Por Howard Schneider e Ann Saphir
WASHINGTON (Reuters) - O
Federal Reserve manteve a taxa básica de juros inalterada na faixa de 4,25% a
4,50% nesta quarta-feira, como esperado, mas formuladores de política monetária
do banco central dos EUA indicaram que ainda preveem uma redução de 0,50 ponto
percentual da taxa até o final deste ano, em um contexto de desaceleração do
crescimento econômico e, eventualmente, queda da inflação.
evando em consideração o
anúncio de tarifas pelo governo Trump, as autoridades do Fed aumentaram suas
projeções para a inflação este ano, com sua medida preferencial de alta dos
preços prevista para terminar o ano em 2,7%, em comparação com alta de 2,5% estimada
em dezembro. O Fed tem como meta uma inflação de 2%.
No entanto, eles também
reduziram a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) este ano de
2,1% para 1,7%, com taxa de desemprego ligeiramente maior no final deste ano.
Formuladores de política
monetária disseram que os riscos haviam aumentado, com um sentimento quase
unânime ao dizer que as perspectivas para o ano estavam mais incertas.
"A incerteza em torno das
perspectivas aumentou", disse o Fed em um novo comunicado de política
monetária que leva em conta as primeiras semanas do novo governo Trump e o
anúncio inicial de tarifas globais sobre produtos importados.
O Fed também disse que irá
desacelerar a redução contínua de seu balanço patrimonial.
O diretor do Fed Chris Waller
discordou do comunicado devido à mudança na política do balanço patrimonial.
As projeções dos juros
corresponderam às expectativas estabelecidas pelos mercados financeiros antes
da reunião e mantiveram intacta a perspectiva geral do Fed, de que a
desaceleração gradual da inflação permitirá maior flexibilização da política
monetária.
Mas o caminho até lá pode ser
mais difícil. Embora não tenha mencionado o presidente Donald Trump ou as
tarifas no comunicado, as projeções de inflação mais alta este ano coincidem
com a divulgação dos planos tarifários do governo.
No entanto, parece que, por
enquanto, o Fed está analisando a mudança de preço envolvida nesses impostos de
importação, tratando-os como uma alteração pontual e não como uma fonte
persistente de pressões sobre os preços.
A inflação subjacente para
além de 2025 permaneceu inalterada em relação às projeções do Fed em dezembro,
com expectativa de retorno a 2% até o final de 2027.
A projeção para cortes após
este ano também não foi alterada, atingindo 3,1% até o final de 2027, próximo
ao nível considerado como tendo um efeito neutro que não incentiva nem
desestimula gastos e investimentos.
O Fed reduziu sua taxa de
juros de referência em 1 ponto percentual no ano passado, mas tem mantido os
juros inalterados desde dezembro, conforme aguarda mais evidências de que a
inflação continuará a cair e, mais recentemente, mais clareza sobre o impacto
das políticas de Trump.
Em comparação com a promessa
de Trump de uma próxima "era de ouro" econômica devido à sua
iniciativa de impor tarifas, deportar um grande número de imigrantes e afrouxar
regulamentações, a perspectiva do Fed prevê um crescimento de 1,7% este ano e
de apenas 1,8% em 2026 e 2027, com uma taxa de desemprego de 4,4% este ano e
4,3% em 2026 e 2027. Isso está acima dos menores níveis dos últimos anos e
acima da última leitura de 4,1% em fevereiro.
((Tradução Redação Brasília))
REUTERS VB IV FDC

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