O avanço do mar na região litorânea entre o Rio Grande do Norte e o Ceará tem sido alvo de estudos conduzidos pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia (PPGEO) da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern). Coordenado pelo professor Rodrigo Guimarães, o projeto “Geotecnologias e análise quantitativa aplicadas ao ordenamento territorial na bacia hidrográfica do rio Apodi-Mossoró e no litoral setentrional do Rio Grande do Norte” investiga os fatores naturais e humanos que contribuem para esse fenômeno.
“O planeta está em um período interglacial desde o fim da última era glacial,
há aproximadamente 12 mil anos”, explica o professor Rodrigo Guimarães. Segundo
ele, o aquecimento gradual do planeta e dos oceanos é um processo natural, mas,
desde o século XIX, tem sido acelerado por atividades humanas, resultando na
elevação do nível dos oceanos.
Outro fator determinante para o avanço do mar é o desequilíbrio no
abastecimento sedimentar das praias. “Os sedimentos que compõem as praias são
transportados por rios, mas a construção de barragens tem reduzido
significativamente esse aporte, causando erosão e facilitando a incursão do mar
sobre o continente”, acrescenta o pesquisador.
Registros históricos e comparações com outras regiões
A dinâmica da linha de costa é um fenômeno natural e registrado ao longo da
história. No entanto, “o que se observa atualmente é uma predominância de
praias erosivas, agravadas pela combinação entre o aquecimento global e a falta
de sedimentos”, afirma Guimarães. O fenômeno ocorre em diferentes intensidades
ao longo da costa brasileira, sendo mais perceptível em áreas de alta energia
de ondas e marés acentuadas.
Impactos ambientais e riscos para as comunidades
Os impactos do avanço do mar são severos, especialmente para a fauna local. “Um
dos grupos mais afetados são as tartarugas marinhas, que têm suas atividades
reprodutivas comprometidas devido à erosão das praias onde desovam”, explica o
pesquisador.
Para as comunidades costeiras, os riscos variam de acordo com a densidade
populacional das áreas atingidas. “Em regiões não habitadas, o avanço do mar
não representa um problema imediato. No entanto, em locais densamente ocupados,
a erosão pode comprometer moradias, estradas e comércios”, alerta Guimarães.
Segundo ele, isso pode exigir investimentos em obras de engenharia como
espigões, enrocamentos e engorda de praias.
A necessidade de políticas públicas
Para minimizar os impactos futuros, o pesquisador destaca a importância de
políticas públicas que restrinjam a ocupação de áreas próximas à faixa de
praia, especialmente em locais de erosão acentuada. “A falta de regulação pode
levar a um aumento dos problemas estruturais e financeiros para as cidades
costeiras, que precisarão investir cada vez mais em infraestrutura para conter
o avanço do mar”, enfatiza.
A pesquisa também se desdobra na dissertação de mestrado de Sheila Nolasco, que
investiga o licenciamento ambiental em áreas de orla marítima, com um estudo de
caso sobre as praias de Tibau, no Rio Grande do Norte. “O estudo reforça a
importância de medidas preventivas para garantir a segurança das comunidades
costeiras e a preservação dos ecossistemas litorâneos”, conclui Guimarães.
Foto: Maykon Targino (à esquerda) Sheila Nolasco (ao centro) e eu Rodrigo
Guimarães (à direita) durante a pesquisa (créditos: cedida)

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