Segundo projeção da Tendências
Consultoria, enquanto o Produto Interno Bruto do RN deve crescer 0,5% em 2026,
o do Brasil deve crescer 1,9%, e o do Nordeste, 2,2% no mesmo período. Para
2027, a alta do PIB potiguar é projetada em 1,8%.
O declínio na produção do petróleo contribuiu para que a consultoria revisasse para baixo a estimativa anterior de alta do PIB potiguar, que era de 1,4% para 2026. Foto: Junior Santos
O Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Norte deve crescer 0,5% em 2026, segundo projeção da Tendências Consultoria. O percentual, divulgado em junho, foi revisado para baixo em relação à estimativa anterior, de 1,4%, e ficou abaixo da média prevista para o Brasil (1,9%) e para o Nordeste (2,2%). A revisão negativa foi influenciada pelo desempenho mais fraco da indústria e da agropecuária no estado.
De acordo com a Tendências Consultoria, o setor industrial acumula queda de
17,9%, resultado influenciado pelo recuo de 29,9% no refino de petróleo e
biocombustíveis, atividade que responde por mais da metade da produção
industrial do estado. A projeção é feita a partir da análise da estrutura do
PIB do estado e do desempenho recente dos principais setores da economia, como
indústria, serviços e agropecuária.
Segundo a economista da Tendências Consultoria, Giuliana Folego, a queda
sofrida pela indústria está ligada ao declínio da produção de petróleo em
campos maduros e a interrupções operacionais no setor.
“Esse fraco desempenho vem na esteira das fortes altas registradas em 2023 e
2024, decorrentes de melhorias e do aumento da capacidade da Refinaria Clara
Camarão. Mas agora a atividade sofre os efeitos da queda da produção em campos
maduros e de uma série de interrupções operacionais”, explicou.
Segundo o coordenador-geral do Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Norte
(Sindipetro-RN), o desempenho recente do setor de petróleo tem impactado
diretamente a economia do estado. Ele avalia que a queda nos investimentos ao
longo da última década levou também à redução da produção, o que acaba
refletindo no desempenho do PIB estadual.
“Quando cai investimento, cai produção, cai geração de riqueza, cai geração de
emprego. Então, o setor de petróleo, nos últimos 10 anos, vem contribuindo
negativamente para essa redução do PIB do Estado”, afirma.
Roberto Serquiz, presidente da Federação das Indústrias do Estado do RN
(Fiern), defende que o RN precisa enfrentar dois desafios estruturantes para
consolidar um ambiente de negócios mais competitivo: o equilíbrio das contas
públicas e a modernização da legislação ambiental.
“Um ambiente de negócios moderno, aliado à estabilidade fiscal e jurídica,
permitirá que o estado aproveite todo o seu potencial econômico, transformando
suas riquezas naturais em mais empregos, renda e qualidade de vida para a
população”, defende Serquiz.
A consultoria também projeta retração para o setor da agropecuária em 2026,
puxada principalmente pela queda esperada na produção de mandioca, leite, ovos
e carne bovina. “A renda agropecuária do RN está concentrada em poucos
produtos, o que torna o resultado agregado da agropecuária muito sensível a
choques específicos, sejam eles climáticos, de mercado”, analisa Giuliana
Folego.
A Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do RN (Faern) avalia que a revisão
para baixo das projeções de crescimento da economia potiguar merece atenção,
mas deve ser interpretada com cautela. No caso da agropecuária, a federação
afirma que o desempenho dependerá de fatores que ainda podem evoluir ao longo
do ano, como as condições climáticas, o comportamento dos mercados, o ambiente
macroeconômico e o ritmo das exportações.
“É inegável que o setor enfrenta desafios importantes. A elevada variabilidade
climática e a insegurança hídrica continuam impondo limitações à produção em
diversas regiões do estado, enquanto o aumento dos custos de produção,
especialmente com energia, transporte e insumos, reduz a competitividade de
algumas cadeias produtivas”, disse a Faern em nota. “Somam-se a isso gargalos
logísticos, dificuldades de acesso ao crédito para parte dos produtores e um
ambiente regulatório que, em muitos casos, ainda encarece e retarda
investimentos”, acrescenta.
Entre as prioridades defendidas pela Faern para fortalecer a agropecuária estão
a segurança hídrica, a ampliação da infraestrutura de armazenamento e
distribuição de água, modernização de sistemas de irrigação e aumento da
eficiência no uso dos recursos hídricos, a fim de fortalecer políticas que
proporcionem maior previsibilidade para os produtores.
“Da mesma forma, é importante aperfeiçoar o ambiente de negócios, com maior
segurança jurídica, simplificação dos processos de licenciamento, redução da
burocracia e intensificação das ações de abertura e consolidação de mercados
para os produtos potiguares”, destaca a Faern.
Previsão de crescimento do PIB
para 2027
Para 2027, a Tendências
Consultoria projeta crescimento de 1,8% para o PIB potiguar, impulsionado pela
retomada parcial da indústria. “Projeta-se recuperação da atividade econômica,
com a retomada vindo tanto da indústria quanto da agropecuária — movimento
oposto ao observado em 2026”, disse Giuliana Folego.
Em 2027, na indústria, a melhora é puxada pela recuperação parcial do refino de
petróleo e álcool, além do avanço da fabricação de alimentos e da indústria de
transformação. Na agropecuária, o crescimento do arroz e feijão ajuda a
sustentar o setor, apesar das quedas esperadas em milho e carne bovina.
A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec) disse que
estimativas de crescimento estão sujeitas às dinâmicas dos mercados nacional e
internacional. “A expectativa é de continuidade do crescimento econômico,
impulsionado pela consolidação de investimentos estruturantes e pelo
fortalecimento de setores nos quais o estado possui reconhecidas vantagens
competitivas”, destaca a pasta em nota.
O estudo mostra que Bahia, Pernambuco e Ceará concentram a maior parte do PIB
nordestino, enquanto o RN tem participação bem menor no cenário nacional. Em
2023, o estado respondeu por 0,9% do PIB do país, contra 3,9% da Bahia, 2,5% de
Pernambuco e 2,1% do Ceará. Segundo a economista, “fechar essa distância de
forma expressiva no curto ou médio prazo é pouco provável”, devido ao menor
porte populacional e à base produtiva mais limitada do RN.
Vantagens competitivas da
economia potiguar
Segundo o levantamento da Tendências, o RN apresenta vantagens competitivas que podem impulsionar seu crescimento nos próximos anos. “A presença consolidada na cadeia de petróleo, liderança em energia renovável e especialização em fruticultura irrigada formam uma base econômica relativamente”, revela a economista.
O presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne),
Darlan Santos, avalia que há a expectativa de uma nova fase de investimentos,
impulsionada pelo processo de repower (processo de renovação dos projetos).
“Uma oportunidade para o setor é a garantia da venda de sua energia, hoje
cortada por efeito de curtailment. Essas oportunidades podem estar associadas à
atração de indústrias eletrointensivas e que têm interesse no uso de energia
limpa”, cita Darlan Santos.
No setor da fruticultura, as regiões de Mossoró e Assú são referências
nacionais em fruticultura irrigada, com destaque para a produção de melão
voltada à exportação.
O presidente do Comitê Executivo de Fruticultura do RN (COEX), Fábio Queiroga,
revela que os produtores projetam um crescimento contínuo no volume de
exportações para ampliar a presença nacional. “A abertura de mercados
extremamente exigentes, como o chinês, traz a perspectiva de podermos ampliar
bastante o volume de contêineres enviados ao exterior nos próximos anos”,
explica.
O setor de serviços, principal componente da economia potiguar, tem no turismo
um dos seus principais vetores de sustentação e dinamismo, segundo análise da
consultoria. “O turismo continuará sendo um dos principais motores do
desenvolvimento econômico do RN. O estado reúne atrativos consolidados e uma
cadeia produtiva forte, que movimenta o comércio e os serviços em diversas
regiões”, analisa a Fecomércio/RN.
Segundo o Sindipetro, o RN ainda tem grande potencial no setor de petróleo em
terra, com cerca de 140 blocos com reservas que dependem de investimentos para
entrar em produção. “O grande desafio é conseguir fazer a união de esforços
entre a Petrobras e as empresas privadas que produzem petróleo no RN”, destaca
Marcos Brasil.
Setor produtivo pede ambiente
favorável aos investimentos
O presidente da Fiern, Roberto
Serquiz, avalia que a indústria vem apresentando sinais de retomada. “No
entanto, para transformar potencial em desenvolvimento sustentável, será
fundamental criar um ambiente favorável aos investimentos, com mais segurança
jurídica e infraestrutura adequada”, aponta.
Gargalos estruturais também limitam o crescimento de setores exportadores do
estado, conforme o presidente do COEX. “Logística e escoamento é o nosso maior
calcanhar de Aquiles. Precisamos de portos eficientes, fretes marítimos com
preços competitivos e rotas confiáveis”, disse Fabio Queiroga.
Segundo Marcos Brasil, a retomada do crescimento do setor de petróleo no RN
depende da realização de novos investimentos para reativar poços já perfurados
e ampliar a produção. “São poços que já são perfurados, em torno de 700 poços,
que se tiver uma manutenção eles vão voltar a produzir, aumentar a produção e
aumentar a riqueza”, disse.
A Fecomércio RN avalia que o fortalecimento do turismo potiguar depende
diretamente de avanços estruturais em áreas-chave da economia. “É fundamental
avançar em infraestrutura, qualificação profissional e promoção contínua do
destino para além do sol e mar”, destaca.
Ananda Miranda/Repórter
Tribuna do Norte

Nenhum comentário:
Postar um comentário