quarta-feira, 20 de maio de 2026

RN discute revisão da lei ambiental para desburocratizar licenciamentos

Evento realizado pelo Crea-RN discutiu, nesta terça, impactos das mudanças nas regras ambientais e desafios da fiscalização | Foto: Adriano Abreu

A revisão da legislação estadual sobre licenciamento ambiental foi um dos temas de um evento promovido pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Norte (Crea-RN) nesta terça-feira (19), em Natal. O encontro reuniu especialistas para debater o tema e os impactos da legislação federal. A atualização da lei estadual é necessária para adequação às normas federais após a entrada em vigor da Lei nº 15.190/2025, conhecida como Lei Geral do Licenciamento Ambiental.

Segundo Werner Farkatt, diretor-geral do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte, a atualização da Lei Complementar nº 272/2004 está em tramitação na Procuradoria-Geral do Estado e deve ser votada na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Ele explicou que o processo de emissão de licenças ambientais para algumas atividades deve mudar, deixando de ser de responsabilidade exclusiva do órgão ambiental.

“Algumas atividades que hoje licenciamos passarão a ser autodeclaratórias, e a responsabilidade passa a ser do profissional que assinou o projeto, que vai se apropriar de todo um regramento estadual, federal e municipal”, afirma Farkatt. Segundo ele, esse profissional, que pode atuar em diferentes áreas técnicas, elaborará um documento equivalente à licença ambiental, informando as características do projeto e o impacto ambiental da atividade.

Para a engenheira civil Larissa Dantas, diretora institucional do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Norte, o encontro realizado nesta terça-feira “contribui tecnicamente para o debate da legislação nas áreas de engenharia e direito”. “Defendemos um debate técnico, e não ideológico, sempre alinhado ao desenvolvimento estadual”, afirma.

Larissa Dantas destaca que o evento “Diálogos sobre Licenciamento Ambiental” faz parte de uma série de ações do Crea-RN previstas para ocorrer mensalmente. Estão programados encontros específicos para discutir o licenciamento ambiental nas áreas de mineração, construção civil, óleo e gás, agronegócio e energias renováveis.

Já Roberto Wagner, presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Norte, ressalta que o estado vive um processo de adaptação. “O RN vem assumindo um papel de protagonista na transição energética, por meio das energias renováveis, e agora a mineração ganha força. É preciso reunir essas condicionantes ambientais com licenciamento e governança forte, mas também com agilidade”, diz. Ele avalia que a demora e a burocracia nos procedimentos de licenciamento atrasam projetos e travam investimentos no estado.

Werner Farkatt afirma que as mudanças previstas na nova legislação devem dar mais celeridade ao processo de licenciamento, embora a fiscalização mantenha o rigor técnico. Segundo ele, caso o órgão ambiental identifique irregularidades durante as fiscalizações, tanto o empreendimento quanto o profissional técnico responsável poderão ser responsabilizados.

De acordo com o diretor-geral do Idema-RN, o maior gargalo do órgão ambiental atualmente é a falta de servidores, situação que deve ser amenizada com a posse dos aprovados no último concurso público. “Tivemos 180 profissionais aprovados no primeiro concurso público do Idema em 40 anos de história. Quando assumirem, eles vão dar outra cara ao Instituto, porque serão servidores públicos com estabilidade profissional”, afirmou.

A proposta do evento promovido pelo Crea-RN foi discutir os principais pontos, desafios e atualizações do licenciamento ambiental no Rio Grande do Norte. O encontro abordou temas como celeridade dos processos de licenciamento, exigências técnicas, desafios operacionais e os reflexos dessas atualizações para o desenvolvimento sustentável e econômico do estado.

Tribuna do Norte

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