A Residência Tecnológica de Mecanização da Agricultura Familiar Brasil-China, instalada em Apodi em 2024, reduziu os custos de produção, com resultados variando de 45% a 90%, conforme a propriedade analisada, além de trazer economia de mão de obra entre 50% e 95% e aumento de 14% na produtividade. O projeto consiste na transferência de tecnologias voltadas à agricultura familiar, por meio da adaptação de máquinas chinesas como tratores, semeadeiras, colheitadeiras e drones, ao semiárido potiguar.
Os dados foram repassados pelo
coordenador-geral da residência, o professor Vinícius Claudino de Sá, da
Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), que integra a ação. O
projeto é fruto de um acordo de cooperação Brasil-China, firmado em 2022. De
acordo com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural e Agricultura
Familiar (Sedraf-RN), a iniciativa envolve diretamente mais de 80 famílias de
agricultores, além de cinco cooperativas, instituições de ensino e estados
parceiros.
“Na cultura do arroz, os
custos de preparo do solo caíram 88% com as máquinas chinesas em relação ao
sistema usado anteriormente. Outro exemplo se dá em relação ao manejo da
produção da banana e do feijão, onde o uso do maquinário chinês reduziu em
torno de 84% os custos com capina”, detalha a secretária da Sedraf-RN, Cláudia
Medeiros Suassuna.
A cidade de Apodi foi a
escolhida para contar com o primeiro campo de demonstração e testagem de
máquinas agrícolas chinesas na América Latina. Isso porque, diz Claudino de Sá,
“Apodi tem características bem interessantes para essa experiência: está no semiárido,
tem uma presença muito forte dos movimentos sociais e possui solos bem
distintos, o que facilita a logística dos testes”.
O uso de máquinas como
tratores, semeadeiras, colheitadeiras e drones adaptados à realidade local tem
se mostrado positivo na região. Os principais resultados também incluem aumento
de renda e maior participação de agricultoras. A reportagem não obteve dados
sobre o aumento real na renda dos produtores, pois essas informações ainda
estão sendo validadas.
A secretária da Sedraf-RN
pontua que a falta de máquinas adequadas no campo “impacta negativamente a
capacidade de plantio e colheita em períodos ideais, reduz a produtividade por
hectare, aumenta o esforço físico dos trabalhadores rurais e limita a diversificação
e o aumento da renda familiar”.
Segundo o coordenador-geral da
residência, “os agricultores relataram alta satisfação com a eficiência de
combustível e a usabilidade, embora ainda existam desafios em relação a
melhorias ergonômicas, distribuição equitativa de máquinas e prática em outras
instituições”.
Testagem de máquinas agrícolas
O professor Victor Freire,
assessor de Relações Internacionais da Ufersa, explica que os pesquisadores
vieram ao RN “para estudar o comportamento das máquinas no solo do semiárido.
Essas máquinas foram projetadas para o clima e solo da China. Aqui, temos um
clima e solo completamente diferentes”.
O reitor do IFRN, José
Arnóbio, destaca que o Nordeste tem apenas cerca de 3% de mecanização agrícola.
“A produção na China é muito parecida com a dos nossos pequenos agricultores. A
ideia é fazer uma experiência próxima à nossa e aumentar essa mecanização aqui
no Nordeste”, afirma.
A residência é fruto da
parceria entre o Governo do Estado do RN, por meio da Sedraf-RN, a Uern, a
Universidade Agrícola da China e a empresa chinesa SINOMACH Digital Technology
Co.
Pesquisadores da Universidade
Agrícola da China, da Uern, da Ufersa e do IFRN atuam no projeto, no Oeste
potiguar, em um formato de intercâmbio. A Sedraf-RN lembra que houve a
articulação do Consórcio Nordeste, em parceria com o Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra (MST) e a Universidade Agrícola da China (CAU). Atualmente,
segundo o professor Vinícius Claudino de Sá, há máquinas sendo testadas no
Ceará, na Paraíba e no Maranhão.
“Já passaram lá onze
pesquisadores pela residência, sendo nove chineses, um de Etiópia e um do
Paquistão. Ela une duas perspectivas: a mecanização e o intercâmbio acadêmico”,
explica Cleone Lima, diretor-geral do IFRN campus Apodi.
Fernando Azevêdo/Repórter
Tribuna do Norte

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