O procurador-geral da
República, Rodrigo Janot, disse nesta segunda (17) em Washington que o
Ministério Público não tem pressa para apresentar uma nova denúncia contra o
presidente Michel Temer. O mandato de Janot à frente da PGR termina em
setembro.
No fim de junho, Janot apresentou
uma denúncia contra Temer por corrupção passiva, com base nas
delações premiadas de executivos da J&F. Mas há a
expectativa no meio político de que o procurador esteja
preparando novas acusações.
Durante a palestra, Janot foi
questionado por um jornalista sobre querer apresentar uma nova denúncia antes
do final do mandato. Ele respondeu que não busca celeridade nas investigações.
O procurador afirmou que as apurações devem levar o tempo necessário para
levantar provas sobre a existência ou não de crime.
"O MP não tem pressa e
nem retarda denúncia. Existem investigações em curso e essas investigações, uma
está mais adiantada que outra, e se até o dia 15 de setembro, último dia útil
do meu mandato, eu obtiver esse quadro definido, eu não posso deixar de fazer
isso [apresentar a denúncia], sob pena de prevaricar, de não praticar meu ato
de ofício", afirmou o procurador-geral.
Imunidade
Janot disse também que
para os padrões norte-americanos o conteúdo da delação dos irmãos Batista,
donos da JBS, seria o suficiente para conceder imunidade aos delatores. No
processo, Joesley entregou à procuradoria a gravação de uma conversa com Temer.
Após o acordo de delação,
Joesley e Wesley Batista obtiveram o direito de não responder criminalmente
pelo esquema de propinas que revelaram a procuradores e terão dez anos para
pagar uma multa de R$ 225 milhões.
Os termos foram considerados
no Brasil como muito benéficos em comparação aos que foram acordados com outros
delatores da Operação Lava Jato.
“A pessoa que entrega no curso
do cometimento do crime um presidente da República, eu duvido que para o padrão
norte-americano isso não seria suficiente para entender pela imunidade”,
argumentou Janot no evento em Washington.
O procurador-geral disse,
ainda, que não poderia “engolir seco” e deixar que as pessoas continuassem
praticando crime porque não queria conceder imunidade. Ele ressaltou que
“ninguém se sente feliz concedendo imunidade a criminoso”.
Janot defendeu o processo
usado na procuradoria para determinar os termos dos acordos de delação.
“Jamais um colega vai sozinho
ouvir um delator. Não há nenhuma decisão tomada na hora. Nós deliberamos em
conjunto o que pode ser feito e não pode ser feito”, explicou.
Com informações do G1.Com

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