O pagamento de pendências financeiras deve ser a prioridade entre os contribuintes que vão receber a restituição do Imposto de Renda 2026 entre maio e agosto deste ano. Segundo levantamento realizado pela Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, 36% pretendem usar a quantia para quitar dívidas. Na avaliação de especialistas ouvidos pela reportagem da TRIBUNA DO NORTE, o cenário pode ser explicado pelo alto endividamento das famílias brasileiras. Eles apontam algumas dicas que devem ser seguidas na hora de usar o benefício.
Neste ano, os valores da restituição serão pagos em quatro lotes, com o primeiro depósito previsto para esta sexta-feira (29). No RN, segundo dados da Receita Federal, 96,2 mil contribuintes serão contemplados, totalizando R$ 193,6 milhões em restituição do IR 2026.
O levantamento da Serasa aponta que 45% dos brasileiros já recorreram à restituição do IR recebido em anos anteriores para reorganizar a vida financeira e quitar pendências. Além dos 36% que pretendem quitar dívidas neste ano, 31% planejam guardar o dinheiro e 29% devem investir.
A especialista em educação financeira da Serasa, Gabriela Siqueira, esclarece que a escolha de quitar as dívidas está associada ao alto nível de endividamento dos brasileiros. De acordo com dados do Mapa da Inadimplência da Serasa, referentes ao mês de abril, mais de 83 milhões de brasileiros estão negativados, o equivalente à metade da população adulta do país.
“A restituição do imposto de renda não é vista pelo brasileiro apenas como um recurso extra, mas também como uma oportunidade de virar a página e reorganizar a vida financeira para voltar a recuperar o equilíbrio nas finanças do dia a dia”, destaca.
Para o economista Helder Cavalcanti, o cenário de comprometimento da renda é acompanhado pelo aumento no uso do cartão de crédito para complementar o orçamento, juros elevados, gastos com apostas esportivas, além da falta de educação financeira.
“Nesse contexto, a restituição do IR surge como uma oportunidade estratégica de reorganização financeira. O recurso permite reduzir dívidas, recuperar a capacidade de consumo e restabelecer o equilíbrio do orçamento familiar”, aponta.
Para usar a restituição de forma responsável, Helder Cavalcanti observa que a primeira orientação é não considerar o valor uma renda extra destinada exclusivamente ao consumo. Na sequência, o contribuinte deve realizar um diagnóstico da própria situação financeira, identificando dívidas, despesas fixas, gastos recorrentes e metas.
Gabriela Siqueira explica que os contribuintes podem identificar, por meio do aplicativo da Serasa, quais dívidas estão em seu nome. Nos casos de mais de uma pendência, ela recomenda dar prioridade para a que está deixando o nome negativado e conferir as condições de pagamento.
“Em alguns casos, a restituição pode não cobrir 100% da dívida, mas ainda é uma possibilidade de pagar com as condições de parcelamento disponíveis, por exemplo, no Serasa Limpa Nome. É importante, também, colocar as dívidas e os gastos do dia a dia em uma planilha para entender como usar essa restituição”, completa a especialista.
Na avaliação de Helder Cavalcanti, a prioridade deve ser a quitação ou
amortização das dívidas que possuem maiores taxas de juros: “Após a redução dos
passivos, é recomendável destinar parte dos recursos para a formação de uma
reserva de emergência, que protege a família diante de imprevistos e reduz a
necessidade de recorrer ao crédito em momentos de dificuldade”.
RN é destaque em inadimplência no NE
O Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas, realizado pela Serasa, aponta que o Rio Grande do Norte ocupa a 11ª posição entre os estados brasileiros com maior percentual de inadimplentes, alcançando 51,90% da população adulta. No Nordeste, o estado aparece em segundo lugar, perdendo apenas para o Ceará (53,16%). O percentual do Estado também está acima da média nacional, correspondente a 50,81%. Os números são referentes ao mês de abril.
Na avaliação do economista Helder Cavalcanti, o cenário revela uma maior fragilidade financeira por parte da população. “Quando mais da metade da população adulta possui algum tipo de restrição de crédito, estamos diante de um problema que afeta não apenas as famílias, mas toda a dinâmica econômica do estado”, esclarece o profissional.
Gabriela Siqueira pontua que o cenário do Rio Grande do Norte acompanha um
problema nacional desencadeado, dentre outros pontos, pela falta de controle
financeiro. “Muitas pessoas não conseguem entender qual o custo de vida delas
de todo mês, ou seja, não tem clareza sobre o quanto está indo para as contas
básicas e quanto está indo para cartão de crédito, por exemplo”, esclarece.
Tribuna do Norte

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