As constatações do
levantamento têm como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), do 3º trimestre de 2024. Segundo o instituto, o Brasil contava com 91 2
milhões de mulheres com 14 anos ou mais, das quais 48,1 milhões faziam parte da
força de trabalho. Dessas, 44,4 milhões estavam ocupadas no período, e 3,7
milhões, desocupadas – o equivalente a uma taxa de 7,7%. O porcentual fica
acima do masculino (5,3%).
A presença feminina em cargos
estratégicos continua sendo inferior à masculina por conta da persistência de
barreiras estruturais e culturais, avalia a sócia do escritório Vernalha e
Pereira, Angélica Petian. Segundo ela, as empresas precisam criar ambientes
mais inclusivos, com a “implementação de programas de mentoria para mulheres,
políticas de diversidade e canais de denúncia eficazes”.
Fora esse fato, as
trabalhadoras ainda recebem em média 19,4% a menos do que os homens para
exercer as mesmas funções, apontam dados do Ministério das Mulheres e do
Trabalho apurados pela GBR Comunicação.
Além disso, conforme o Dieese,
diretoras e gerentes ganharam em média por mês R$ 6.798, enquanto homens, nos
mesmos cargos, R$ 10.126, uma diferença de R$ 3.328 mensais. Por ano, esse
valor equivale a R$ 40 mil a menos para elas.
No País, a pesquisa do
departamento mostra que o rendimento médio real mensal para as mulheres é
menor: R$ 2.697, enquanto para os homens, R$ 3.459. Na mesma base de
comparação, no caso das trabalhadoras com nível superior, o ganho é de R$
4.885, R$ 2.899 a menos do que o pago aos trabalhadores (R$ 7.784). Além disso,
segundo o levantamento, em nenhum Estado brasileiro a média da remuneração
mensal feminina supera a masculina.
O tempo tem grande influência
nos ganhos salariais. A jornada de trabalho semanal remunerada masculina supera
a feminina em 4,3 horas. Já o trabalho feminino sem ganhos financeiros supera
em 10 horas o dos homens. O boletim do Dieese mostra ainda que as mulheres
gastam 21 dias ou 499 horas a mais em um ano com afazeres domésticos.
A Lei 14.611/2023, de
Igualdade Salarial entre Homens e Mulheres trouxe avanços para atenuar a
desigualdade de gênero nesse sentido, com mais transparência salarial e
penalidades para empresas que não cumprirem determinações, avalia a GBR
Comunicação. Porém, ainda não é suficiente para ter equidade nas remunerações
entre homens e mulheres.
Nesse caso, além das medidas
apontadas por Petian, o Dieese argumenta que é preciso haver um debate
constante e ampliar a participação de mulheres em espaços de negociações e
cargos de liderança. A discussão deve ir além do período que antecede o Dia Internacional
das Mulheres, em 8 de março.
Estadão Conteúdo

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