quarta-feira, 29 de abril de 2026

Agricultores economizam até 95% com máquinas da China em Apodi

Agricultores de Apodi usam tratores, semeadeiras, colheitadeiras e até drones vindos da China | Foto: Divulgação

A Residência Tecnológica de Mecanização da Agricultura Familiar Brasil-China, instalada em Apodi em 2024, reduziu os custos de produção, com resultados variando de 45% a 90%, conforme a propriedade analisada, além de trazer economia de mão de obra entre 50% e 95% e aumento de 14% na produtividade. O projeto consiste na transferência de tecnologias voltadas à agricultura familiar, por meio da adaptação de máquinas chinesas como tratores, semeadeiras, colheitadeiras e drones, ao semiárido potiguar.

Os dados foram repassados pelo coordenador-geral da residência, o professor Vinícius Claudino de Sá, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), que integra a ação. O projeto é fruto de um acordo de cooperação Brasil-China, firmado em 2022. De acordo com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar (Sedraf-RN), a iniciativa envolve diretamente mais de 80 famílias de agricultores, além de cinco cooperativas, instituições de ensino e estados parceiros.

“Na cultura do arroz, os custos de preparo do solo caíram 88% com as máquinas chinesas em relação ao sistema usado anteriormente. Outro exemplo se dá em relação ao manejo da produção da banana e do feijão, onde o uso do maquinário chinês reduziu em torno de 84% os custos com capina”, detalha a secretária da Sedraf-RN, Cláudia Medeiros Suassuna.

A cidade de Apodi foi a escolhida para contar com o primeiro campo de demonstração e testagem de máquinas agrícolas chinesas na América Latina. Isso porque, diz Claudino de Sá, “Apodi tem características bem interessantes para essa experiência: está no semiárido, tem uma presença muito forte dos movimentos sociais e possui solos bem distintos, o que facilita a logística dos testes”.

O uso de máquinas como tratores, semeadeiras, colheitadeiras e drones adaptados à realidade local tem se mostrado positivo na região. Os principais resultados também incluem aumento de renda e maior participação de agricultoras. A reportagem não obteve dados sobre o aumento real na renda dos produtores, pois essas informações ainda estão sendo validadas.

A secretária da Sedraf-RN pontua que a falta de máquinas adequadas no campo “impacta negativamente a capacidade de plantio e colheita em períodos ideais, reduz a produtividade por hectare, aumenta o esforço físico dos trabalhadores rurais e limita a diversificação e o aumento da renda familiar”.

Segundo o coordenador-geral da residência, “os agricultores relataram alta satisfação com a eficiência de combustível e a usabilidade, embora ainda existam desafios em relação a melhorias ergonômicas, distribuição equitativa de máquinas e prática em outras instituições”.

Testagem de máquinas agrícolas

O professor Victor Freire, assessor de Relações Internacionais da Ufersa, explica que os pesquisadores vieram ao RN “para estudar o comportamento das máquinas no solo do semiárido. Essas máquinas foram projetadas para o clima e solo da China. Aqui, temos um clima e solo completamente diferentes”.

O reitor do IFRN, José Arnóbio, destaca que o Nordeste tem apenas cerca de 3% de mecanização agrícola. “A produção na China é muito parecida com a dos nossos pequenos agricultores. A ideia é fazer uma experiência próxima à nossa e aumentar essa mecanização aqui no Nordeste”, afirma.

A residência é fruto da parceria entre o Governo do Estado do RN, por meio da Sedraf-RN, a Uern, a Universidade Agrícola da China e a empresa chinesa SINOMACH Digital Technology Co.

Pesquisadores da Universidade Agrícola da China, da Uern, da Ufersa e do IFRN atuam no projeto, no Oeste potiguar, em um formato de intercâmbio. A Sedraf-RN lembra que houve a articulação do Consórcio Nordeste, em parceria com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Universidade Agrícola da China (CAU). Atualmente, segundo o professor Vinícius Claudino de Sá, há máquinas sendo testadas no Ceará, na Paraíba e no Maranhão.

“Já passaram lá onze pesquisadores pela residência, sendo nove chineses, um de Etiópia e um do Paquistão. Ela une duas perspectivas: a mecanização e o intercâmbio acadêmico”, explica Cleone Lima, diretor-geral do IFRN campus Apodi.

Fernando Azevêdo/Repórter

Tribuna do Norte

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