Um projeto voltado à pesca
sustentável de lagostas, idealizado por um estudante de Porto do Mangue, no
interior do Rio Grande do Norte, vai ser apresentado na Brazil Conference,
evento organizado na Universidade de Harvard e no MIT, nos Estados Unidos, que
reúne lideranças e ideias sobre o futuro do Brasil. O Pesqueiro Sustentável
surgiu do objetivo de substituir materiais poluentes usados na pesca da
lagosta, na Praia do Rosado por madeira da algaroba. A iniciativa será
compartilhada na conferência em solo norte-americano no mês de março.
A ideia do Pesqueiro Sustentável foi pensada pelo estudante Gabriel Melo, 18 anos, morador da comunidade de Praia do Rosado, em Porto do Mangue. O projeto ganhou visibilidade ao conquistar o primeiro lugar na categoria Diálogos, da Brazil Conference, e no Desafio Liga Jovem, promovido pelo Sebrae. A conferência nos Estados Unidos acontece de 27 a 29 de março. Antes disso, o jovem vai levar a iniciativa a outro evento no exterior, em Barcelona, na Espanha, de 28 de fevereiro a 8 de março.
O projeto vai ser apresentado
na Brazil Conference no evento Pub Boston (Pesquisadores Universitários
Brasileiros em Boston). Além de Gabriel, fazem parte do projeto a irmã dele,
Gabriele Melo, e o professor Davison Vitor, que orientou a pesquisa.
Foto: Cedida/Gabriel Melo
Foto: Cedida/Gabriel Melo
O Pesqueiro Sustentável
O Pesqueiro Sustentável teve
início por meio de uma feira de ciências organizada na Escola Estadual
Professora Josélia de Souza Silva, onde Gabriel Melo estudava e teve o primeiro
contato com a iniciação científica. O jovem se formou no ensino médio no ano
passado.
A maior dificuldade do
projeto, segundo ele, foi descobrir uma alternativa viável e econômica para
substituir os materiais convencionais usados na pesca de lagosta. Após
pesquisas e diálogos com pescadores locais, concluíram que a madeira de
algaroba era a solução sustentável e econômica que procuravam.
A proposta de substituir
materiais poluentes usados na pesca da lagosta por madeira da algaroba não só
contribui para a preservação ambiental, mas também reduz os custos operacionais
dos pescadores locais, de acordo com ele.
Originária das áreas áridas
das Américas, a árvore de algaroba, invasora do semiárido, é abundante e de
baixo custo. O uso da madeira na construção de pesqueiros ecológicos
biodegradáveis é uma opção mais segura para os pescadores porque evita
materiais comumente utilizados como tambores, pneus e outros itens para criar
estruturas de pesca, que podem ser irregulares, podendo levar à apreensão por
órgãos ambientais, como o Ibama.
Construção do Pesqueiro Sustentável
Foto: Cedida/Gabriel Melo
De acordo com os estudos
desenvolvidos pelos pesquisadores, com o Pesqueiro Sustentável, os pescadores
locais conseguem economizar consideravelmente, pois a madeira de alfarrobeira é
mais barata e de fácil acesso. Gabriel Melo esclarece que um pesqueiro convencional
pode variar entre R$ 75 e R$ 138, ao passo que um pesqueiro sustentável pode
custar até R$ 40. Além disso, a durabilidade do pesqueiro, mesmo sendo
biodegradável, garante que a estrutura cumpra sua função durante a temporada de
pesca, sem necessidade de reposição constante.

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