A dirigente do Sinte, Jucyana Myrna, afirma que a paralisação só será encerrada
quando o governo estadual atender às exigências da categoria. “Essa greve só
acaba quando o governo pagar os 6,27% integralmente para ativos e aposentados.
A própria secretária de Educação, na primeira audiência que teve com o Sinte,
informou que o governo não pagaria os 6,27% na carreira, somente para quem
estava em início de carreira. E essa fala dela desencadeou todo esse processo
de deflagração da greve”, explica.
Segundo Jucyana, não há
impedimento que justifique a não aplicação do reajuste. “Embora o governo tenha
atualizado o percentual na carreira, neste ano fomos surpreendidos com essa
ação do MP”, disse. Ela também criticou representantes do governo por declarações
sobre os impactos financeiros do reajuste, que teriam influenciado a atuação do
MPRN. “A categoria entende que essas entrevistas acabaram inflamando o MP,
fazendo com que ele se metesse nesse processo de negociação”, completa.
Outro dirigente do Sinte-RN, Ekeomas Santos, também apontou a falta de
negociação por parte do governo estadual como principal obstáculo. “Hoje, o
Sinte-RN está em defesa do plano de carreira dos funcionários, pela atualização
do piso nacional do magistério, que são os 6,27%. Hoje, a gente vem para fazer
a denúncia pela falta de negociação por parte do governo do Estado, pela
interferência do Ministério Público nessas negociações”, disse. O sindicato
participou de uma agenda do ministro da Educação Camilo Santana, em Natal.
Em meio ao impasse, a secretária de Educação do Estado, Socorro Batista,
ressaltou que o governo também enfrenta questionamentos judiciais e se
posiciona ao lado dos professores na disputa. “Primeiro, quero dizer que o
governo do Estado é réu nesse processo. O governo está sendo acionado pela
Justiça e está lutando ao lado dos professores. É preciso entender isso. A
nossa pauta é para manter a legalidade do que nós já estamos aplicando”,
afirma. “O afetado é a categoria, sim, mas quem está sendo provocado na ação
somos nós e nós estamos dizendo que queremos pagar, manter a atual política de
reajuste do salário dos professores, que é o reajuste na carreira, que vai
muito além do piso”, completa a gestora.
A atuação do Ministério Público na questão também foi criticada pelos
professores. O MP entrou com um pedido no Tribunal de Justiça (TJRN) para
suspender os efeitos da Lei do Piso, argumentando que o Estado ultrapassou o
limite prudencial de gastos com pessoal e que não havia previsão orçamentária
para o reajuste. Após ajuizar uma ADI para questionar se as Leis Complementares
Estaduais do Piso do Magistério (de 2012 a 2020 e de 2022 a 2023) estão em
conformidade com a Constituição Federal, o MPRN solicitou ao TJRN a inclusão da
Lei do Piso 2024 nesse processo.
Em Natal para anunciar o lançamento dos programas Partiu IF e Rede Nacional de
Cursinhos Populares (CPOP), o ministro Camilo Santana também comentou o
assunto. “A Lei do Piso foi uma conquista importante dos professores e
professoras do Brasil, claro que precisa ser respeitada pelos governantes e a
governadora Fátima é uma das que mais respeita em todo o País”. “Eu sei que tem
uma questão na Justiça, mas a gente tem toda a boa vontade para que a gente
possa trabalhar e solucionar esse problema e garantir o pagamento aos
professores”, acrescenta o ministro.
Enquanto o impasse persiste, a categoria segue mobilizada. No cronograma do
sindicato, estão previstos atos públicos, visitas às escolas para mobilização e
reuniões. Hoje (11), um novo ato ocorre em frente à Governadoria para cobrar
uma audiência. Nos dias 12 e 13, professores farão visitas às escolas para
dialogar com a comunidade. No dia 14, estão marcadas reuniões com professores
temporários. O sindicato também promove um levantamento do quadro de greve nas
escolas. Já no dia 19 de março, uma caravana será enviada para acompanhar a
visita do presidente Lula a Jucurutu.
Tribuna do Norte

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