STF retoma nesta quarta (06), após 13 anos, julgamento da lei 12.734/2012 sobre royalties do petróleo, suspenso desde 2013; RN, CNM e 18 estados defendem a redistribuição dos recursos.
A CNM e 19 estados, incluindo
o RN, são favoráveis à redistribuição dos royalties do petróleo e gás | Foto:
Alex Régis
O julgamento da lei que
modifica a distribuição dos royalties do petróleo será retomado pelo STF
(Supremo Tribunal Federal) nesta quarta-feira (06) após 13 anos. A Corte irá
debater acerca da constitucionalidade da lei 12.734/2012, aprovada pelo
Congresso ainda durante o governo Dilma Rousseff. O processo, que trata da
divisão dos recursos entre estados produtores e não produtores de petróleo e
gás natural, estava suspenso desde 2013 por decisão liminar da ministra Cármen
Lúcia. O Rio Grande do Norte, ao lado da Confederação Nacional dos Municípios
(CNM) e mais 18 estados, é favorável à redistribuição aprovada pela lei de
2012.
Dados da ANP apontam que o Rio
Grande do Norte arrecadou R$ 238,33 milhões em royalties do petróleo em 2025.
Já os municípios potiguares receberam repasses de R$ 382,71 milhões. No total,
o valor distribuído entre o estado e os municípios foi de R$ 621 milhões no ano
passado.
De acordo com Pedro
Albuquerque, assessor técnico do Observatório da Indústria Mais RN, da Fiern, a
suspensão da lei representou uma perda de oportunidade fiscal relevante para o
RN. “A estimativa de 2019 apontada pela CNM indicava uma perda potencial de R$
8,3 bilhões, sendo R$ 5,7 bilhões para o Governo do Estado e R$ 2,66 bilhões
para os municípios, caso não houvesse mudança na repartição”.
Dados mais recentes apontam
que 144 dos 167 municípios potiguares teriam sido afetados, com perdas
acumuladas de R$ 762 milhões de 2013 a 2024 – ou seja, caso a lei estivesse em
vigor, a distribuição beneficiaria o RN. “Em termos fiscais, isso afeta diretamente
a capacidade de planejamento municipal. Municípios menores, com baixa base
tributária própria, tendem a depender mais de transferências
intergovernamentais”, diz Albuquerque.
Para Zé Augusto, presidente da
Federação dos Municípios do RN (Femurn), a redistribuição é estratégica. “Isso
é de fundamental importância, porque os municípios, principalmente os pequenos,
como a maioria aqui no RN, dependem de repasses constitucionais. E estão
ocorrendo quedas de arrecadação”, afirmou em entrevista à rádio Jovem Pan News
Natal nesta terça-feira (5).
Os grandes estados produtores
estimam prejuízos bilionários caso a lei seja tida como constitucional pelo
Supremo. Os mais impactados devem ser o Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito
Santo, que juntos receberam mais de 90% dos royalties pagos aos estados em
2025, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis).
O processo começou por meio de
ação movida pelo estado do Rio de Janeiro, que responde por cerca de 86% da
produção nacional de petróleo. Na ação, o Rio alega que a lei é
inconstitucional. Em 2013, a decisão liminar da ministra Cármen Lúcia suspendeu
os efeitos da lei e manteve as regras atuais de distribuição.
A decisão do STF poderá
redefinir a forma como os royalties são distribuídos no país. Segundo a Lei
12.734/2012, estados e municípios não produtores passam a ter direito a 49% da
arrecadação com royalties do petróleo, ante os 7,5% praticados hoje. A distribuição
segue critérios dos fundos de participação de estados e municípios.
Para a CNM, há uma “forte
desproporcionalidade” na arrecadação dos royalties. “Em conjunto com 19
estados, a CNM defende a correção dessas distorções sem excluir os entes
confrontantes da partilha”, diz comunicado da entidade.
A lei foi aprovada em 2012 na
esteira de debates sobre a criação de um fundo para investimentos em educação e
saúde com recursos da atividade petrolífera. À época, Dilma Rousseff vetou a
lei, mas o veto foi derrubado pelo Congresso.
A proposta articulada pela CNM
neste ano dispensa o pagamento retroativo dos royalties e prevê transição
gradual da distribuição dos recursos entre estados e municípios.
Hugo Fonseca, secretário
estadual de Desenvolvimento Econômico do RN, destaca que a distribuição dos
royalties é realizada para 107 municípios potiguares e é parte essencial de
suas economias. “Qualquer alteração, seja para mais ou para menos, terá impacto
do ponto de vista econômico para esses municípios, que hoje já contam com esse
recurso até para pagamento de folhas salariais e manutenção de serviços
básicos”, diz.
Segundo Pedro Albuquerque, do
Observatório da Indústria, o RN é favorável à lei por considerar que ela reduz
as desigualdades regionais ante um “critério de repartição que se tornou
desproporcional diante da nova escala econômica da exploração marítima (pré-sal)
no eixo entre São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo”.
Procurada pela reportagem, a
ANP afirmou que “não comenta ações judiciais em andamento” e que faz a
distribuição dos royalties com base nos critérios previstos em lei.
Tribuna do Norte

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