O presidente da Indonésia não
atendeu a apelos da presidente Dilma Rousseff para poupar a vida de dois
brasileiros presos no país asiático e condenados à morte por tráfico de drogas,
segundo informou nesta sexta-feira (16) o assessor especial para assuntos internacionais
do Brasil, Marco Aurélio Garcia.
Os dois
brasileiros são Marco Archer e Rodrigo Gularte. Segundo Garcia, Dilma conversou
por telefone nesta sexta com o presidente indonésio, Joko Widodo. Ainda de
acordo com o assessor, a execução de Archer deve ser neste domingo (18).
"Não houve
sensibilidade por parte do governo da Indonésia para o pedido de clemência do
governo brasileiro. Em princípio, a execução deve se dar à meia-noite de
domingo, hora de Jacarta, às 15h no horário de Brasília", informou Garcia.
Ainda de acordo com o assessor
de Dilma, o govern brasileiro fez uma série de tentativas para conversar com o
presidente indonésio antes de ser finalmene atendido.
"A presidente manifestou
seu desejo de conversar por telefone com o presidente da Indonésia e,
particularmente, há cerca de oito dias, nós convocamos o embaixador da
Indonésia no Brasil aqui no Palácio do Planalto para transmitir esse desejo da
presidente Dilma. Como não havia resposta, nós convocamos o embaixador uma
segunda vez para informar que para nós parecia urgente que essa conversa
telefônica pudesse ocorrer. Depois de uma série de iniciativas, hoje, pela
manhã, às 8h pelo horário de Brasília, a presidente pode conversar por telefone
com o presidente da Indonésia", informou.
Em nota (veja íntegra abaixo),
o governo brasileiro informou que o presidente Widodo disse “compreender”
o apelo da presidente Dilma com os cidadãos brasileiros, mas ressaltou que não
poderia reverter a sentença de morte imposta a Archer, “pois todos os trâmites
jurídicos foram seguidos conforme a lei indonésia e aos brasileiros foi
garantido o devido processo legal.”
Garcia disse que Dilma
lementou profundamente a decisão da Indonésia e que a postura do país asiático
joga uma "sombra" nas relações entre os dois países.
“A presidente lamentou essa
posição do governo indonésio e chamou atenção para o fato de que essa decisão
cria, sem dúvida, sombras nas relações entre os dois países”, completou o
assessor da Presidência.
Garcia concluiu a entrevista
coletiva dizendo que o governo brasileiro espera que "um milagre reverta
essa situação".
Veja a íntegra da nota
divulgada pelo governo brasileiro:
"NOTA
À IMPRENSA – TELEFONEMA DA PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF AO PRESIDENTE DA INDONÉSIA
A
Presidenta Dilma Rousseff falou ao telefonou, na manhã de hoje, 16 de janeiro,
com Presidente da Indonésia, Joko Widodo, para transmitir apelo pessoal em
favor dos cidadãos brasileiros Marco Archer Cardoso Moreira e Rodrigo Muxfeldt
Gularte, condenados à morte pela Justiça da Indonésia e na iminência de serem
executados.
A
Presidenta ressaltou ter consciência da gravidade dos crimes cometidos pelos
brasileiros. Disse respeitar a soberania da Indonésia e do seu sistema
judiciário, mas como Chefe de Estado e como mãe, fazia esse apelo por razões
eminentemente humanitárias. A Presidenta recordou que o ordenamento jurídico
brasileiro não comporta a pena de morte e que seu enfático apelo pessoal
expressava o sentimento da sociedade brasileira.
O
Presidente Widodo disse compreender a preocupação da Presidenta com os dois
cidadãos brasileiros, mas ressalvou que não poderia comutar a sentença de Marco
Archer, pois todos os trâmites jurídicos foram seguidos conforme a lei
indonésia e aos brasileiros foi garantido o devido processo legal.
A
Presidenta Dilma reiterou lamentar profundamente a decisão do Presidente Widodo
de levar adiante a execução do brasileiro Marcos Archer, que vai gerar comoção
no Brasil e terá repercussão negativa para a relação bilateral."

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