Foto ilustrativa: Cícero Oliveira – Agecom/UFRN
O Junho Violeta reforça a importância do diagnóstico precoce do ceratocone, doença ocular que pode comprometer a visão e está entre as principais causas de transplante de córnea. A campanha busca conscientizar a população sobre os sinais da doença e estimular o acompanhamento oftalmológico regular.
Segundo o oftalmologista Anderson Martins, muitos casos que evoluem para a necessidade de transplante poderiam ser evitados com diagnóstico e tratamento precoces. “O ceratocone é a principal causa de transplante de córnea no Brasil. Se a doença for identificada cedo, conseguimos evitar que muitos pacientes cheguem aos estágios mais avançados”, afirma.
A doença provoca o afinamento e a deformação progressiva da córnea, estrutura transparente localizada na parte frontal do olho.
Com a evolução do quadro, a córnea perde seu formato arredondado e assume uma forma semelhante a um cone, causando distorção das imagens e redução da qualidade visual. “O ceratocone deforma a córnea. Ela vai ficando cada vez mais pontuda e passa a transmitir a imagem de forma distorcida, causando baixa visão”, explica o especialista.
O alerta ganha ainda mais relevância no Rio Grande do Norte, que contabiliza atualmente 636 pacientes na fila de espera por um transplante de córnea.
Apenas nos cinco primeiros meses de 2026, foram realizados 72 procedimentos no estado. Em comparação, foram registrados 183 transplantes em 2025, 198 em 2024, 143 em 2023 e 129 em 2022, de acordo com dados da Secretaria do Estado de Saúde Pública (Sesap).
Entre os sinais de alerta para o ceratocone estão visão embaçada, sensibilidade à luz, dificuldade para enxergar detalhes e mudanças frequentes no grau dos óculos.
Como os sintomas iniciais costumam ser discretos, muitos pacientes demoram a procurar atendimento. “Quando ela começa a ficar muito deformada, a gente pode precisar, inclusive, de transplante de córnea e é aqui que entra o ponto-chave da necessidade da campanha”, disse.
O diagnóstico é realizado por meio de avaliação oftalmológica e exames específicos que analisam a curvatura e a espessura da córnea. Quando identificado precocemente, o ceratocone pode ser controlado por meio de tratamentos capazes de impedir ou retardar sua progressão.
Nos casos iniciais, o acompanhamento médico pode incluir o tratamento das
alergias oculares e a orientação para eliminar o hábito de coçar os olhos. Em
situações mais avançadas, procedimentos como o crosslinking – técnica que
fortalece a estrutura da córnea – e o implante de anel intracorneano podem ser
indicados.
“Existem tratamentos capazes de estabilizar o ceratocone e impedir sua evolução. Por isso, o acompanhamento precoce é fundamental”, destaca.
Embora os casos mais graves possam causar perda importante da visão, o especialista ressalta que a maioria das situações pode ser tratada adequadamente quando a doença é diagnosticada a tempo.
A orientação do especialista é que pessoas que apresentam coceira frequente
procurem acompanhamento oftalmológico o quanto antes. “O mais importante é
conscientizar a população sobre os riscos de coçar os olhos e sobre a
necessidade de procurar um oftalmologista regularmente. O diagnóstico precoce
continua sendo a melhor forma de evitar complicações”, explica o médico.
Doença é mais comum em adolescentes
A atenção deve ser redobrada entre crianças e adolescentes. De acordo com o oftalmologista, o ceratocone costuma surgir entre os 10 e 18 anos de idade, período em que os pais devem ficar atentos a sinais como coceira frequente nos olhos e queixas relacionadas à visão.
Um dos principais fatores associados ao desenvolvimento e à progressão da doença é justamente o hábito de coçar os olhos, principalmente entre pacientes que sofrem com alergias oculares. Por isso, a recomendação é buscar avaliação médica sempre que esse comportamento for observado.
“Primeiro é observar se seus filhos coçam os olhos, porque o ceratocone é uma
doença que aparece por volta dos 11 anos de idade. Se a criança é mais alérgica
ou tem o hábito de coçar os olhos, é importante procurar um oftalmologista.
Muitas vezes, o diagnóstico pode ser feito durante uma consulta de rotina”,
orienta Martins.
Tribuna do Norte

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