Pelo contrato, que terá vigência de 30 anos, a Vestas será a responsável pela operação e manutenção das turbinas eólicas| Foto: divulgação/VESTAS
A empresa norueguesa de
energia Equinor adquiriu o complexo eólico Esquina do Vento, da Vestas, no Rio
Grande do Norte. O parque de 230 MW de capacidade instalada deve entrar em
operação no Rio Grande do Norte a partir de 2028. O acordo foi conduzido pela
subsidiária da Equinor, Rio Energy, e prevê a possibilidade de abastecimento de
520 mil residências. O valor da operação não foi divulgado.
O início da construção, que contempla áreas dos municípios de Touros e Pureza,
começa no segundo trimestre deste ano. A instalação das turbinas, por sua vez,
está prevista para março de 2027. O complexo será desenvolvido e operado pela
Rio Energy. Pelo contrato, a Vestas será a responsável pela operação e
manutenção das turbinas eólicas, com um contrato de disponibilidade de serviço
e energia de duração de 30 anos.
O Ceo da Vestas América Latina, Eduardo Ricotta, aponta que o novo projeto no
Rio Grande do Norte foi motivado pelo cenário atual de retomada de projetos
eólicos no país após três anos sem novas contratações. Ele acrescenta que a
ideia é que o Esquina do Vento conte com uma gestão compartilhada:
“Praticamente tudo que a gente faz até entregar o parque para eles é 100%
Vestas, com a supervisão da Equinor. Uma vez entregue, inicia a fase de
operação e manutenção. É uma gestão compartilhada, porque tem uma parte que a
Equinor faz e uma parte dentro do serviço que é responsabilidade da Vestas”,
aponta.
O vice-presidente sênior para a área de Power da Equinor, Helge Haugane, aponta
que a aquisição da Esquina do Vento representa a expansão da atuação da empresa
em energia renovável. Atualmente, o portfólio da empresa totaliza cerca de 600
MW de capacidade em participação acionária no Brasil, com operação de
equipamentos de energia eólica e fotovoltaica.
“Com essa aquisição, estamos expandindo nossa atuação em energia renovável e
fortalecendo nosso portfólio integrado de Power, no qual eólica, solar e
comercialização trabalham juntos para fornecer energia competitiva e
confiável”, afirma Helge Haugane.
O complexo eólico Esquina do Vento vai contar com 51 turbinas eólicas do modelo
V163, da Vestas. Para este ano, estão previstas a fundação do parque,
construção de estradas de acesso e a infraestrutura de comunicação.
Em termos de empregabilidade, a estimativa é que o equipamento tenha potencial
para gerar mais de 2,3 mil empregos diretos e indiretos considerando a etapa de
construção e operação, de acordo com projeção da Associação Brasileira de
Energia Eólica (Abeeólica) e do estudo “Ventos que trazem Empregos”, da Agência
Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).
“Cada contrato que a gente assina de parques eólicos gera mais empregos no Rio
Grande do Norte, onde temos o Centro de Serviço da Vestas com quase 800 pessoas
realizando a gestão, supervisão e todo o trabalho de planejamento dos parques”,
aponta Eduardo Ricotta.
Outro ponto destacado pelo CEO da Vestas América Latina se refere ao público
consumidor da energia do Esquina do Vento. Embora a estimativa considere
unidades residenciais, ele aponta que o equipamento mira principalmente as
indústrias.
“Estamos vivendo uma abertura de mercado no setor de energia no Brasil, ou
seja, em breve teremos grandes parques vendendo energia para a casa das
pessoas. Com essa abertura, pode ser que tenha impacto tanto para a venda de
casas de residências quanto para grandes empresas”, explica Eduardo Ricotta.
Curtailment segue como desafio
para renováveis
Embora o cenário seja de retomada para o setor eólico, o CEO da Vestas América
Latina esclarece que o curtailment – que é a redução ou limitação de produção
de energia para equilibrar oferta e demanda ou evitar sobrecarga no sistema –
tem gerado desafios para todo o sistema elétrico do país.
“O Brasil tem excesso de energia, porque tem muita energia solar ao mesmo tempo. O curtailment acontece quando tem muita energia no sistema e o Operador Nacional do Sistema Elétrico começa a cortar a energia. O Governo precisa balancear melhor esses subsídios para termos uma harmonização entre as fontes de energia. É importante que as fontes solar, eólica, biomassa, hidrelétrica, termoelétrica trabalhem em conjunto”, ressalta Eduardo Ricotta.
Kayllani Lima Silva/Repórter
Tribuna do Norte

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