Atualmente, os ovos de galinha
são o principal produto da fazenda, que possui uma área de 490 hectares (ha). O
protagonismo do queijo bubalino deve se dar com o projeto de irrigação já
implantado, mas que aguarda ligação da parte elétrica pela companhia energética
do Estado. De acordo com Veloso, o incremento da produção permitirá o
lançamento de novos produtos, como os queijos maturados e o leite
ultrapasteurizado. Até o momento, entre os produtos derivados do leite de
búfala estão os queijos burrata, mozzarella, coalho, provolone, minas frescal,
requeijão do norte e manteiga ghee.
Francisco Veloso explica que a
produção de leite hoje está limitada à oferta de forragem (capim), a qual, por
sua vez, depende de suporte hídrico. A fazenda é abastecida por um sistema
adutor de 8 quilômetros em uma tubulação de 100 milímetros. A alternativa
pensada para melhorar a oferta de capim e garantir a ampliação da produção foi
a irrigação. “Mas não tínhamos água para isso”, afirma Veloso. A empresa deu
início à escavação de poços em dezembro de 2020. A intenção era cavar 10 poços,
os quais somariam uma vazão de 200 mil litros de água por hora.
“Só assim seria possível
pensar em irrigação. Para nossa surpresa, o primeiro poço, que ficou pronto em
2023, deu uma vazão de 80 mil litros por hora, e o segundo, concluído no ano
passado, deu [vazão] de 120 mil litros por hora, o suficiente para atender
nossa demanda. Fizemos o projeto e trouxemos essa água em uma adutora de 10
cilindros, com extensão de sete quilômetros. O sistema está pronto, aguardando
a ligação da parte elétrica pela Cosern, que nos pediu um prazo até o próximo
dia 20 para isso. Esperamos iniciar a irrigação no final deste mês”, conta
Francisco Veloso.
Inicialmente, serão 50
hectares irrigados, mas a expectativa é dobrar o perímetro em 2030, chegando a
100 ha de área irrigada. Até lá, o número total de animais deve passar de 1,2
mil cabeças para 4,5 mil. O investimento deve mudar totalmente a realidade de
produção de leite e de queijo, com foco nos próximos dois anos. “Se hoje a
produção de leite é de 200 cabeças, esse número vai passar a 500 no final de
2027, porque nós queremos colocar 10 cabeças em cada hectare, o que representa
um aumento de 150% do número de búfalas em produção leiteira”, detalha.
Hoje, para garantir a pastagem e manter a produção é adotado o sistema de pasto diferido, que consiste em usar apenas metade da área de capim entre os meses de março e agosto – período chuvoso na região. A ideia é que a parte não utilizada mantenha seu volume mesmo quando o capim seca (durante o período de estiagem, entre setembro e março) e sirva como alimento para os búfalos.
Sistema de irrigação para 50
hectares, inicialmente, aguarda ligação da companhia de energia | Foto: Adriano
Abreu
Produção de ovos é carro-chefe
atual
A produção de ovos atualmente
é o carro-chefe da Fazenda Tapuio, fundada em 1991 pelo engenheiro agrônomo
Francisco Veloso e que conta com a esposa, a engenheira civil Márcia Veloso,
como sócia. A empresa soma 146 funcionários e tem como principais produtos,
além dos queijos bubalinos, os queijos bovinos (cottage, minas frescal e
coalho) e os ovos especiais (Caipiria D+, Saúde e Ômega 3). A avicultura
(produção de ovos) é a que se destaca por ora, respondendo por 52% do
faturamento de 2024, com uma produção de 70 mil ovos por dia, seguida pelos
laticínios (queijos), que responderam por 33%.
Com os planos de elevar a
fabricação de queijos bubalinos à principal produção da casa, a empresa estima
que até 2029 os laticínios vão responder por 48% do faturamento, enquanto a
avicultura representará 28%. “Até lá, a expectativa é de aumentar o faturamento
total em 55% e a margem líquida em 19%”, disse Veloso, que preferiu não
mencionar números reais. Já as metas no curto prazo – para este ano – são a
produção de 21,3 milhões de ovos (a fazenda possui um plantel com 100 mil
galinhas), 751 mil litros de leite e 190 mil quilos de queijo.
A qualidade está entre as
principais preocupações da empresa, segundo Francisco Veloso. E foi essa
preocupação que levou a Tapuio a comercializar um dos produtos, o mozzarella de
búfala, para o mundo. Por cerca de três anos, churrascarias de Nova York foram
abastecidas com o produto “made in Taipu”. Pontualmente, houve exportações
também para a Nova Zelândia e a Argentina. De acordo com Veloso, os custos
operacionais e a vida útil do item, considerada curta, representaram os
principais entraves para a continuidade das vendas ao exterior.
“Nossos queijos são todos
frescos, com uma vida útil curta, em torno de 30 dias. E são produtos que
precisam necessariamente ser exportados por frete aéreo, uma operação cara. É
preciso lembrar que junto com os queijos vai o custo do isopor, do gelo e da
embalagem. A mozzarella tem, em sua composição, 50% de líquido e 50% de queijo.
Ou seja, eu exportava meio quilo de queijo e pagava um quilo, porque todos os
demais itens são cobrados no frete. Então, isso tirou nossa competitividade”,
disse.
Diante da inviabilidade, o foco é o mercado nacional. “Há estados como Pernambuco, cuja participação no nosso faturamento caiu 8% no ano passado em relação a 2023, onde a gente precisa trabalhar mais nossos produtos. Em contrapartida, estados menores, como a Paraíba (com crescimento de 35%) e Alagoas (17%) se destacaram. Nosso principal mercado é a Bahia, seguido do RN. De modo geral, nosso faturamento aumentou 10% em 2024”, fala Francisco Veloso.
Avicultura se destaca com uma
produção de 70 mil ovos por dia | Foto: Adriano Abreu
Alta qualidade garantiu
premiações
A trajetória da Fazenda
Tapuio, iniciada em 1991, é cercada de desafios desde então. O primeiro deles,
segundo Francisco Veloso, foi aprender a conviver com o clima da região. A
ideia inicial era plantar cana-de-açúcar para abastecer uma usina em Ceará-Mirim,
onde Veloso, pernambucano, havia trabalhado assim que chegou ao Rio Grande do
Norte. “Comprei a fazenda em 1989 e fiz a primeira plantação, mas dois anos
depois toda a cana-de-açúcar morreu. Então, fui estudar para entender o que
tinha acontecido e vi que o clima daqui não era adequado para esse produto”,
relembra.
“Então, tive que buscar uma
alternativa. Quando eu estava na usina, comprava muito esterco de galinha para
adubar a cana. Conversando com o dono da usina, ele disse que a produção de
ovos era um bom negócio. Em 1991, fiz um projeto junto ao Banco do Nordeste
para a criação de 15 mil galinhas. E foi assim que a Fazenda Tapuio nasceu, em
agosto daquele ano”, conta. No início dos anos 2000, veio a criação de
bubalinos, com 20 cabeças inicialmente. Os búfalos, da raça Murrah, de origem
indiana, são de fácil adaptação ao Semiárido.
Nesta época do ano, os animais
de grande porte se destacam em meio à paisagem cinza da região. Para manter a
produção, uma grande infraestrutura para além da pastagem – as chamadas praças
de alimentação (locais em que os animais podem encontrar sombra e água) – foi
instalada. Já a ordenha é feita de maneira automatizada, em uma máquina chamada
carrossel, uma tecnologia importada da Irlanda do Norte. Com ela, é possível
ordenhar 40 animais de uma única vez. Enquanto o carrossel gira, o leite é
sugado e canalizado para o processo de pasteurização. Tudo é pensado para
garantir o bem-estar do animal, que se alimenta durante a ordenha.
A alta qualidade dos produtos garantiu à Fazenda Tapuio inúmeras premiações, dentre elas, duas medalhas – de ouro e super ouro, para o requeijão do norte – no XVIII Encontro Nordestino do Setor de Leite e Derivados (Enel) em 2024. Mas esse não é o único foco da empresa, que aposta, ainda, na sustentabilidade como uma de suas premissas. “Temos coleta de lixo seletivo, estação de tratamento de efluentes, reutilização de efluentes da irrigação e neste ano, a partir de abril, todas as nossas fontes de energia serão renováveis”, afirma Veloso.
Francisco Veloso ampliará
número de cabeças leiteiras em dois anos | Foto: Adriano Abreu




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