“Ao mesmo tempo em que se
mantém aberto ao aprofundamento do diálogo estabelecido ao longo das últimas
semanas com o governo norte-americano para reverter as medidas anunciadas e
contrarrestar seus efeitos nocivos o quanto antes, o governo brasileiro avalia
todas as possibilidades de ação para assegurar a reciprocidade no comércio
bilateral, inclusive recurso à Organização Mundial do Comércio, em defesa dos
legítimos interesses nacionais”, destacaram as duas pastas, em nota conjunta.
O comunicado lembrou que as
medidas de Trump violam as regras da OMC. O texto também ressaltou a
aprovação pelo Congresso Nacional, em caráter de urgência, do projeto de lei que autoriza o Brasil a retaliar países ou
blocos que imponham barreiras comerciais a produtos do Brasil, a
chamada Lei da Reciprocidade
Segundo o Mdic e o MRE, a
sobretaxação de 10% para os produtos brasileiros impactará todas as exportações
do país para os Estados Unidos, o segundo maior parceiro comercial do
Brasil. O governo pretende atuar em conjunto com as empresas dos setores
afetados para defender os interesses comerciais do país.
“Em defesa dos trabalhadores e
das empresas brasileiros, à luz do impacto efetivo das medidas sobre as
exportações brasileiras e em linha com seu tradicional apoio ao sistema
multilateral de comércio, o governo do Brasil buscará, em consulta com o setor privado,
defender os interesses dos produtores nacionais junto ao governo dos Estados
Unidos”, informou a nota.
Estatísticas
Os dois ministérios
relembraram as estatísticas comerciais do próprio governo
norte-americano. A balança comercial é mais vantajosa para os
norte-americanos porque o Brasil mais importa do que exporta para os Estados
Unidos.
“Segundo dados do governo
norte-americano, o superávit comercial dos EUA com o Brasil em 2024 foi da
ordem de US$ 7 bilhões, somente em bens. Somados bens e serviços, o superávit
chegou a US$ 28,6 bilhões no ano passado. Trata-se do terceiro maior superávit
comercial daquele país em todo o mundo”, mencionou o comunicado.
Nos últimos 15 anos, o
superávit comercial dos Estados Unidos com o Brasil ultrapassa os US$ 400
bilhões. Dessa forma, o governo brasileiro considera que a medida unilateral de
Trump não representa a realidade.
“Uma vez que os EUA registram
recorrentes e expressivos superávits comerciais em bens e serviços com o Brasil
ao longo dos últimos 15 anos, totalizando US$ 410 bilhões, a imposição
unilateral de tarifa linear adicional de 10% ao Brasil com a alegação da necessidade
de se restabelecer o equilíbrio e a ‘reciprocidade comercial’ não reflete a
realidade”, acrescentou a nota conjunta.
Tribuna do Norte

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