Ícaro Carvalho
Repórter
No Rio Grande do Norte, o
calendário de pagamento do Imposto sobre Veículos Automotores (IPVA) foi
divulgado na semana passada, e os potiguares precisam se atentar para as
primeiras parcelas ou cotas únicas a partir do dia 10 de março. Aliado a isso,
a capital potiguar já divulgou o calendário de pagamento do Imposto sobre a
Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) com perspectiva de desconto de
16% para quem pagar à vista, podendo ser ainda dividido em 10 cotas mensais
fixas. A legislação estabelece o pagamento de 1% do valor de mercado do imóvel.
Segundo o presidente do
Conselho Regional de Economia (Corecon-RN), Helder Cavalcanti, é importante que
o cidadão se debruce sobre as contas anuais e elenque as prioridades,
observando as datas de vencimentos e eventuais juros sobre atrasos.
“Orientamos que o trabalhador
utilize o 13º salário dividindo para os gastos de festas de fim de ano e o que
acontece em janeiro, com material escolar, matricula, IPTU, IPVA. Então é
preciso se preparar para esses gastos que são necessários e fundamentais”,
comenta.
O presidente do Corecon
orienta ainda que aqueles que têm reserva de dinheiro que tentem negociar
descontos para pagamentos à vista, por exemplo. “Quem tem um dinheiro em
reserva normalmente paga com abatimento. Então, se o consumidor for na escola e
negociar a matrícula, pode ser que tenha uma condição melhor. No IPTU, o valor
total também tem abatimento também. Esses gastos precisam ser colocados como
prioritários”, cita.
Além desses impostos, é comum
também que potiguares se debrucem sobre seguros de carros e matrículas de
filhos, além de material escolar e compra de livros, fardas, entre outros
itens. É o caso de Caio Dênio Santos, 33 anos, analista de redes de computadores.
Ele conta que tem adotado uma estratégia de guardar o dinheiro desde meados de
novembro, visando amenizar as altas contas que chegam em janeiro.
“As contas de início de ano
sempre são difíceis para mim. Começo a me preparar normalmente em novembro,
visualizando o que tenho para janeiro, como IPTU e IPVA. Tenho dois filhos e
uma das minhas maiores despesas são a escola, fardamento, mensalidade. Tudo
isso pesa, principalmente agora com custo de combustível e alimentação altos.
Minha maior estratégia é começar em novembro, juntando nesses meses para que em
janeiro eu ter esse fôlego para não atropelar as contas e honrar as despesas”,
comenta.
Quem também se organiza é Luiz
Tavares, 32 anos, engenheiro de software. Ele cita que utiliza uma estratégia
há alguns anos para não ter apertos financeiros no começo do ano, como separar
as despesas por estrutura, visando o controle dos gastos.
“Geralmente eu costumo dividir
as contas em três tipos, como fixas, variáveis e extras. Para as fixas, eu já
deixo separado o dinheiro e não mexo mais, que são as contas mais importantes.
As variáveis são contas que sei que vão vir, mas não sei quanto, como
supermercado, gasolina. Tento deixar um valor médio para essas contas e vou
controlando conforme vou gastando”, explica.
“O final e início do ano são
diferentes, porque esses gastos extras aumentam muito e no meio disso há contas
essenciais, como IPVA, seguro do carro, material escolar e também coisas que
não são essenciais, como presentes de Natal, confraternizações, viagens. Apesar
de não serem essenciais, são coisas que gostamos de fazer”, acrescenta. “Para
esse período especificamente passo o ano inteiro tentando me preparar,
determino um valor que quero ter guardado até o fim do ano. Tento me programar,
ver para onde vou viajar. Tendo isso em mente guardo aos poucos e quando chega
o fim do ano já tenho um valor para esses gastos extras”, acrescenta.
Empréstimos: solução ou novo
problema?
Com parte dos brasileiros sem
uma organização financeira prévia para pagar as contas do início de ano, surge
uma dúvida entre os consumidores: contrair empréstimos é uma alternativa
plausível?
Na avaliação de William
Eufrásio Nunes Pereira, do Departamento de Economia da UFRN, é necessário
“cuidado” ao aderir a essa modalidade financeira para pagamento de dívidas.
“Existe um tipo de empréstimo,
que é o consignado, que é o menos ruim de todos os tipos, pois as taxas de
juros são mais baixas, mas mesmo assim não é adequado. Mesmo assim, não é
adequado. O ideal é o trabalhador procurar pagar as contas à vista ou no caso
parcelá-las, mas sempre pagá-las em dia. Se acaso acontecer situações
inesperadas, que exigem recursos acima do que se tem, deve-se procurar esses
empréstimos com taxas de juros mais baixas. CDC, cheque especial, cartão de
crédito, todos têm taxas de juros mais elevadas”, explicou.
Já o presidente do Conselho
Regional de Economia (Coreron-RN), Helder Cavalcanti, aponta para os riscos de
“bola de neve” com empréstimos bancários.
“Qualquer tipo de empréstimo
envolve um custo que são as taxas de juros. Quem faz esse tipo de estratégia,
se não couber dentro do orçamento, está só adiando o problema, porque não vai
conseguir pagar. O bom senso é tentar organizar a sua renda mensal para caber
dentro do orçamento e cumprir seus compromissos. Uma regra fundamental:
primeiro o que é necessário, como alimentação, moradia, escola, transporte,
depois os demais gastos, como a cerveja do fim de semana, passear, mas o que
sobrar disso. Fazer empréstimo por fazer sem caber no orçamento é criar uma
bola de neve, porque não vai conseguir pagar e terá mais juros lá na frente”,
acrescenta.
Na avaliação de Thaíne
Clemente, executiva de Estratégias e Operações da Simplic, fintech de crédito
pessoal online, a alternativa pode ser uma solução possível. “Um novo ano
muitas vezes começa com desafios financeiros, ou com contas acumuladas durante as
celebrações, o que pode escalar rapidamente. Ter um dinheiro extra pode dar
aquela ajuda e garantir estabilidade e flexibilidade financeira”, explica.
“O ideal é que, mesmo ao
aderir a essa modalidade de crédito, a pessoa continue cuidando das contas por
meio de planilhas de gastos ou aplicativos, o que for mais fácil de assimilar
no dia a dia. A organização precisa ser levada a sério o ano inteiro, não
somente na transição de um para o outro”, orienta a executiva.
Hierarquizar contas pode ser
alternativa
Na avaliação de William Eufrásio Nunes Pereira, professor do Departamento de
Economia da UFRN, é importante que o trabalhador tenha cuidado com os gastos
nas contas e estabeleça uma ‘hierarquia’ nas despesas, sejam elas previstas ou
não.
“É importante hierarquizar, organizar e estruturar, pagando primeiro aquilo que
é essencial, urgente e obrigatório, que não pode ser deixado para depois. E o
também tem que fazer os demais pagamentos, compras e quitar as dívidas. Para se
organizar é importante reduzir alguns aspectos do consumo, diminuir esses
gastos para sobrar recursos e fazer frente a essas outras despesas urgentes e
inesperadas”, orienta.
O professor cita ainda que o consumidor precisa ficar atento às contas com
taxas de juros mais altas. “Elencar prioridades é uma boa saída. É preciso
organizar a estrutura de pagamento para dar prioridade às contas com taxas de
juros mais altas. Toda conta com esse fator deve ter uma certa prioridade
porque, se não for paga, pode explodir com a taxa de juros. É o caso do cartão
de crédito. Atrasá-lo não é bom para ninguém. Em seguida, outras despesas como
tributos, também tem multas relativamente altas”, acrescenta.
Tribuna do Norte

Nenhum comentário:
Postar um comentário