Na cerimônia desta quarta, o presidente Lula terminou reivindicando para si a
paternidade de sua conclusão: “Não quero discutir quem fez ou não fez essa
obra, mas até agradeço aos deputados e senadores do Rio Grande do Norte que
colocaram R$ 203 milhões em emendas para que a obra de Oiticica pudesse andar”.
“Não sei de que partidos eram,
não sei em quem votaram, o que sei é que sou agradecido, porque quando um
presidente irresponsável só tinha colocado R$ 87 milhões, deputados e senadores
tinham colocado R$ 203 milhões para essa obra”, atacou Lula, sem citar
diretamente o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro, em discurso no começo da
tarde da quarta-feira (19).
Lula alegou que, ao assumir o governo em janeiro de 2023, não tinha “nenhum
centavo” para a sequência das obras de Oiticica e que, se não tivesse colocado
no PAC, não teria continuidade: “A decisão não foi minha, quando cheguei ao
governo, convidei os 27 governadores e disse: quero que apresentem de três a
cinco obras mais importantes de cada estado, e Fátima Bezerra incluiu Oiticica,
que estamos inaugurando, como um dos últimos trechos da transposição das águas
do rio São Francisco”.
Já o senador Rogério Marinho publicou um vídeo em suas redes sociais afirmando
que “a Barragem de Oiticica não é uma obra do PT”. Ele aponta que a construção
da barragem foi retomada por Bolsonaro, com R$ 300 milhões em investimentos, e
atingiu 93% de conclusão. “Especialista em enganar o povo, o PT agora se
prepara para inaugurar uma obra que não foi prioridade para eles e só avançou
graças ao Governo Bolsonaro”, disse o senador.
Rogério Marinho afirmou que Oiticica
não é obra do PT | Foto: divulgação
O vídeo publicado pelo senador também aponta que a obra não foi inaugurada
antes por conta dos “atrasos da gestão do PT na construção das agrovilas”,
pois, no fim de 2022, já havia sido iniciado o processo de fechamento da
barragem. “O impasse para a construção das agrovilas, como num passe de mágica,
foi convenientemente resolvido em 2023”, aponta, acrescentando que o atual
governo nunca priorizou nem essa obra nem o Nordeste.
Nome da barragem
O deputado estadual Tomba Farias (PSDB) abordou, na sessão matutina da
Assembleia, a questão da paternidade da construção da barragem na região do
Seridó: “Falo a verdade sobre a barragem Oiticica, que hoje deve ter uns 15
padrinhos”.
Tomba Farias informou que já existe uma lei aprovada em dezembro de 2014 e
sancionada no então governo Rosalba Ciarlini, denominando de “Iberê Ferreira de
Souza” a barragem de Oiticica, obra que, segundo o parlamentar, chegou a ser
licitada no governo Geraldo Melo (1987/1991), mas que, em virtude de
intercorrências, o TCU recomendou que os contratos fossem cancelados e novos
projetos fossem feitos já no segundo governo Wilma de Faria (2006/2010).
“Posteriormente, Iberê Ferreira, já como secretário de Recursos Hídricos,
conseguiu recursos para a elaboração de um projeto, e o Dnocs queria fazer uma
barragem maior, o que envolveria o estado da Paraíba e complicaria ainda mais,
mas não foi aceito”, reportou.
Tomba Farias explicou que Wilma de Faria e Iberê Ferreira foram depois a
Brasília, tendo a ex-presidente Dilma Rousseff autorizado a inclusão da obra de
Oiticica no PAC.
“Homologado o resultado da licitação, foram iniciadas as obras da construção da
barragem de Oiticica, que, através de projeto da minha autoria, recebeu como
ato de justiça a denominação da barragem Iberê Ferreira de Souza, principal
responsável pela virada da chave que viabilizou a construção dessa tão
importante obra para o estado do Rio Grande do Norte”.
Farias disse que “essa é a verdadeira história da barragem Oiticica Iberê
Ferreira de Souza”, tendo prometido levar, na sessão desta quinta-feira (20),
“dados concretos, escritos e números, mostrando exatamente quanto foi aplicado
nos governos Dilma, Temer, Bolsonaro e Lula”.
O deputado Coronel Azevedo (PL) havia criticado, na sessão da terça-feira (18),
o fato de o presidente Lula “vir inaugurar uma obra que, na realidade,
praticamente havia sido concluída no governo Bolsonaro”.
“Ao pisar no Rio Grande do Norte, Lula tenta se apropriar de um legado que não
é seu e vender como sua uma conquista que, na verdade, pertence a outro
governante”, afirmou Azevedo.
Coronel Azevedo disse que a obra, iniciada no primeiro governo Dilma Rousseff
(2011/2014), “sofreu diversas interrupções ao longo dos anos e só foi retomada
com força pelo governo Bolsonaro, que deixou praticamente tudo pronto. Agora,
com a popularidade em queda e disparando aumentos de impostos, Lula busca
melhorar sua imagem à custa do trabalho alheio”.
Tribuna do Norte

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