sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

COMÍCIO PELAS DIRETAS-JÁ FOI UM MARCO NA LUTA PELA SUPERAÇÃO DA DITADURA, DIZ LULA




REGIANE SOARESda Folha Online
O comício na praça da Sé (região central de São Paulo), realizado no dia 25 de janeiro de 1984, foi um marco na luta pela superação da ditadura e pela construção da cidadania. A avaliação é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 25 anos após discursar para cerca de 300 mil pessoas que reivindicavam o restabelecimento das eleições diretas no país.

Fernando Santos/Folha Imagem
Então presidente do PT, Lula discursa em comício pelas diretas na praça da Sé, em SP
Na época, o presidente ainda era conhecido como um líder sindicalista que tinha fundado o PT há poucos anos. O país vivia o fim do regime militar. Além de discursar a favor das eleições diretas, Lula também criticou o FMI (Fundo Monetário Internacional) e defendeu a reforma agrária.

"Aquele comício foi um marco na luta do povo brasileiro pela superação da ditadura e pela construção da nossa cidadania. Lembro que eu disse em meu discurso que as diretas eram necessárias para garantir o direito ao trabalho, para enfrentar a dívida externa, afirmar a nossa soberania e para estabelecer uma relação digna com os nossos irmãos da América Latina", afirmou o presidente à Folha Online por e-mail.

Lula disse que hoje, como presidente, tem a chance de trabalhar para tentar transformar em realidade os sonhos daquela época.
"Estou convencido de que só tive essa oportunidade graças ao grito que explodiu na praça da Sé naquele dia", afirmou.

Veja o vídeo do discurso de Lula no comício das Diretas-Já.
O movimento pelas Diretas-Já começou em 1983 e se intensificou no ano seguinte. Políticos, artistas, líderes sindicais e estudantes se uniram em torno de um único objetivo: restabelecer as eleições diretas no país.

Apesar da pressão popular, a emenda constitucional pelas eleições diretas proposta pelo deputado Dante de Oliveira foi rejeitada pelo Congresso Nacional em abril de 1984.

Com a rejeição da emenda, o sucessor do então presidente João Baptista Figueiredo (1979-1985) foi eleito pelo voto indireto do colégio eleitoral. Na ocasião disputaram Paulo Maluf, que representava uma facção do partido do governo, o PDS, e Tancredo Neves, do PMDB, que representava uma aliança formada por partidos de oposição ao regime militar.

Tancredo e seu vice, José Sarney (PMDB), foram eleitos pelo voto indireto. Com a morte de Tancredo, em 21 de abril de 1985, Sarney assumiu a Presidência e governou com os instrumentos dos militares, em especial o decreto-lei.

Nenhum comentário:

Postar um comentário