Ao ser questionado pela
relatora Eliziane Gama (PSD-MA) sobre a sua proximidade com Bolsonaro, o
ex-diretor da PRF disse que nunca teve “relação íntima” com o ex-presidente e
que sequer votou nele em eleições passadas porque “não morava no Rio de
Janeiro”. Silvinei é investigado pela Justiça do Rio de Janeiro por improbidade
ao pedir voto em Bolsonaro nas eleições do ano passada.
“Eu nunca utilizei do cargo
para benefício eleitoral do presidente, se fosse assim nós teríamos que
autorizar metade dos servidores públicos daquela época”, afirmou Silvinei em
sua defesa. “As fotos que tenho com o presidente Bolsonaro foi porque ele
deixou eu tirar e as fotos foram postadas na minha hora de folga”, prosseguiu.
“Não seria eu que mudaria o resultado da eleição”, concluiu.
Silvinei que se disse alvo da
“maior injustiça da história” deixou a parlamentar irritada ao não dar
informações precisas as suas perguntas. O deputado bolsonarista deputado Éder
Mauro (PL-PA), que não é membro da CPMI, interrompeu a senadora aos gritos
dizendo que o depoente não poderia ser pressionado. Houve bate-boca e a sessão
teve que ser interrompida no momento em que Eliziane mandou o Éder Mauro calar a boca.
Os debates acalorados se
estenderam por todo o dia. O senador Rogério Carvalho (PT-SE) disse que a
oposição acusa os governistas de defender ditadores, mas que seriam eles os
autoritários. “Maduro são vocês!”, disse em referência ao presidente da Venezuela,
Nicolás Madura. Em resposta, o senador Esperidião Amin (PP-SC) rebateu: “Vocês
quem?”.
Silvinei é alvo de inquérito
aberto pela Polícia Federal por conta a atuação da PRF durante os dias de
votação na eleição do ano passado. A investigação apura se a ação policial
teria como objetivo atrapalhar a chegada de eleitores do presidente Luiz Inácio Lula Silva, sobretudo no Nordeste, reduto
político do petista.
No início do depoimento,
Silvinei classificou com “crime impossível” o uso das operações para obstruir o
processo eleitoral. “Como nós teríamos 13 mil policiais no Brasil explicando a
forma criminosa de operar sem ter uma conversa no Telegram, sem ter uma
reunião?”, questionou.
O policial negou interferência
no deslocamento de eleitores e atribuiu as operações no Nordeste à estrutura
que a corporação dispõe na região. “Isso não é verdade. Porque é no Nordeste
brasileiro é que temos nove estados, nove superintendências. Temos a maior
estrutura da PRF no Brasil, a maior quantidade de unidades da PRF”, disse.
A deputada Jandira Feghali
(PCdoB-RJ), disse ter solicitado informações à PRF e acusou Silvinei de
apresentar informações erradas à comissão. “O seu efetivo nos quatro Estados do
Sudeste é maior do que o dos nove Estados do Nordeste. Mais uma vez você dá um
dado errado à CPMI”, afirmou.
Silvinei, contudo, não
respondeu à deputada. Ele também não explicou à relatora os motivos de a PRF
ter destinado a maior parte dos R$ 3,6 milhões disponíveis para pagamento de
diárias no segundo turno à região Nordeste. Ele ainda atribuiu aos chefes
locais da corporação a responsabilidade pelas ordens para a realização das
operações.
No dia do segundo turno das
eleições de 2022, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro
Alexandre de Moraes, chegou a se reunir às pressas com Silvinei para ordenar a
suspensão das blitzes. Na véspera da votação, Moraes expediu decisão para
proibir que a PRF abordasse veículos utilizados no transporte público de
eleitores. Chegado o dia 30, porém, as redes sociais foram tomadas por vídeos
de ônibus no Nordeste paralisados por policiais rodoviários.
Apesar do descumprimento da
ordem judicial, o ex-diretor da PRF fez elogios à atuação de Alexandre de Moraes.
“O ministro foi muito importante nas suas decisões”, disse.
Antes do depoimento de
Silvinei, a CMPI votou requerimentos, como a convocação do ex-ministro do Gabinete de Segurança
Institucional (GSI) do governo Lula, general Gonçalves Dias, o G.Dias. O
presidente do colegiado, Arthur Maia (União Brasil-BA),
também incluiu de última hora a convocação do coronel Jean Lawand, que, por meio de mensagens, pediu ao
ex-ajudante de ordens da Presidência Mauro Cid para interceder junto ao
ex-presidente Jair Bolsonaro por um golpe de Estado para evitar a posse de
Lula.
Silvinei assumiu o posto de diretor-geral
da Polícia Rodoviária Federal em abril de 2021, quando o então presidente Jair Bolsonaro deu
posse a Anderson Torres no Ministério da Justiça. Nas suas
redes sociais, Silvinei aparecia em fotos ao lado de Bolsonaro em eventos do
governo com a presença da PRF.
Durante as eleições, ele
também usou a conta para defender o voto no ex-presidente. Nos stories,
compartilhou uma foto da bandeira do Brasil e escreveu: “Vote 22, Bolsonaro
presidente”. A postagem foi apagada horas depois. Investigado por improbidade
por apoio a Bolsonaro, Silvinei foi exonerado do cargo em dezembro.
A convocação de Silvinei foi
feita durante a última sessão da CPMI, 13, quando o colegiado bateu o martelo para ouvir 36 pessoas nessa primeira
fase - em sua maioria pessoas ligadas ao ex-presidente Bolsonaro.
O requerimento para convocá-lo foi feito pela senadora e relatora Eliziane
Gama (PSD-MA), mas outros três documentos também solicitavam a sua
oitiva, sendo eles apresentados pelos senadores Ana Paula Lobato (PSB-MA)
e Fabiano Contarato (PT-ES);
e pelo deputado federal Rafael Brito (MDB-AL).
Após mais de dois meses de
pressões, presidente do Congresso Nacional e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), aceitou o
pedido de criação da CPMI, em abril de 2023. O colegiado tem como objetivo investigar
os ataques às sedes dos Três Poderes no dia 8 de janeiro; e tem como composição
o total de 32 integrantes, sendo 16 deputados e 16 senadores.
O Estadão

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