Segmento conta com mais de 1.700 ópticas, que empregam 2.000 trabalhadores formais no RN, segundo dados da Receita e MTE | Foto: Magnus Nascimento
O mercado óptico do Rio Grande
do Norte registrou crescimento de 9,02% em janeiro de 2026 em relação ao mesmo
mês de 2025, segundo aponta um levantamento da Associação Brasileira da
Indústria Óptica (Abióptica). Com faturamento de R$ 16,76 milhões no primeiro
mês do ano, o estado obteve a maior variação entre os estados do Nordeste,
puxando o crescimento da região no setor.
Para Ambra Sinkoc, diretora-executiva da Abióptica, o avanço reflete a expansão do varejo óptico, o aumento da demanda por correção visual e uma maior conscientização da população sobre a importância da saúde dos olhos no estado. “O estado tem apresentado expansão de redes regionais e modernização de muitas óticas independentes, com investimento em atendimento, mix de produtos e posicionamento de marca”, destaca a diretora.
Ainda de acordo com os dados
da Abióptica, em toda a região Nordeste o mercado óptico faturou R$ 263,1
milhões em janeiro de 2026. No país, o setor registrou faturamento total de R$
2,58 bilhões no período.
A variação percentual do RN,
de 9,02% durante o mês, superou a da Paraíba (5,98%), Sergipe (4,18%),
Pernambuco (4,03%), Ceará (1,43%) e Piauí (0,96%). Os outros três estados da
região tiveram retração no faturamento: Maranhão (-2,08%), Alagoas (-3,4%) e Bahia
(-3,41%). O desempenho regional foi de 0,1%, abaixo do avanço nacional de 3%.
Na avaliação da Federação do
Comércio de Bens, Serviços e Turismo do RN (Fecomércio RN), o segmento óptico
tem peso relevante no comércio potiguar. “No Rio Grande do Norte, são mais de
1.700 ópticas, que empregam 2.000 trabalhadores formais, segundo dados da
Receita Federal e do Ministério do Trabalho e Emprego, respectivamente”, disse
a instituição.
A federação considera que o
desempenho do setor está alinhado ao cenário de crescimento econômico do
estado.
“Nos últimos cinco anos, a
economia potiguar cresceu acima da média da região, puxada especialmente pelos
setores de Comércio e Serviços, o que ajuda a explicar a evolução recente da
demanda por produtos e serviços ópticos”, pondera a Fecomércio.
Conforme observa a
diretora-executiva da Abióptica, há uma demanda crescente por soluções de
correção visual, impulsionada pelo envelhecimento da população e pelo aumento
do uso de telas digitais.
“O resultado do Nordeste neste
início de 2026 é bastante positivo e confirma algo que já vínhamos observando
nos últimos anos: a região tem se consolidado como um mercado óptico muito
dinâmico”, comentou Ambra Sinkoc.
Ela avalia que o Nordeste
possui hoje um varejo óptico capilarizado e empreendedor, com muitas óticas
independentes e bem estruturadas, o que contribui para esse desempenho.
A especialista considera que
para 2026 existem três vetores principais de crescimento, sendo eles a maior
conscientização sobre a importância da visão, a inovação tecnológica nas lentes
e armações e a profissionalização do varejo óptico brasileiro. Esse conjunto
tende a sustentar a projeção de crescimento de cerca de 5,2% para o setor
durante o ano.
Pabllo Royttimans,
proprietário da Natal Óticas, observou um aumento de cerca de 25% nos primeiros
meses do ano, resultado que atribui a estratégias próprias de captação de
clientes. Para o empresário, o mercado óptico enfrenta hoje maior
competitividade e um consumo mais cauteloso por parte da população. “O custo de
aquisição está mais alto e a concorrência pela atenção do consumidor é maior”,
considera Royttimans.
Erinaldo Alexc, vendedor da
LabÓticas, afirma que o movimento na loja aumentou cerca de 60% em janeiro
deste ano, com maior procura por óculos de grau. “Do ano passado para cá,
principalmente neste início de ano, a demanda melhorou bastante. Percebemos um
aumento no fluxo de clientes nas lojas, principalmente de pessoas que buscam
qualidade e garantia nos produtos”, relata.
Por outro lado, Eva Maria,
proprietária da Ótica El Shaday, avalia que a abertura de óticas sem
profissionais especializados, além de práticas como pirataria, têm
intensificado a disputa por clientes. “Trabalho no ramo óptico há mais de 40
anos e vejo que o mercado mudou muito nos últimos anos e essas coisas acabam
dificultando para quem trabalha”, considera a empresária, ao explicar que
percebeu uma queda de 50% no faturamento em janeiro de 2026.
Falsificações prejudicam setor
e saúde das pessoas
Ambra Sinkoc,
diretora-executiva da Abióptica, considera que a presença de produtos
falsificados ou irregulares é um problema relevante para o setor. “Além de
causar prejuízos para a indústria e para o varejo formal, esse mercado paralelo
representa um risco direto à saúde visual da população, porque muitos desses
produtos não passam por qualquer controle de qualidade”, alerta.
De acordo com a Abióptica,
cerca de metade dos 106,5 milhões de óculos comercializados por ano no Brasil
corresponde a produtos falsificados ou vendidos de forma irregular. Álisson de
Oliveira, oftalmologista do Huol-UFRN-Ebserh, afirma que os óculos de sol estão
entre os produtos mais falsificados.
“[A preocupação é] se a lente
tem um filtro ultravioleta que proteja dessa radiação, porque várias estruturas
do olho sofrem com a radiação ultravioleta. É o caso da córnea, de forma mais
aguda, é o caso do cristalino, com a indução de catarata e, mais delicadamente,
a retina. Então, a longo prazo, essa radiação piora”, disse.
O especialista explica que as
lentes escuras provocam dilatação da pupila e, quando não possuem proteção
adequada, permitem a entrada de maior quantidade de radiação nos olhos, o que
pode aumentar o risco de doenças. “Procurar uma ótica que preze pela qualidade,
lentes e o principal fator para proteção ocular é uma lente com proteção
ultravioleta. Mesmo uma lente transparente, ela deve ter a proteção
ultravioleta”, considera Álisson de Oliveira.

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