terça-feira, 17 de março de 2026

Com alta de 9% em janeiro, mercado óptico do RN puxa crescimento no NE

Segmento conta com mais de 1.700 ópticas, que empregam 2.000 trabalhadores formais no RN, segundo dados da Receita e MTE | Foto: Magnus Nascimento

O mercado óptico do Rio Grande do Norte registrou crescimento de 9,02% em janeiro de 2026 em relação ao mesmo mês de 2025, segundo aponta um levantamento da Associação Brasileira da Indústria Óptica (Abióptica). Com faturamento de R$ 16,76 milhões no primeiro mês do ano, o estado obteve a maior variação entre os estados do Nordeste, puxando o crescimento da região no setor.

Para Ambra Sinkoc, diretora-executiva da Abióptica, o avanço reflete a expansão do varejo óptico, o aumento da demanda por correção visual e uma maior conscientização da população sobre a importância da saúde dos olhos no estado. “O estado tem apresentado expansão de redes regionais e modernização de muitas óticas independentes, com investimento em atendimento, mix de produtos e posicionamento de marca”, destaca a diretora.

Ainda de acordo com os dados da Abióptica, em toda a região Nordeste o mercado óptico faturou R$ 263,1 milhões em janeiro de 2026. No país, o setor registrou faturamento total de R$ 2,58 bilhões no período.

A variação percentual do RN, de 9,02% durante o mês, superou a da Paraíba (5,98%), Sergipe (4,18%), Pernambuco (4,03%), Ceará (1,43%) e Piauí (0,96%). Os outros três estados da região tiveram retração no faturamento: Maranhão (-2,08%), Alagoas (-3,4%) e Bahia (-3,41%). O desempenho regional foi de 0,1%, abaixo do avanço nacional de 3%.

Na avaliação da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do RN (Fecomércio RN), o segmento óptico tem peso relevante no comércio potiguar. “No Rio Grande do Norte, são mais de 1.700 ópticas, que empregam 2.000 trabalhadores formais, segundo dados da Receita Federal e do Ministério do Trabalho e Emprego, respectivamente”, disse a instituição.

A federação considera que o desempenho do setor está alinhado ao cenário de crescimento econômico do estado.

“Nos últimos cinco anos, a economia potiguar cresceu acima da média da região, puxada especialmente pelos setores de Comércio e Serviços, o que ajuda a explicar a evolução recente da demanda por produtos e serviços ópticos”, pondera a Fecomércio.

Conforme observa a diretora-executiva da Abióptica, há uma demanda crescente por soluções de correção visual, impulsionada pelo envelhecimento da população e pelo aumento do uso de telas digitais.

“O resultado do Nordeste neste início de 2026 é bastante positivo e confirma algo que já vínhamos observando nos últimos anos: a região tem se consolidado como um mercado óptico muito dinâmico”, comentou Ambra Sinkoc.

Ela avalia que o Nordeste possui hoje um varejo óptico capilarizado e empreendedor, com muitas óticas independentes e bem estruturadas, o que contribui para esse desempenho.

A especialista considera que para 2026 existem três vetores principais de crescimento, sendo eles a maior conscientização sobre a importância da visão, a inovação tecnológica nas lentes e armações e a profissionalização do varejo óptico brasileiro. Esse conjunto tende a sustentar a projeção de crescimento de cerca de 5,2% para o setor durante o ano.

Pabllo Royttimans, proprietário da Natal Óticas, observou um aumento de cerca de 25% nos primeiros meses do ano, resultado que atribui a estratégias próprias de captação de clientes. Para o empresário, o mercado óptico enfrenta hoje maior competitividade e um consumo mais cauteloso por parte da população. “O custo de aquisição está mais alto e a concorrência pela atenção do consumidor é maior”, considera Royttimans.

Erinaldo Alexc, vendedor da LabÓticas, afirma que o movimento na loja aumentou cerca de 60% em janeiro deste ano, com maior procura por óculos de grau. “Do ano passado para cá, principalmente neste início de ano, a demanda melhorou bastante. Percebemos um aumento no fluxo de clientes nas lojas, principalmente de pessoas que buscam qualidade e garantia nos produtos”, relata.

Por outro lado, Eva Maria, proprietária da Ótica El Shaday, avalia que a abertura de óticas sem profissionais especializados, além de práticas como pirataria, têm intensificado a disputa por clientes. “Trabalho no ramo óptico há mais de 40 anos e vejo que o mercado mudou muito nos últimos anos e essas coisas acabam dificultando para quem trabalha”, considera a empresária, ao explicar que percebeu uma queda de 50% no faturamento em janeiro de 2026.

Falsificações prejudicam setor e saúde das pessoas

Ambra Sinkoc, diretora-executiva da Abióptica, considera que a presença de produtos falsificados ou irregulares é um problema relevante para o setor. “Além de causar prejuízos para a indústria e para o varejo formal, esse mercado paralelo representa um risco direto à saúde visual da população, porque muitos desses produtos não passam por qualquer controle de qualidade”, alerta.

De acordo com a Abióptica, cerca de metade dos 106,5 milhões de óculos comercializados por ano no Brasil corresponde a produtos falsificados ou vendidos de forma irregular. Álisson de Oliveira, oftalmologista do Huol-UFRN-Ebserh, afirma que os óculos de sol estão entre os produtos mais falsificados.

“[A preocupação é] se a lente tem um filtro ultravioleta que proteja dessa radiação, porque várias estruturas do olho sofrem com a radiação ultravioleta. É o caso da córnea, de forma mais aguda, é o caso do cristalino, com a indução de catarata e, mais delicadamente, a retina. Então, a longo prazo, essa radiação piora”, disse.

O especialista explica que as lentes escuras provocam dilatação da pupila e, quando não possuem proteção adequada, permitem a entrada de maior quantidade de radiação nos olhos, o que pode aumentar o risco de doenças. “Procurar uma ótica que preze pela qualidade, lentes e o principal fator para proteção ocular é uma lente com proteção ultravioleta. Mesmo uma lente transparente, ela deve ter a proteção ultravioleta”, considera Álisson de Oliveira.

Tribuna do Norte

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