"No momento em que o
mundo inteiro está trabalhando a criação de novas parcerias, em que o próprio
Brasil criou o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, o
CCIP Amazônia, é surpreendente que a gente tenha uma proposta que busque
excluir a Polícia Federal de certas investigações e de certas
atribuições", disse o delegado à Agência Brasil, enquanto circulava
pelos corredores da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas
(COP30), em Belém, na tarde desta terça-feira (11).
Parecer do deputado Guilherme Derrite (PP-SP), relator
do projeto, condicionou as investigações conjuntas da Polícia Federal com
forças estaduais sobre crimes relacionados a facções criminosas a um pedido
formal do governador. Derrite, que ocupava o cargo de secretário de Segurança
Pública de São Paulo, na gestão Tarcísio de Freitas, se licenciou do cargo para
à Câmara justamente para atuar nessa relatoria. Após pressões, ele recuou e modificou o artigo 11 do texto para
permitir que a PF faça operações conjuntas com as policias estaduais sem a
necessidade de aval do governador.
"Com certeza [a restrição
se aplicaria a crimes ambientais] porque condicionaria a Polícia Federal a
investigar garimpo ilegal, extração de madeira, em determinado determinados
estados da Amazônia Legal, ao pedido desse estado", observou Freire
Barros. "Isso é inconcebível", acrescentou.
Especialistas, o governo e
a própria PF argumentaram que o primeiro texto do
relator era inconstitucional, por condicionar operações conjuntas da PF com
forças estaduais a uma provocação do governador, retirando atribuições da
organização, ligada à União.
A repercussão do caso levou o
presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que foi quem indicou
Derrite para relatar o projeto de lei, a descartar qualquer alteração que
prejudique a autonomia de investigação pela PF.
Criada em 2023, a Diretoria de
Amazônia e Meio Ambiente da PF buscou priorizar e intensificar o combate ao
crime organizado na região e aos crimes ambientais.
"Conseguimos formatar uma
grande parceria, um impacto realmente para proteção da Pan Amazônia, combatendo
para isso os crimes ambientais que infelizmente se fortaleceram em um período
recente. O minério ilegal se instalou na Amazônia, a retirada de madeira,
grilagem de terra e a gente desencadeou, com o Plano Amas, as ações para
reverter ver tudo isso", destacou o diretor.
Freire Barros enfatizou que o
foco da PF é principalmente o trabalho de inteligência, para desmantelar o
comando e o financiamento do garimpo ilegal e outros crimes associados, como
desmatamento e extração ilegal de madeira.
Agência Brasil

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