domingo, 14 de junho de 2026

RN lidera índice de adesão à B3 no Nordeste e soma R$ 3,22 bi em ativos

O RN soma 57 mil investidores pessoa física na Bolsa, com R$ 3,22 bilhões aplicados em renda variável. Com adesão de 1,64% da população — ou 1,87% considerando o número de contas —, o estado lidera o Nordeste em participação na B3.

Analista aponta que o interesse pela Bolsa de Valores está em franco crescimento no RN, embora ainda prevaleça no Estado o perfil de um investidor mais conservador| Foto: Magnus Nascimento

O Rio Grande do Norte soma 57 mil investidores pessoa física na Bolsa de Valores do Brasil (B3). Juntos, eles mantêm R$ 3,22 bilhões custodiados (investidos e aplicados) em ativos de renda variável, segundo dados da própria B3 atualizados no início deste mês. Ao todo, o RN soma 64,6 mil contas na Bolsa, sendo que cada CPF pode ter mais de uma conta. Levando em consideração a população estimada do estado (de 3,4 milhões de habitantes, segundo o IBGE), a adesão dos potiguares à B3 é de 1,64% - esse índice sobe para 1,87% quando se considera o número de contas, colocando o estado com a maior adesão entre as nove unidades federativas do Nordeste.

Ainda levando em conta a proporção número de contas/população, Pernambuco é o segundo estado da região com maior adesão (1,77%), seguido do Ceará e de Sergipe (cada um com 1,72% de adesão) e da Bahia (1,63%). No Maranhão está a menor adesão, de acordo com os dados cruzados pela reportagem (de apenas 1%).

Em termos de valores nominais sob custódia na B3, a Bahia lidera, com um volume de R$ 15,53 bilhões, acompanhado de Pernambuco (R$ 10,18 bilhões), Ceará (R$ 9,79 bilhões) e Maranhão (R$ 6,85 bilhões). O RN e a Paraíba (R$ 2,74 bilhões) vêm em seguida neste recorte, enquanto o Piauí ocupa a última posição, com R$ 1,32 bilhão.

Em uma análise por quantitativo de contas, a Bahia (242,4 mil contas) alcança o primeiro lugar entre os estados do Nordeste. Depois vêm Pernambuco (169,7 mil contas), Ceará (160 mil), Maranhão (70,8 mil), Paraíba (67,3 mil) e o RN (64,6 mil) em sexto lugar. Os dados mostram, portanto, que o investidor norte-rio-grandense possui um patrimônio aplicado maior por conta do que o investidor paraibano. Neste comparativo, Sergipe ocupa a última posição, com 39,7 mil contas.

Em todo o País, de acordo com a B3, são 6,4 milhões de contas, com um volume de R$ 661,9 bilhões custodiados. Apesar de ter a maior adesão no comparativo do número de contas/população, a participação total do RN na B3 é de apenas 0,49%.

Juliana Miranda assessora investidores há 21 anos no mercado| Foto: Cedida

Segundo a assessora de investimentos Juliana Miranda, da Avin Investimentos, empresa com cartela de clientes no Rio Grande do Norte, os números no Estado, de um modo geral, mostram que o interesse pela Bolsa está em franco crescimento, embora ainda prevaleça no RN o perfil de um investidor bancarizado e conservador. “Isso significa que esse investidor aplica o dinheiro em emissões bancárias, como CDBs, LCIs e LCAs”, afirma Juliana Miranda.

Além disso, de acordo com a assessora, os potiguares também investem bastante em produtos de renda fixa, como CRIs, CRAs, e debênturas, emitidos por empresas e atrelados ao IPCA. “No entanto, a gente observa, no RN e no Nordeste, um interesse crescente por produtos menos tradicionais, como os investimentos na Bolsa. Então, há muito espaço para crescimento”, avalia Juliana, que é economista CFP (especialista em mercado financeiro e planejamento pessoal) e atua no mercado há 21 anos.

“Para se ter uma ideia desse crescimento, o Nordeste registrou alta de 112% entre 2020 e 2023 no número de investidor pessoa física indo em busca da B3. É um índice superior ao do Sul e Sudeste, onde esse tipo de investimento já é consolidado. Nesse sentido, estamos em uma velocidade muito maior do que estávamos antigamente. E a gente espera que, com a queda da taxa Selic, aguardada com ansiedade pelo mercado, essa corrida [pela B3] ganhe ainda mais fôlego”, afirma a especialista.

Investimentos representam 3,16% frente ao PIB potiguar

O valor total investido pelos potiguares em renda variável na Bolsa de Valores representa 3,16% frente ao Produto Interno Bruto (PIB) local, que é de R$ 107,1 bilhões, segundo o IBGE. Os dados da B3 revelam que os homens são maioria entre os investidores da Bolsa no RN. Eles detêm 49,9 mil contas, com uma soma total de R$ 2,68 bilhões custodiados. Já as mulheres respondem por 14,6 mil contas, que somam R$ 0,53 bilhão. O cenário acompanha o que se observa no restante do Brasil. Em todo o País, os homens respondem por 4,7 milhões de contas na Bolsa, que resultam em R$ 502,15 bilhões. As mulheres, por sua vez, são responsáveis por 1,7 milhão de contas, que somam R$ 159,83 bilhões custodiados.

Os valores custodiados são aqueles investidos e aplicados e que ficam sob custódia da Bolsa. Eles estão separados de operações opcionais, como a movimentação de produtos onde são colocadas alavancagens (na alavancagem é utilizado dinheiro emprestado para melhorar a exposição de um investimento no mercado).

“Como exemplo, podemos pensar em um investidor que compra mil cotas de uma empresa por R$ 40 cada, totalizando R$ 40 mil dentro da B3. Mas o investidor terá um valor maior se ele quiser fazer uma alavancagem em cima desse produto. No entanto, o montante custodiado continuaria sendo R$ 40 mil”, explica Juliana Miranda.

Ela orienta que, para início dos investimentos na Bolsa, alguns cuidados devem ser tomados. “Para começar, o mais indicado é se alfabetizar sobre o tema, com educação financeira. Depois, é preciso desmistificar que, para investir, é necessário muito dinheiro. O que é preciso, na verdade, é disciplina e recorrência. Uma dica muito importante é separar as economias em três caixinhas – uma para reserva emergencial, uma para a construção de patrimônio e a terceira para a aposentadoria”, ensina.

Após isso, a orientação da especialista é que, para investidores inexperientes, o ideal é aplicar algo em torno de 5% a 7% da renda em ativos. Para os mais experientes, o investimento pode ser maior, entre 7% e 15%. Para o investidor sofisticado – aquele que já tem um nível avançado de conhecimento e até opera sozinho, a alocação em recursos deve ser em torno de 15% a 25% do próprio patrimônio, conforme orienta a assessora em investimentos. “Lembrando que o mais importante é respeitar o perfil de cada um”, pondera.

O médico Eduardo Faria, de 53 anos, vem de uma família com longa tradição em investir na B3. Familiarizado com o assunto desde criança, o investidor afirma que a dica de ouro é planejar. Faria conta que, ainda menino, o pai já comprava ações em nome dele. Por volta dos 25 anos, o médico assumiu os investimentos por conta própria, com foco no longo prazo. Segundo ele, isso garante mais tranquilidade, sem preocupações quanto a oscilações da Bolsa.

“Quem investe, conhece bem o Plano 15 mais, que consiste em estabelecer metas em um ano, cinco anos e mais. No primeiro ano, cria-se uma reserva de emergência. Nesta fase, nada de pensar na Bolsa, apenas em renda fixa. Em cinco anos, a meta é ter uma reserva para trocar o carro ou fazer uma viagem, com investimentos também em renda fixa. Depois dos cinco anos, parte do que é investido deve ir para renda fixa e a outra para renda variável”, comenta o médico, que traz na bagagem cerca de 25 anos de investimentos na Bolsa.

Investimentos dos potiguares no Tesouro Direto

Além dos investimentos custodiados em renda variável, os potiguares somam R$ 1,8 milhão em aplicações no Tesouro Direto. De acordo com a B3, são 36,3 mil investidores no Rio Grande do Norte – em todo o Brasil eles são 3,4 milhões, que somam R$ 235,6 bilhões em custódia. Os números sobre a participação do RN nas aplicações do Tesouro ajudam a entender, de forma mais consistente, o quanto o investidor local é conservador.

O Tesouro Direto é uma alternativa em renda fixa em que o investidor sabe, no momento da aplicação, quanto o dinheiro vai render no futuro. A B3 explica que, além de ser um produto simples de investir e possibilitar a escolha por títulos que rendam algum dinheiro ao investidor no curto, no médio e no longo prazos, o tesouro é extremamente seguro e permite aplicações iniciais a partir de R$ 30. Ao investir, o interessado adquire um título com a segurança do Tesouro Nacional. Cada título tem uma data própria de vencimento definida, mas é possível resgatá-lo antes do prazo final contratado.

A assessora em investimentos Juliana Miranda analisa que o interesse dos potiguares por renda fixa tem a ver com diferentes fatores. “O RN e o Nordeste ainda são mais propensos ao consumo do que à preservação de fundos de investimento.

E a região, de um modo geral, possui menos escritórios de assessoria, então tudo isso provoca reflexos na hora de diversificar e de apostar em produtos mais elitizados e sofisticados. Para isso, e é importante que se diga, o ideal é ter o acompanhamento de profissionais com ampla experiência no mercado”, pontua a especialista.

Números

Investimentos na B3 nos estados do Nordeste

Número de contas
BA 242.433
PE 169.752
CE 160.008
MA 70.823
PB 67.325
RN 64.664
AL 44.908
PI 40.816
SE 39.710

Valor sob custódia
BA R$ 15,53 bi
PE R$ 10,18 bi
CE R$ 9,79 bi
MA R$ 6,85 bi
RN R$ 3,22 bi
PB R$ 2,74 bi
SE R$ 1,79 bi
AL R$ 1,62 bi
PI R$ 1,32 bi

Adesão à B3*
RN 1,87%
PE1,77%
CE 1,72%
SE 1,72%
BA 1,63%
PB 1,61%
AL 1,39%
PI 1,20%
MA 1%

*O percentual de adesão foi calculado levando em consideração o número de contas na B3 e a população estimada pelo IBGE em 2025 em cada estado

Fonte: B3

Felipe Salustino/Repórter

Tribuna do Norte

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