Foto: Luiz Roberto/TSE
O ministro Kassio Nunes
Marques foi sorteado nesta segunda-feira, 11, relator do pedido de revisão
criminal apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro ao Supremo
Tribunal Federal (STF). A ação foi protocolada na última sexta-feira, 8, e busca
anular a condenação de 27 anos de prisão imposta ao ex-presidente por tentativa
de golpe de Estado.
O sorteio não contou com os nomes de Cristiano Zanin, Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia, nomes da Primeira Turma, que julgou Bolsonaro. Além disso, Luiz Fux, integrante da Segunda Turma, mas que também participou do julgamento antes da transferência, também ficou de fora.
Na petição enviada ao STF, os
advogados pedem a absolvição de Bolsonaro dos crimes contra o Estado
Democrático de Direito e alegam que o julgamento realizado pela Primeira Turma
da Corte foi irregular. O documento tem 90 páginas.
A revisão criminal é assinada
pelos advogados Marcelo Bessa e Thiago Lôbo Fleury, ex-assessor do ministro
Luiz Fux no Supremo. Fux integrava a Primeira Turma durante o julgamento e
votou pela absolvição de Bolsonaro.
Um dos advogados do
ex-presidente afirmou ao Estadão que a ação não tem relação com a
nova lei da dosimetria aprovada pelo Congresso, que pode reduzir penas de
condenados pelos atos golpistas. "A questão da dosimetria deve ser tratada
na execução penal e a aplicação da nova lei ocorre no âmbito da execução.
Revisão criminal não é recurso. É ação que busca reparar violações legais,
dentre outros motivos, em uma ação penal transitada em julgado", disse
Bessa.
O processo que resultou na
condenação do ex-presidente foi relatado pelo ministro Alexandre de Moraes. Os
advogados ainda pedem manifestação da Procuradoria-Geral da República sobre a
ação.
Caso esses pedidos para
anulação do caso não sejam acolhidos, a defesa de Bolsonaro requer a absolvição
completa do ex-presidente de todos os crimes envolvendo a trama golpista
imputados a ele.
Os advogados pedem a revisão
das condenações por organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa
de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Segundo a defesa, não
houve demonstração concreta de participação individual de Bolsonaro, nem atos
executórios que comprovassem tentativa de depor o governo democraticamente
eleito com o uso de violência ou grave ameaça.
O pedido inclui também o
afastamento das acusações relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023, como
os crimes de dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A
justificativa é de que não há provas de autoria, participação, instigação ou
vínculo subjetivo de Bolsonaro com os executores dos ataques à sede dos Três
Poderes.
Ao final, os advogados pedem
autorização para apresentar e usar todas as provas permitidas pela lei para
tentar comprovar os argumentos da defesa no processo.
Em setembro do ano passado, a
Primeira Turma do STF condenou Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão pelos
crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição
violenta do Estado Democrático de Direito, deterioração de patrimônio tombado e
dano qualificado contra o patrimônio da União. Os outros sete réus envolvidos
na trama golpista também foram condenados pelos mesmos crimes, em um placar de
4 a 1.
Na última sexta-feira, o
presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), promulgou a Lei da
Dosimetria, que prevê a revisão das penas dos condenados por crimes contra o
Estado Democrático de Direito. O projeto havia sido vetado totalmente por Lula
em 8 de janeiro deste ano, durante solenidade no Palácio do Planalto em memória
dos três anos dos atos antidemocráticos.
Em 20 de abril, o Congresso
derrubou, por 49 votos a 24 no Senado, o veto presidencial e beneficiou
diretamente o Bolsonaro Na Câmara, a derrubada do veto foi aprovada por 318
votos a 144, com cinco abstenções. Com a derrubada do veto, o ex-presidente poderia
ter sua pena reduzida para 20 anos.
Em abril deste ano, o
ex-presidente teve prisão domiciliar humanitária concedida por Moraes em março,
com prazo inicial de 90 dias, para se recuperar da broncopneumonia. Antes, ele
cumpria pena no 19.º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido
como Papudinha.
Estadão Conteúdo

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