quarta-feira, 25 de março de 2026

Vestas e Equinor viabilizam novo parque eólico no RN

Pelo contrato, que terá vigência de 30 anos, a Vestas será a responsável pela operação e manutenção das turbinas eólicas| Foto: divulgação/VESTAS

A empresa norueguesa de energia Equinor adquiriu o complexo eólico Esquina do Vento, da Vestas, no Rio Grande do Norte. O parque de 230 MW de capacidade instalada deve entrar em operação no Rio Grande do Norte a partir de 2028. O acordo foi conduzido pela subsidiária da Equinor, Rio Energy, e prevê a possibilidade de abastecimento de 520 mil residências. O valor da operação não foi divulgado.

O início da construção, que contempla áreas dos municípios de Touros e Pureza, começa no segundo trimestre deste ano. A instalação das turbinas, por sua vez, está prevista para março de 2027. O complexo será desenvolvido e operado pela Rio Energy. Pelo contrato, a Vestas será a responsável pela operação e manutenção das turbinas eólicas, com um contrato de disponibilidade de serviço e energia de duração de 30 anos.

O Ceo da Vestas América Latina, Eduardo Ricotta, aponta que o novo projeto no Rio Grande do Norte foi motivado pelo cenário atual de retomada de projetos eólicos no país após três anos sem novas contratações. Ele acrescenta que a ideia é que o Esquina do Vento conte com uma gestão compartilhada: “Praticamente tudo que a gente faz até entregar o parque para eles é 100% Vestas, com a supervisão da Equinor. Uma vez entregue, inicia a fase de operação e manutenção. É uma gestão compartilhada, porque tem uma parte que a Equinor faz e uma parte dentro do serviço que é responsabilidade da Vestas”, aponta.

O vice-presidente sênior para a área de Power da Equinor, Helge Haugane, aponta que a aquisição da Esquina do Vento representa a expansão da atuação da empresa em energia renovável. Atualmente, o portfólio da empresa totaliza cerca de 600 MW de capacidade em participação acionária no Brasil, com operação de equipamentos de energia eólica e fotovoltaica.

“Com essa aquisição, estamos expandindo nossa atuação em energia renovável e fortalecendo nosso portfólio integrado de Power, no qual eólica, solar e comercialização trabalham juntos para fornecer energia competitiva e confiável”, afirma Helge Haugane.

O complexo eólico Esquina do Vento vai contar com 51 turbinas eólicas do modelo V163, da Vestas. Para este ano, estão previstas a fundação do parque, construção de estradas de acesso e a infraestrutura de comunicação.

Em termos de empregabilidade, a estimativa é que o equipamento tenha potencial para gerar mais de 2,3 mil empregos diretos e indiretos considerando a etapa de construção e operação, de acordo com projeção da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) e do estudo “Ventos que trazem Empregos”, da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

“Cada contrato que a gente assina de parques eólicos gera mais empregos no Rio Grande do Norte, onde temos o Centro de Serviço da Vestas com quase 800 pessoas realizando a gestão, supervisão e todo o trabalho de planejamento dos parques”, aponta Eduardo Ricotta.

Outro ponto destacado pelo CEO da Vestas América Latina se refere ao público consumidor da energia do Esquina do Vento. Embora a estimativa considere unidades residenciais, ele aponta que o equipamento mira principalmente as indústrias.

“Estamos vivendo uma abertura de mercado no setor de energia no Brasil, ou seja, em breve teremos grandes parques vendendo energia para a casa das pessoas. Com essa abertura, pode ser que tenha impacto tanto para a venda de casas de residências quanto para grandes empresas”, explica Eduardo Ricotta.

Curtailment segue como desafio para renováveis

Embora o cenário seja de retomada para o setor eólico, o CEO da Vestas América Latina esclarece que o curtailment – que é a redução ou limitação de produção de energia para equilibrar oferta e demanda ou evitar sobrecarga no sistema – tem gerado desafios para todo o sistema elétrico do país.

“O Brasil tem excesso de energia, porque tem muita energia solar ao mesmo tempo. O curtailment acontece quando tem muita energia no sistema e o Operador Nacional do Sistema Elétrico começa a cortar a energia. O Governo precisa balancear melhor esses subsídios para termos uma harmonização entre as fontes de energia. É importante que as fontes solar, eólica, biomassa, hidrelétrica, termoelétrica trabalhem em conjunto”, ressalta Eduardo Ricotta.

Kayllani Lima Silva/Repórter

Tribuna do Norte

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