produção nacional, com consequente redução
no número de publicações. Isso ocorreu em um momento particularmente relevante
nesse campo de estudos, quando houve os desenvolvimentos críticos para o campo
da IA que permitiram o surgimento dos grandes modelos de linguagem.
Dados anuais mais recentes
pós-pandemia, referentes a 2023, mostram que o Brasil manteve a liderança
regional, mas despencou no ranking, ocupando o 20º lugar mundial em publicações
sobre IA. China e Estados Unidos seguiram nas primeiras posições, com Índia
tomando o terceiro lugar do Japão nesse ano.
Atualmente, o Brasil conta com
144 unidades de pesquisa relacionadas à inteligência artificial. A indústria e
a manufatura lideram com 30 unidades, seguidas de perto pelo setor de saúde,
com 25. Os aplicativos corporativos e de gerenciamento respondem por 20
unidades, enquanto a mobilidade e a logística são o foco de 15 unidades.
Segundo o CGEE, organização
social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e
Inovação e que desenvolve estudos e projetos com foco relacionado a
esses temas, isso evidencia o potencial da IA como multiplicadora e
catalisadora de desenvolvimento tecnológico e econômico no país. Em especial, o
documento mostra que existem iniciativas em IA com atuação relevante em setores
como ciências da vida, energia e agricultura.
A Agência Brasil conversou
com o diretor do CGEE e um dos autores do estudo, Caetano Penna, sobre o
cenário da IA no país e as perspectivas.
Agência Brasil - Em que
situação estão as pesquisas relacionadas à IA no Brasil?
Caetano Penna - O Brasil
é o líder do ranking de publicações sobre inteligência artificial na América
Latina. O segundo país nesse ranking é o México e o terceiro é a Colômbia. Isso
no período do ano 2000 a 2024. Entretanto, esse período está impactado pela
pandemia de covid-19. Se a gente olha os anos de 2013 a 2022, que é o período
em que o Brasil mais cresce em termos de publicações e não está impactado pela
pandemia, nós figuramos em 13º. O Brasil, em qualquer recorte que façamos, está
sempre notop 20 no ranking. E os líderes do ranking anteriormente eram China,
Estados Unidos e Japão. Recentemente, a Índia superou o Japão e passou ao
terceiro lugar no ranking.
Isso mostra que temos
realmente uma base científica de conhecimento sobre inteligência artificial
bastante robusta, que cresce e se expande. Desacelerou depois da pandemia, é
verdade, mas ainda assim, nos dá uma base sólida para desenvolver soluções de inteligência
artificial aplicadas e mesmo, gerando a fundação de modelos de IA.
Agência Brasil - Gostaria
que o senhor comentasse os principais pontos do estudo.
Caetano Penna - O que é
interessante é que o nosso relatório, um relatório independente, confirma o
potencial do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial e ajuda o Brasil
a superar seus desafios. O que encontramos são desafios que estão sendo
endereçados e potencialmente resolvíveis por meio dessa ação coordenada e
implantação efetiva do plano.
Então, a gente olha esses
elementos todos para traçar um panorama e entender quais são as forças do
país, suas virtudes, suas principais capacidades, quais são as oportunidades
que se abrem para colaborações e desafios que também podem ser superados por
meio de colaborações.
Agência Brasil - Como a
política pública desenhada pelo governo brasileiro pode impulsionar o
desenvolvimento de tecnologia e inovação no país?
Caetano Penna - Um dos
nossos desafios é transformar esse conhecimento em aplicações tecnológicas de
uso comercial ou no setor público, justamente para alcançar os objetivos que
foram postos pelo Plano Brasileiro de Inteligência Artificial.
O estudo se presta a um
objetivo, que é bastante interessante, para o desenvolvimento do Brasil, no
campo da inteligência artificial - destacar a relevância brasileira no
desenvolvimento e uso dessa área.
Nós olhamos a trajetória
brasileira recente, em termos de políticas públicas, investimentos públicos e
privados, criação de centros de pesquisa e desenvolvimento por todas as regiões
do país, a produção científica desde a pós-graduação até as publicações em
periódicos internacionais, passando também pelo desenvolvimento tecnológico, na
forma de patentes, e as inovações e projetos inovadores no país.
Agência Brasil - De que
forma o Brasil deve se posicionar nas discussões relacionadas ao
desenvolvimento da tecnologia de IA, em especial no debate voltado para o
desenvolvimento?
Caetano Penna - Uma das
nossas percepções é que nações como os Países Baixos, outros da União
Europeia e a própria União Europeia enfrentam desafios semelhantes aos do
Brasil, porque todos nós não estamos lutando e correndo nessa disputa entre a
China e os Estados Unidos pela dominância da IA. Estamos ainda nos
emparelhando, e, portanto, podemos colaborar para superar problemas comuns. O
objetivo, portanto desse relatório, foi abrir as portas do Brasil diante do
mundo para que se veja qual é o potencial e a visão brasileira para o
desenvolvimento e o uso de uma inteligência artificial responsável,
ética e que melhore o bem-estar da população.
Agência Brasil

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