Apesar da retração de 2,3% na
produção industrial do Rio Grande do Norte em novembro de 2025, o desempenho do
setor de confecções foi determinante para reduzir o impacto negativo da
indústria no estado. Dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional,
divulgados nesta quarta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), mostram que a confecção de artigos do vestuário e
acessórios cresceu 98% na comparação com o mesmo mês de 2024, o maior avanço do
país pelo quinto mês consecutivo.
Play VideoO resultado contrasta com a queda registrada em segmentos tradicionais, como a fabricação de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis, que recuou 16,8% em novembro e foi o principal responsável pelo desempenho negativo da indústria geral potiguar. Ainda assim, outros setores apresentaram crescimento, como as indústrias extrativistas (12,4%) e a fabricação de produtos alimentícios (5,6%).
Para o presidente da Federação
das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), Roberto Serquiz, os números
refletem uma retomada consistente da indústria de transformação no estado, com
a confecção exercendo papel estratégico nesse processo. “Quando a gente fala de
transformação, que é a indústria que transforma a matéria-prima no produto, a
gente fala de confecção, de vestuário, de bonelaria, móveis, alimentos. E essa
indústria realmente tem tido uma reação”, afirmou.
Segundo Serquiz, a Fiern tem
atuado de forma direta para fortalecer esse movimento. “A própria Federação da
Indústria tem colaborado com esse processo que nós chamamos de
neoindustrialização”, destacou. Ele chama a atenção, especialmente, para a
força das oficinas de costura instaladas no Seridó, região que concentra grande
parte da produção de confecções e também de bonelaria do estado. “A confecção é
um segmento estratégico. Eu incluiria aí a bonelaria. Nós temos as oficinas de
costura que predominantemente estão na região do Seridó e elas têm sido
realmente efetivas nesse desempenho da indústria de transformação”, disse.
De acordo com o dirigente, a
entidade está desenvolvendo um programa de qualificação dessas oficinas, por
meio de recursos oriundos de emenda parlamentar do senador Rogério Marinho, com
foco na criação de marcas próprias. “É uma forma de dar a essas oficinas mais
uma oportunidade de aumento de produtividade”, pontuou.
A relevância da bonelaria no
Seridó é evidenciada pelo Arranjo Produtivo Local (APL) do setor, que envolve
municípios como Serra Negra do Norte, Caicó e São José do Seridó. A cidade de
Serra Negra do Norte, por exemplo, abriga a maior agência dos Correios do Rio
Grande do Norte em volume de encomendas, impulsionada pela produção e
comercialização de bonés para todo o país e até para o exterior.
“A bonelaria é o segundo polo
boneleiro e está muito bem desenhado o crescimento a partir de um grande
indicador: a maior agência dos Correios está exatamente em Serra Negra do
Norte”, observou Serquiz.
Na avaliação dele, a confecção
deve manter esse protagonismo nos próximos anos. “A confecção pode ser
considerada um dos pilares da indústria do estado e assim deve se manter, sem
dúvida”, afirmou.
Ele destaca ainda a
importância do Complexo Acari Cidade da Moda, cuja entrega está prevista para
março de 2026. Orçado em R$ 21,7 milhões, o empreendimento contará com galpões
industriais, centro de convenções e espaços para feiras e comercialização de produtos
fabricados no próprio estado. “Isso vai dar um outro potencial de mercado e
trazer uma evolução do ponto de vista de marca própria”, explicou.
Para o presidente da Fiern, o
fortalecimento da confecção também dialoga com outros segmentos da indústria de
transformação. “Tudo isso para que não só a confecção e a bonelaria, mas também
as bordadeiras da região, a indústria de alimentos e até o potencial da
mineração do Seridó contribuam cada vez mais para o desempenho da indústria de
transformação”, concluiu.
Variação acumulada
A variação acumulada até
novembro de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior seguiu a mesma
tendência de meses anteriores, com percentuais positivos em todos os segmentos
industriais exceto nos de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, que
caíram 23,2%. A atividade das indústrias extrativistas cresceu 13,2%. A
confecção de artigos do vestuário e acessórios subiu 42,8%, enquanto a
fabricação de produtos alimentícios manteve o crescimento de 5,8%. Mesmo com
esses números, o acumulado da indústria geral apresentou uma variação negativa
de 11,8% no período.
A variação acumulada em 12
meses, em relação ao período anterior de 12 meses, seguiu a mesma tendência,
com números positivos para as indústrias extrativistas (11,1%), fabricação de
produtos alimentícios (6,6%) e para a confecção de artigos do vestuário e
acessórios (36,3%). Contudo, no mesmo período, o indicador ficou negativo na
fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-23,4%),
o que fez a indústria geral cair 12,7%.
Tribuna do Norte

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