O porto vem atraindo investimentos nacionais e internacionais| Foto: Magnus Nascimento
A movimentação de cargas no
Porto de Natal cresceu 21,23% em 2025, alcançando 494,9 mil toneladas. No ano
anterior, esse volume havia sido de 408,2 mil toneladas. O desempenho
demonstrou a retomada operacional do terminal, que atraiu recentemente investimentos
internacionais, como o da empresa indiana Fomento do Brasil Mineração.
Na visão do diretor-presidente da Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), Paulo Henrique Macedo, o Porto de Natal tem uma vocação natural para a exportação de frutas, mas há planos para diversificar as cargas nos próximos anos. Macedo cita o arrendamento do Pátio Norte e a possibilidade da movimentação de cargas vivas.
“Estamos estruturando o Porto de Natal para receber novas operações […], além
de intensificar a prospecção de mercados e parcerias com operadores
logísticos”. “Também queremos ampliar as operações de exportação de açúcar, que
acreditamos ser possível, principalmente após finalizarmos as obras de reforma
dos armazéns, que já estão em curso”, afirma.
O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico (Sedec-RN), Hugo Fonseca,
diz que o crescimento no volume de cargas também foi impulsionado por uma
autorização, conseguida em 2024, para a exportação de mercadorias por meio de
paletes de madeira.
Para ele, a medida reduziu custos e atraiu cargas que antes migravam para o
Porto de Pecém (CE). “Isso viabilizou que parte das frutas que antes saiam de
Mossoró e do Vale do Açu e iam, por exemplo, para Pecém, sejam agora
transportadas pelo Porto de Natal”, explica.
“A previsão é de que esse número [de toneladas de carga movimentada] dobre nos
próximos anos por causa dos investimentos na reforma do cais e das dragagens do
canal de acesso e do cais para cargas dos navios”, diz Fonseca.
Apesar do saldo anual positivo, o porto enfrentou oscilações ao longo do ano,
com queda em alguns meses e picos expressivos. Em relação ao mesmo mês de 2024,
fevereiro de 2025 teve um aumento de 419,09% na movimentação de cargas, e
agosto registrou +271,33%. Janeiro (-36,05%), maio (-35,03%), julho (-59,99%) e
dezembro (-2,47) registraram queda.
Outubro de 2025 foi o mês de maior destaque dos últimos três anos, com 80,2 mil
toneladas movimentadas. O recorde foi impulsionado pela combinação da safra de
frutas com o desembarque de trigo e as operações de açúcar, demonstrando a
capacidade multimodal do terminal potiguar.
Segundo Paulo Henrique Macedo, os principais entraves ao crescimento das
atividades do terminal são a falta de defensas da Ponte Newton Navarro e a
falta de dragagem do canal de acesso. As obras previstas no plano de
modernização, como a dragagem e a recuperação do cais, estão em execução e com
previsão de conclusão no segundo semestre de 2026.
Investimentos
Uma das estratégias da Codern para ampliar suas atividades é atrair
investidores e ampliar a participação de empresas estrangeiras em
arrendamentos. “Sempre estamos dialogando com investidores nacionais e
internacionais. Esse trabalho é contínuo e permanente na prospecção de novos
negócios”, diz Macedo.
Entre os novos investidores está a empresa indiana Fomento do Brasil Mineração.
A companhia arrendou o Pátio Norte do equipamento em leilão em fevereiro de
2026 para exportar minério de ferro a partir do segundo semestre de 2028 e deve
investir até R$ 55 milhões ao longo de 15 anos de concessão. O investimento
significa a diversificação de uma pauta historicamente focada em fruticultura.
Já no pátio Sul do terminal, um acordo de transição foi assinado com a empresa
Top Link - braço logístico da Agrícola Famosa - e prevê aportes de até R$ 3
milhões em um ano. O acordo entre a Codern e a Agrícola Famosa, principal
exportadora de frutas do Estado, prevê a cessão do espaço à empresa por um
período de 25 anos.
“Nos últimos anos, está sendo realizado um Plano de Modernização da
Infraestrutura Portuária, que inclui obras como reforma de estruturas, uso de
energia solar, projetos de dragagem, melhorias nas defensas da Ponte Newton
Navarro e melhorias no cais”, destaca Paulo Henrique Macedo.
Como reforço à atividade, Hugo Fonseca, da Sedec, destaca a proposta do Governo
do RN para transformar a antiga área de tancagem da Petrobras em uma retroárea
logística. O terreno poderá ser convertido em pátio de estacionamento e
armazenamento, garantindo maior segurança e agilidade antes do embarque.
Tribuna do Norte

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