Conforme o Relatório de Gestão
Fiscal (RGF) publicado em 30 de janeiro no Diário Oficial do Estado (DOE), a
folha (de ativos e inativos) já compromete 57,56% da Receita Corrente Líquida
(RCL) do Estado,). Esse percentual supera em 8,56 pontos o limite máximo de 49%
estabelecido pela LRF, o que coloca o estado em uma situação de alerta no
penúltimo ano do mandato da governadora.
O secretário de Administração
ressalta que a LRF exige que o gasto com pessoal em relação à receita corrente
líquida esteja abaixo de 49% até 2032. “O desembolso de caixa será de R$ 39
milhões/mês”, afirma Pedro Lopes sobre o reajuste. “Estimamos que voltaremos a
nos posicionar abaixo do limite legal da LRF em 2030”, prevê.
Por isso, Lopes afirma que a
política de reajustes está alinhada com a responsabilidade fiscal e foi
estruturada para garantir sustentabilidade financeira ao longo dos próximos
anos. “Para atingir essa meta, é necessário que, ou o Governo cumpra a regra do
Programa de Equilíbrio Fiscal, ou o gasto com pessoal do exercício não cresça
mais de 80% em relação ao crescimento da receita corrente líquida”, explicou.
Para alcançar o teto permitido
pela LRF, o Estado precisaria reduzir em R$ 1,475 bilhão os gastos com salários
dos servidores públicos, que chegaram a R$ 9,92 bilhões no último ano. O limite
máximo estabelecido pela legislação foi de R$ 8,44 bilhões, calculado sobre uma
RCL ajustada em R$ 17,23 bilhões, enquanto a receita total foi de R$ 21,44
bilhões.
Pedro Lopes destacou que o
governo estadual seguirá as diretrizes fiscais estabelecidas e que a
recuperação dos indicadores será observada progressivamente a partir do segundo
quadrimestre de 2025. “O Governo vai cumprir as legislações aprovadas de recomposição
salarial. Teremos um relatório real da situação fiscal quando complementar o
primeiro ciclo de um ano de arrecadação do ICMS na alíquota de 20%, no caso, no
relatório do primeiro quadrimestre de 2026. Estimamos que o indicador deve
voltar ao patamar de 52%”, afirmou.
O economista Eridan Teixeira
reforça que o ICMS é o carro chefe das receitas próprias e que atualmente
existe a necessidade de ampliar as receitas, uma vez que a recomposição
salarial está vinculada ao aumento da arrecadação. “Sem isso não se realizam. O
ICMS dos combustíveis já alterou em fevereiro e em março vem a ampliação da
alíquota modal de 18 para 20%. Ao meu ver, com a economia aquecida, o governo
não terá problemas para pagar as reposições. A receita própria irá se recompor,
mas só a partir de abril”, analisa.
Para Teixeira, que também é
supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos (DIEESE), a partir do próximo mês de abril haverá possibilidade
concreta do governo honrar com as recomposição salariais. “Quanto à LRF, o
governo firmou um TAG (Termo de Ajustamento de Gestão) com o Tribunal de Contas
e terá 10 anos para ajustar até o limite máximo de 54%”, ressalta.
Reajustes garantidos
Os primeiros impactos das recomposições salariais começarão a ser sentidos já
neste mês de fevereiro, quando os servidores da segurança pública e da saúde
receberão os reajustes. Em abril, a correção pelo IPCA (Índice Nacional de
Preços ao Consumidor Amplo) de 2024 será estendida às demais categorias, e em
junho haverá nova negociação para a recomposição de janeiro para os
profissionais da segurança e da saúde.
O índice médio de reajuste,
considerando atualizações de promoções e correções de carreira, foi estimado em
21%, a ser implantado entre janeiro de 2025 e abril de 2026. Segundo Pedro
Lopes, essa política faz parte de um pacote maior de recuperação fiscal, no
qual o restabelecimento da alíquota modal do ICMS para 20% foi uma condição
fundamental para garantir a implementação das recomposições salariais.
Ele lembrou ainda que, desde
2013, o Rio Grande do Norte permanece acima do limite legal da LRF, mas que a
Constituição permite recomposição salarial para manutenção do poder de compra
dos servidores. “Categorias da administração direta e indireta tiveram a
antepenúltima recomposição em 2010, depois em 2022 e agora em 2025. De 2010 até
2026, as perdas acumuladas superarão 120%, e com muito esforço vamos repor
cerca de 30% e atualizar promoções para os que estão em atividade”, concluiu
Pedro Lopes.
Sindicatos cobram justiça
salarial
Apesar da política salarial
aprovada e da promessa de que será cumprida, sindicatos seguem cobrando do
governo transparência e equidade na concessão dos reajustes, alertando para a
necessidade de garantir justiça salarial a todas as categorias do funcionalismo
estadual.
A presidente do Sindicato dos
Trabalhadores do Serviço Público da Administração Direta (Sinsp/RN), Janeayre
Souto, relembra que a crise financeira e fiscal do estado não é recente, mas,
diferente das categorias de servidores com salários mais baixos, os que ganham
salários maiores sempre tiveram seus reajustes garantidos. “Todos os anos
recentes o Estado esteve acima do limite prudencial, mas todos os anos houve
aumento para a casta de servidores que ganham próximo ao teto de ministro do
Supremo”, afirma.
Ela cita como exemplo os
procuradores e auditores do estado, que também são beneficiados com
gratificações. “Pergunto: cadê a LRF? Auditor fiscal acabou de ter aumento da
gratificação de desempenho; foi para R$ 28 mil. Cadê a LRF? Auditor de controle
interno entrou recebendo R$ 4 mil em 2018 e agora estão chegando aos R$ 10 mil,
e em poucos anos ultrapassarão os R$ 20 mil. Cadê a LRF?”, critica.
O presidente do Sindicato dos
Policiais Civis do RN (Sinpol/RN), Nilton Arruda, questiona a efetividade do
reajuste diante da defasagem histórica dos salários da categoria. “O reajuste
aprovado foi um percentual muito aquém da reposição inflacionária, onde tivemos
uma perda no poder de compra de 42% e iremos receber um reajuste em média de
9%”, afirma.
Ele também pontua que a
situação financeira do estado já esteve comprometida nas gestões anteriores,
mas que toda a negociação ocorreu dentro de um patamar onde, pela afirmação do
governo, seria o que se poderia pagar aos policiais. “Os últimos cinco governos
do Estado do RN sempre ficaram com valores comprometidos acima da LRF, isso não
é nenhuma novidade. Os valores da nossa revisão salarial são muito baixos,
temos um dos piores salários de policiais civis do Brasil, só ganhamos um pouco
melhor que os da Paraíba e de Pernambuco, sendo que nesses estados eles recebem
gratificações como complemento”, pontua.
Além disso, Arruda demonstra
preocupação com os valores destinados ao repasse do duodécimo, que é a parcela
mensal do orçamento estadual repassada a órgãos independentes, como Assembleia
Legislativa, Tribunal de Justiça, Ministério Público, Tribunal de Contas e
Defensoria Pública. “Eu fico preocupado como o governo vai continuar pagando,
repassando os valores cada vez mais exorbitantes do duodécimo”, questiona.
R$ 39 milhões/mês
CUSTO DAS RECOMPOSIÇÕES SALARIAIS DOS SERVIDORES:
Serão beneficiados 63.715
servidores estaduais com o projeto de lei da política de revisão anual
permanente, sendo 32.063 servidores ativos, 25.979 aposentados e 5.673
pensionistas. Acrescentando 1.210 docentes e 903 técnicos da UERN, ao todo
serão 65.828 beneficiados.
Foram atingidos os servidores
da Segurança Pública, Saúde, Administração Direta e Indireta, além dos
Empregados Públicos.
Na Segurança, beneficiados
incluem a PM, Bombeiros, ITEP, Polícia Civil e Polícia Penal.
Na Administração Direta,
servidores da Controladoria-Geral do Estado, Procuradoria Geral do Estado,
Gabinete Civil, Secretaria da Fazenda, Saúde e servidores da administração
direta regidos pela LC 432/2010.
Na Administração Indireta,
servidores do Departamento de Estradas de Rodagem, Departamento Estadual de
Trânsito, Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural, Fundação José
Augusto, Fundação Estadual da Criança e do Adolescente, Instituto de Desenvolvimento
Sustentável e Meio Ambiente, Instituto de Defesa e Inspeção Agropecuária,
Instituto de Previdência dos Servidores, Junta Comercial e Universidade do
Estado do Rio Grande do Norte.
Entre os Empregados Públicos,
as categorias beneficiadas são a Central de Abastecimento (CEASA), a Companhia
de Processamento de Dados (DATANORTE) e a Empresa de Pesquisa Agropecuária
(EMPARN).
Tribuna do Norte

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